Notícias Adventistas

Educação

Na onda do Mundial, mais de 900 estudantes entram em campo em Cuiabá para vencer o isolamento digital

Enquanto o planeta acompanha os astros nos gramados, a 17ª edição dos ‘Jogos da Amizade’ transforma o Sesc Dr. Meirelles em uma arena de conexão real e saúde mental para a juventude.


  • Compartilhar:

CUIABÁ, MT – No mês em que o mundo inteiro respira o clima eletrizante da Copa do Mundo, a discussão sobre a hiperconectividade ganha espaço fora dos gramados. Em um cenário em que crianças e adolescentes passam a maior parte do tempo livre imersos em telas e redes sociais, as interações presenciais e as brincadeiras de rua tornaram-se uma rara exceção. Esse "estilo de jogo" digital tem cobrado um preço alto da saúde mental. Segundo o relatório sobre Conexão Social da Organização Mundial da Saúde (OMS), acende-se o alerta vermelho ao apontar que entre 17% e 21% dos jovens de 13 a 29 anos relatam se sentir solitários e que o isolamento social afeta diretamente um em cada quatro adolescentes.

De acordo com a psicóloga Iolanda Muniz, a dependência das telas funciona como um adversário silencioso que adoece a mente por interferir no sono, na autoestima e na regulação emocional. "Estamos diante de uma geração muito conectada digitalmente, mas profundamente desconectada emocionalmente. A adolescência é a fase em que o jovem constrói sua identidade e, quando isso passa a depender de curtidas e validação externa nas redes, a mente vive em um estado constante de cobrança. O que falta na internet é a experiência humana completa: o olhar, o tom de voz e o abraço, coisas que a tecnologia simplesmente não substitui", explica a especialista.

Para contrapor esse isolamento e entrar em campo disposta a vencer a solidão digital, a Educação Adventista promoveu, entre os dias 30 de junho e 2 de julho, a 17ª edição dos Jogos da Amizade. Pegando carona na paixão pelo Mundial e na proximidade com o Dia Internacional da Amizade (20/07), o evento transformou o complexo do Sesc Dr. Meirelles, em Cuiabá, em uma verdadeira arena de conexão real. A iniciativa contou com a participação de mais de 900 alunos de oito unidades escolares da instituição em Mato Grosso, do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio.

Abertura do evento. (Imagem Educação Adventista)

O Diretor-Geral da Educação Adventista do Leste de Mato Grosso, Lucas Tomas Gomes Ferreira, destaca a urgência da proposta do evento. "Sabemos que os nossos adolescentes hoje em dia estão hiperconectados. A nossa ideia aqui é a que os jovens tenham uma conexão real. Nós temos alunos de todos os cantos de Mato Grosso reunidos aqui, praticando atividade física em conjunto", ressalta o diretor.

A estrutura do torneio contou com esportes de quadra e areia (Futsal, Vôlei e Vôlei de Areia), jogos de mesa (Tênis de Mesa, Pebolim e Fut-Mesa) e desafios intelectuais (Prova de Redação, Prova de Matemática e o circuito "Bom de Bíblia").

Olhando para o aspecto do amadurecimento social, o Diretor-Geral da Educação Adventista para o Oeste de Mato Grosso, professor Reinan Souza da Silva, complementa que o verdadeiro aprendizado do torneio está em saber lidar com a pluralidade. "As relações humanas são um desafio porque convivemos com pessoas muito diferentes. Os Jogos da Amizade vêm justamente para estreitar laços e aproximar os alunos. A rede proporciona um momento único e completo, que os alunos levarão para a vida inteira, lembrando que Deus nos deu corpo, mente e coração para nos envolvermos uns com os outros", afirma Reinan.

De acordo com a psicóloga Iolanda Muniz, a dinâmica coletiva gera um impacto terapêutico imediato na fisiologia dos estudantes. "O esporte coletivo quebra o isolamento por exigir a presença obrigatória e a interdependência. Na tela, dá para sumir sem custo, mas no time o grupo cobra a presença. Além disso, o exercício reduz o cortisol e libera endorfina, descarregando a ansiedade presa no corpo. É uma regulação emocional ao vivo, em que eles precisam lidar com emoções fortes e errar em público, sem a possibilidade de deletar, o que constrói resiliência de um jeito que os emojis não conseguem treinar", pontua.

Para os estudantes que estiveram nas quadras e arenas de areia, a experiência de "desconectar" superou o ambiente virtual. "Essa primeira experiência minha está me dando uma sensação muito boa de estar ao ar livre, né? Porque muda completamente a nossa rotina. Ficar aqui de boa, conversando, sem celular... é uma experiência muito boa", relatou Murilo, de 17 anos.

A mesma sensação de união presencial foi compartilhada por Maria Eduarda Marquez, também de 17 anos, que viveu o torneio em tom de despedida. "Estamos em um momento de união, gritando, conversando, torcendo e nem nos lembramos do celular. São memórias que irão ficar para sempre guardadas, ainda mais porque é meu último "Jogos da Amizade", comemora a estudante.

Ao final do torneio, o principal troféu não foi o pódio, mas sim a prova de que o abraço de um gol e o fortalecimento de vínculos afetivos reais continuam sendo a ferramenta mais poderosa para proteger a saúde mental da juventude.

Veja todas as fotos do evento.https://flic.kr/ps/45MuiJ