Muito além da nota
Resultados conquistados por escolas adventistas de MS entre mais de 40 unidades do Centro-Oeste refletem uma estratégia educacional que começa ainda nos primeiros anos escolares

Em educação, alguns números chamam atenção. Outros confirmam um caminho. Os resultados do Programa de Avaliação da Educação Básica (PAAEB) 2025 colocaram escolas adventistas de Mato Grosso do Sul entre os destaques do Centro-Oeste, em meio a mais de 40 unidades avaliadas. Mas, para quem acompanha o dia a dia das salas de aula, o desempenho não chegou como novidade. Ele já vinha sendo construído ao longo do tempo, em um processo contínuo que hoje começa a aparecer com mais força.
Leia também:
Crianças vivem a missão com lançamento do Supermissionários 2026
Projeto global sobre Jesus Cristo será lançado em setembro
Ao longo de 2025, alunos da rede se destacaram em Língua Portuguesa e Matemática, alcançando posições relevantes em diferentes etapas e unidades, tanto na capital quanto no interior. Mais do que um resultado isolado, o cenário aponta para um padrão. “A gente olha para esses dados e enxerga consistência. Existe um trabalho intencional, contínuo. Quando comparamos com anos anteriores, o crescimento é claro”, explica Soraya Vital, líder da Educação Adventista em Mato Grosso do Sul. Para ela, o que mais chama atenção não é apenas o desempenho, mas a distribuição dele. “Não é um destaque isolado. Quando você vê capital e interior aparecendo juntos, isso mostra que o modelo está funcionando de forma real, chegando até a sala de aula”, afirma.
Por trás desse resultado existe uma lógica de funcionamento que vai além da prova. A avaliação, dentro da rede, não é tratada apenas como medição final, mas como instrumento de ajuste.
“A gente não usa avaliação só para medir. A gente usa para ajustar o percurso. O PAAEB entra como ferramenta dentro de um processo maior de acompanhamento e tomada de decisão pedagógica”, pontua Soraya. Essa leitura muda o papel da avaliação e ajuda a explicar por que o desempenho aparece de forma mais consistente.

Esse caminho, no entanto, começa muito antes das avaliações externas. Na Educação Infantil, o trabalho já é pensado para sustentar o que será exigido nos anos seguintes. “A gente trabalha desde cedo com intencionalidade. Desenvolve organização, disciplina, curiosidade. Parece simples, mas isso sustenta tudo o que vem depois”, afirma Antonia Teixeira, coordenadora pedagógica da Educação Infantil ao Ensino Fundamental Anos Iniciais. Segundo ela, o desenvolvimento em Língua Portuguesa e Matemática começa na forma como a criança aprende a pensar.

“A alfabetização e o raciocínio lógico estruturam o pensamento. Quando isso é bem construído no início, o aluno ganha segurança para avançar. Ele não aprende só conteúdo, ele aprende a aprender”, explica.
No Ensino Médio, essa base passa a se refletir de forma mais direta nos indicadores. Mas o cenário atual exige mais do que continuidade. “Hoje, um dos maiores desafios é manter o aluno focado. A gente vive um tempo de excesso de estímulos, e isso impacta diretamente o aprendizado”, observa Nádia Silveira, Coordenadora Pedagógica Ensino Fundamental Anos Finais ao Ensino Médio. Para enfrentar esse contexto, a rede tem investido em metodologias mais dinâmicas e acompanhamento constante. “A gente trabalha com simulados, avaliações estruturadas e orientação próxima. Mas, acima de tudo, investe na preparação do professor, porque um time preparado faz toda a diferença”, destaca.
Mesmo com estratégias bem definidas, há um fator que continua sendo decisivo: o alinhamento entre escola, família e aluno.
“Quando cada um entende o seu papel e participa do processo, o resultado aparece. Não é um elemento isolado, é o conjunto funcionando”, resume Nádia. Esse conjunto, inclusive, ajuda a explicar por que o desempenho vai além da prova. Disciplina, constância e organização acabam impactando também a preparação para vestibulares e escolhas futuras.

Dentro da rede, o resultado do PAAEB não é visto como ponto de chegada, mas como confirmação de um caminho que tende a se fortalecer. “Nota alta é consequência. O que importa é o processo. Quando existe clareza de propósito, um currículo alinhado e acompanhamento de perto, o resultado vem”, reforça Soraya. Para ela, o desempenho também reposiciona o estado dentro da própria rede no Centro-Oeste. “Isso nos coloca como referência, mas também aumenta a responsabilidade. A gente não olha para isso como algo finalizado, e sim como base para avançar ainda mais”, conclui.
Com os resultados de 2025, Mato Grosso do Sul passa a ocupar posição de destaque dentro da educação adventista no Centro-Oeste. Para a rede, o cenário reforça não apenas o desempenho alcançado, mas a responsabilidade de continuar investindo em formação, acompanhamento e desenvolvimento educacional.




