Mobilização voluntária leva alimento e esperança às ruas da Rocinha
Trabalho social é realizado pela Igreja Adventista na emblemática comunidade do Rio de Janeiro

Todos os primeiros domingos do mês, às 7h da manhã, voluntários da Igreja Adventista da Rocinha saem às ruas para oferecer muito mais do que um café da manhã.
A iniciativa, conhecida como “Café da Manhã Solidário”, é liderada por Maria Aparecida, moradora da Rocinha há quase quatro décadas e responsável pela ASA (Ação Solidária Adventista) na comunidade. “Cheguei ao Rio em 1976. Não nasci aqui, mas hoje tenho certeza de que estou na Rocinha por um propósito de Deus”, afirma.
O projeto vai além da alimentação. Os voluntários conversam, escutam, oram com os atendidos e, quando há oportunidade, oferecem estudos bíblicos. “A gente se pergunta: o que Jesus faria por essas pessoas?”, destaca o grupo de voluntários, que acompanham de perto as histórias de quem vive nas ruas.
Uma missão em levar alento e dignidade para as pessoas
Maria Aparecida não enxerga sua presença na comunidade como algo aleatório. Em seu testemunho, ela cita o livro de Ester para ilustrar o chamado que sente.
“No livro de Ester, capítulo 4, versículos 13 e 14, há uma reflexão importantíssima pra mim. Mordecai manda uma resposta para Ester que me marcou profundamente. Eu não estou aqui nessa comunidade só porque não posso morar em outro lugar. Agora tenho certeza de que é propósito de Deus levar o conhecimento da Palavra para uma comunidade clama e as vezes não é ouvida”, pontua Maria.
A citação de Ester, segundo ela, resume seu chamado: “Eu entendo que estou aqui por um propósito que Deus tem na minha vida e na vida dessa comunidade”, acrescenta.
Enquanto os voluntários servem o café da manhã, Maria conversa com um idoso que dorme nas calçadas próximas à comunidade. Ela o chama pelo nome, sabe sua história, suas perdas, e o convida para um novo encontro no mês seguinte.
A cada ação, dezenas de pessoas recebem alimento, oração, e a certeza de que alguém se importa. “Queremos mostrar que eles têm valor, que podem se recuperar e voltar à sociedade”, reforça Maria.
O projeto solidário, que acontece nas redondezas da comunidade, incluindo a calçada de São Conrado, reúne uma equipe dedicada a acolher e ouvir pessoas em situação de rua. O sonho dos voluntários é ver o projeto crescer e alcançar ainda mais vidas.


