Missão Amazônia: Serviço e Esperança às margens do Rio Negro
Voluntários da Associação Planalto Central dedicam 11 dias a ações sociais e evangelísticas na Comunidade de São Sebastião, na Amazônia.

Em junho, 25 voluntários da Associação Planalto Central (APlaC) participaram da “Missão Amazônia”. A equipe foi composta por dois administradores, três departamentais, treze servidores, três pastores escolares e cinco membros da igreja. A missão foi realizada em parceria com o Instituto de Missões Noroeste.
Após quatro horas de voo e sete horas de barco a partir de Manaus, os missionários da APlaC chegaram à Comunidade de São Sebastião, localizadas às margens de um dos afluentes do Rio Negro.
Durante os nove dias de atuação, o barco tornou-se o lar da equipe, servindo como espaço para banho, alimentação e descanso – sempre em redes. “Durante esses nove dias de missão, nossa casa foi o barco”, relatou Regerson Molitor, Secretário Executivo e líder do Serviço Voluntário Adventista (SVA) na APlaC.
Rotina Missionária

O dia dos voluntários começava às 6 horas da manhã com cuidados pessoais, seguidos por um culto matinal e desjejum no barco. Em seguida, realizavam uma reunião de alinhamento com instruções sobre as atividades do dia.
As ações realizadas na Comunidade de São Sebastião incluíram:
1. Ajuda no processo de construção da igreja Adventista na Comunidade de São Sebastião;
2. Oficina de artesanato, crochê, palestra sobre saúde - para mulheres da comunidade;
3. Escola Cristã de Férias - para crianças;
4. Visitação domiciliar para conhecer e convidar as famílias para o evangelismo
5. Evangelismo noturno para crianças e adultos

O almoço era servido no barco ao meio-dia, e às 14h os missionários retornavam à comunidade para as atividades da tarde, que se encerravam por volta das 16h30, quando os voluntários se dirigiam para o barco para o banho e o jantar. Às 18h30, saíam para o evangelismo, que começava às 19h. As reuniões com adultos eram realizadas em um barracão cedido pela comunidade para momentos de partilha da Palavra e comunhão. O pastor Regerson detalha como era o ambiente: “Não era fechado, tinha uma cerca em volta e um contrapiso, o evangelismo era feito ali”.
De igual modo, o evangelismo infantil, foi realizado em um estabelecimento particular cedido para esta finalidade.
Às 20h30 o evangelismo acabava e todos os missionários retornavam para o barco. Eles aproveitavam a oportunidade para conversar, compartilhar as experiências do dia e confraternizar um pouco. Às 22 horas era dado o toque de recolher e todos iam para as suas redes dormir. No outro dia recomeçavam as atividades.
Realidade local e impacto
A Comunidade de São Sebastião vive de forma simples. A rotina e o estilo de vida dos moradores despertaram nos voluntários reflexões sobre a possibilidade de uma existência mais tranquila.
Apesar disso, eles também ouviram diversos relatos tristes de pais que perderam seus filhos para o vício no álcool ou nas drogas: “nós conhecemos várias histórias de famílias que perderam filhos para droga, outros foram assassinados...”. relatou o pastor Regerson, que também explicou a importância do trabalho realizado pelos missionários naquela comunidade: “A igreja chega para ajudar a recuperar a comunidade dessas situações ruins. Os Adventista já estão trabalhando há pelo menos três anos na Comunidade São Sebastião ajudado a melhorar a qualidade de vida e compartilhando a mensagem de esperança”.
Frutos da missão

A duração total da missão foi de 11 dias: dois dedicados para o deslocamento e nove para a atuação direta na comunidade. Durante o período, várias pessoas aceitaram o convite para estudar a Bíblia. Os voluntários faziam visitas durante o dia e evangelizavam à noite.
Durante o evangelismo, a Bíblia era aberta e as boas novas do Evangelho eram apresentadas. Mas o trabalho não se encerra com o fim da missão: “uma dupla missionária, Erivan e sua esposa Jeruza, que vieram para morar na comunidade há dois anos, e neste período conheceu e se aproximou das pessoas, ganhou a confiança da comunidade, permanece, e assim vão abrindo a Palavra e dando estudos bíblicos para os novos interessados e fortalecendo a fé dos novos conversos”, contou o pastor Regerson.
Antes da chegada dessa equipe de missionários a essa comunidade, já haviam sido batizadas 38 pessoas. O objetivo da missão atual foi estabelecer uma classe bíblica permanente.
Dificuldades enfrentadas

A benção do Senhor acompanhou os participantes da missão, e nenhuma ocorrência grave foi registrada, embora tenham enfrentado alguns desafios. O principal deles foi a questão do banho: 30 pessoas, incluindo a tribulação do barco, precisavam dividir apenas três banheiros, o que exigia organização e paciência. Outro desafio foi o clima quente e úmido da Amazônia, bastante diferente do clima seco ao qual os brasilienses estão acostumados.
A recomendação era manter-se constante hidratado para evitar casos de desidratação. A presença da missionária e enfermeira