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Missão Calebe fortalece chamado missionário de jovem após acidente que o deixou tetraplégico

Após acidente que mudou sua vida aos 28 anos, Pimenta comandou pela primeira vez um grupo missionário no interior do Maranhão


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Alexandre participa da cerimônia de batismo ao lado da equipe da Missão Calebe em Buriticupu (Foto: Luan Mendonça)

Há cinco anos, um acidente mudou a vida de Alexandre Araújo Pimenta. Aos 28 anos, ele passou a conviver com a tetraplegia — e o que parecia encerrar seus planos acabou definindo um novo propósito. Em julho, Pimenta comandou pela primeira vez um grupo missionário da Missão Calebe em Buriticupu, no Maranhão, ao longo de quatorze dias de programação que reuniram cerca de trinta pessoas por noite e resultaram em cinco batismos.

Participante da Missão Calebe desde 2013, Pimenta nunca havia assumido uma liderança. Este ano, ao lado da mãe, Jace Lene da Costa Araújo, e com o apoio da Igreja Adventista do Sétimo Dia local, ele conduziu a campanha no povoado 2º Núcleo, às margens da BR-222.

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"Para mim, concluir essa Missão Calebe é um privilégio. Hoje me sinto preparado para novos desafios, sabendo que Deus está à frente de tudo", diz Pimenta.

Segundas chances

Antes/depois do acidente que tirou os movimentos das pernas e braços de Alexandre (Foto: Arquivo pessoal)

Após o acidente, Pimenta passou dois meses internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e sofreu três paradas cardíacas. Durante esse período, fez uma oração que, segundo ele, mudou completamente sua forma de enxergar a vida: "Senhor, me ajuda. Eu não posso morrer aqui. Tenho muitas coisas para fazer."

Ao retornar para casa antes do período previsto pelos médicos, passou a compreender aquela experiência como uma segunda oportunidade. "Hoje eu entendo que não posso desperdiçar minha segunda chance. Estou aproveitando como Deus permite", afirma. Além da reabilitação física, Pimenta também enfrentou desafios de saúde mental: diagnosticado com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), precisou lidar com crises de ansiedade antes de aceitar a responsabilidade de liderar uma equipe.

O convite que veio de uma conversa

O convite para assumir a liderança surgiu após um retiro espiritual no início do ano. Pimenta buscou o pastor Ivan Bispo para expressar um desejo antigo: integrar-se a uma missão transcultural. A resposta foi uma proposta diferente. "Ele veio até mim e disse: 'Pastor, me ajude a fazer missão fora'. Então pensei: antes de ir para o exterior, que tal fazer uma missão aqui no nosso distrito?", recorda Bispo.

Alexandre e o pastor Ivan coordenando a programação do Calebe (Foto: Luan Mendonça)

Para Pimenta, assumir a liderança era algo totalmente inédito. "Eu vinha participando da Missão Calebe desde 2013, porém sempre de forma discreta. Nunca havia comandado um time", declara.

Durante a campanha, Pimenta se envolveu em visitas missionárias, estudos bíblicos e momentos de pregação. Um dos maiores obstáculos foi superar o medo de como seria recebido pelas pessoas. "Antigamente, era simples visitar as casas a pé, cumprimentando e abraçando as pessoas. Atualmente, algumas me olham com compaixão. Porém, elas não têm consciência de que essa pessoa, por quem sentem pena, é uma pessoa feliz", relata.

O pastor Bispo afirmou que a presença de Pimenta causou impacto significativo na comunidade e entre os voluntários. "O Alexandre já é uma prova por si só. Sua vida é um chamado para que outras pessoas sirvam a Deus", declara. Segundo Bispo, a abordagem serena e acolhedora de Pimenta incentivou muitos jovens a se engajarem mais no trabalho missionário.

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Alexandre conduz a noite de programação do Calebe (Foto: Luan Mendonça)

Missão vivida em família

Pimenta realiza sua jornada missionária acompanhado da mãe. Além de estar presente nas atividades cotidianas do filho, Jace o auxilia na leitura da Bíblia e nos momentos de devoção. Para ela, o acidente mudou não só a vida de Alexandre, mas a de toda a família. "Antes do acidente, ele não tinha interesse em se comprometer com a igreja. Acredito que ele compreendeu o chamado de Deus após esse episódio", conta.

Jace afirma que o maior milagre experimentado pela família não foi o que ela esperava. "Eu desejava que meu filho recuperasse a capacidade de andar. Porém, o milagre ocorreu de uma maneira ainda mais surpreendente: ver o Alexandre se transformando em um missionário."

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Alexandre, uma das voluntárias da Missão Calebe e sua mãe em um dia de visitação (Foto: Arquivo pessoal)

Missão Calebe sem barreiras

A vivência fez o pastor Bispo refletir sobre a importância da inclusão na missão. Para ele, a Missão Calebe deve ser um ambiente acessível a todos os jovens. "Há muitos jovens com deficiência, autismo ou outras condições que também estão aptos a servir. Todos podem participar da missão", afirma.

Pimenta compartilha da mesma convicção. "Antes, eu não compreendia o sentido da minha existência. Compreendo que todas as experiências que vivi contribuíram para minha jornada de volta para casa. Não posso contar minha história sem colocar Deus em primeiro lugar", afirma.


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