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Missão Calebe estabelece projeto de continuidade com venezuelanos em Erechim

Projeto missionário oferece acolhimento, integração e evangelismo em uma cidade onde cerca de 10 mil imigrantes vivem atualmente


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Missão Calebe
Equipe Calebe e membras venezuelanos da Igreja Adventista Central de Erechim (Foto: divulgação)

A Missão Calebe, projeto evangelístico da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) que completou 20 anos em 2026, mobiliza jovens durante o período de férias escolares para ações de evangelismo, serviço e impacto social. Desde seu início, em janeiro de 2006, no interior da Bahia, a iniciativa cresceu e hoje envolve mais de 130 mil voluntários em toda a América do Sul.

Em 2026, um elemento estratégico ganhou destaque: a Caravana Calebe. O programa, presente em diversos estados brasileiros, tem o propósito de transformar a ação evangelística de férias em um compromisso permanente. E em vez de encerrar as atividades com o fim do período escolar, grupos selecionados recebem a missão de dar continuidade ao trabalho ao longo do ano, desenvolvendo projetos duradouros que geram impacto comunitário real.

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Na região atendida pela Associação Norte do Rio Grande do Sul (ANRS), sede administrativa da Igreja Adventista do Sétimo Dia no norte do estado, 11 igrejas participaram da Caravana Calebe entre os dias 24 de janeiro e 1º de fevereiro. Nesse período, as cidades de Passo Fundo, Encantado, Parobé, Campo Bom, Gravataí, Taquara, Sapiranga, Alvorada e São Leopoldo receberam a visita dos pastores da ANRS: Apolo Abrascio (presidente), Giliard Ferreira (líder do Ministério Jovem) e do evangelista Júlio Padilha, responsáveis por conduzir mensagens e cerimônias batismais. Cerca de 100 pessoas oficializaram publicamente sua decisão de fé por meio do batismo.

A programação também contou com a participação do quarteto musical Athus e do cantor Wesley Fonseca, apresentador do programa Caixa de Música, da TV Novo Tempo. A celebração final ocorreu no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS), em Taquara, reunindo mais de mil participantes.

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Culto de sábado com membros da IASD Central de Erechim, no Colégio Adventista (Foto: divulgação)

Compromisso com a missão

Em Erechim, no norte do Rio Grande do Sul, um grupo da igreja adventista Central desenvolveu ações durante a Missão Calebe. Segundo dados da Prefeitura Municipal, o município abriga cerca de 10 mil imigrantes, dos quais aproximadamente 7 mil são venezuelanos, o que representa cerca de 9,1% da população local.

Diante desse contexto, a equipe da igreja não apenas organizou atividades da Missão Calebe, como também promoveu a Jornada de Salud y Orientación Migratoria (Feira de Saúde e Orientação Migratória), voltada à comunidade hispana. A iniciativa ofereceu orientações sobre saúde, documentação, mercado de trabalho e bem-estar, além de ações de apoio social e espiritual.

Para Angélica Webber, líder do Ministério Jovem da igreja adventista Central de Erechim e coordenadora da iniciativa, foi apenas o ponto de partida. “Foi só o começo. Usamos a feira como um início, e agora continuamos a cada 15 dias com os cultos em espanhol”, explica.

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Angélica, com lenço amarelo e camiseta Calebe, e sua mãe, Suzana, durante o culto (Foto: divulgação)

Ações de continuidade

Um dos aspectos destacados da Missão Calebe em Erechim é a continuidade das ações junto à comunidade venezuelana. A cada quinze dias, imigrantes são convidados para cultos em espanhol, com louvores, orações e mensagens em sua língua materna, iniciativa que busca facilitar a integração e o acolhimento cultural.

Além disso, a equipe local planeja momentos interculturais com o objetivo de aproximar brasileiros e venezuelanos por meio da culinária, do diálogo e do convívio comunitário. Entre as propostas em fase de organização está a oferta de aulas gratuitas de português, iniciativa motivada por uma demanda apresentada pelos próprios imigrantes.

Segundo Fábio Martinelli, pastor da igreja adventista Central de Erechim, a participação da própria comunidade hispana tem sido fundamental para orientar as ações desenvolvidas. “Nós temos uma comunidade hispana dentro da nossa igreja que nos ajuda a entender as dificuldades dos venezuelanos que chegam. São eles mesmos que identificam o que precisam. Não é apenas fazer algo para as pessoas, é descobrir com elas o que elas precisam e ajudar. Esse é o papel da Igreja", afirma.

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Equipe da Caravana Celebe se prepara para sair às ruas e entregar panfletos (Foto: divulgação)

Idioma materno e pertencimento

Para a jovem venezuelana Rutmarys Del Carmen Brito, participante do projeto, o acolhimento em seu idioma materno foi profundamente significativo. Ela relembra a emoção de uma amiga ao ouvir louvores em espanhol. “Quando estávamos cantando, ela me disse que se sentiu como se estivesse na Venezuela. Foi um momento muito especial ”, relata.

Sobretudo, Rutmarys também percebeu o impacto no semblante de seus conterrâneos. “Quando ouviram a música em sua língua, seus rostos se iluminaram. Eles cantavam com alegria e sentiam a presença de Deus. Foi muito bonito de ver ”, conta.

Para ela, o acolhimento vai além do aspecto emocional. “Quando chegamos a um novo país, nos sentimos sozinhos e perdidos. Saber que um grupo de jovens pensou em nós, nas nossas necessidades e na nossa realidade foi muito acolhedor”, afirma.

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Rutmarys e seu amigo Narmit, durante programação dos Calebes (Foto: divulgação)

Serviço e gratidão

A trajetória de Aliesson Orlando Pinango exemplifica os efeitos de um trabalho contínuo. Ele chegou ao Brasil em dezembro de 2022, após permanecer 11 meses na fronteira, em Roraima, onde recebeu apoio da igreja adventista por meio de orientações e informações iniciais. Atualmente, atua como voluntário no mesmo projeto.

Aliesson ressalta a diferença entre ajuda pontual e acompanhamento permanente: “Quando alguém ajuda e depois se esquece, aquela ajuda acaba ali. Mas quando permanecem ao nosso lado, mandam mensagens e continuam presentes, isso faz toda a diferença”, fala.

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Aliesson e suas amigas venezuelanas, Rosmeli e Ana Cecília (na ordem) assistem ao culto (Foto: divulgação)

Uma nova família

Na cultura venezuelana, a família ocupa lugar central, e esse valor tem orientado as ações desenvolvidas no projeto. “Aqui somos como uma família. As pessoas se sentem acolhidas e pertencentes. Estamos muito felizes com isso”, relata Rutmarys. Aliesson reforça a percepção ao destacar que as atividades contribuem para a construção de vínculos. “Essas atividades têm me ajudado a manter laços de amizade e união com a comunidade”, afirma.

A experiência em Erechim também aponta para uma ampliação do alcance da Missão Calebe no município. Embora a mobilização ocorra tradicionalmente durante o período de férias, a proposta local prevê o aprofundamento das ações ao longo do ano, com iniciativas contínuas voltadas à integração comunitária.

Para Giliard Ferreira, líder do Ministério Jovem na região, a Missão Calebe tem como propósito principal o convite à fé cristã. “Mais do que ações sociais, sua essência é a proclamação de Jesus”, destaca. Em Erechim, esse trabalho se desenvolve por meio da presença constante, do diálogo e do serviço à comunidade.

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Casal exibe panfleto entregue à comunidade venezuelana durante a feira de saúde (Foto: divulgação)

Mensagem de esperança

Para Rutmarys, a mensagem final do projeto é o convite à aproximação e ao acolhimento. “Não tenham medo de se aproximar. Aqui também é um lar. Muitos não queriam sair do seu país, mas foram forçados pelas circunstâncias. Eles deixaram para trás família, amigos e histórias. Queremos que sintam acolhimento e que aqui também tenham uma família”, relata.

A experiência da Missão Calebe em Erechim reflete o propósito do projeto de promover acolhimento, continuidade e fé como parte de ações voltadas à integração de pessoas que recomeçam a vida longe de casa. As iniciativas desenvolvidas no município têm como base o envolvimento contínuo de voluntários em atividades de apoio comunitário e convivência social.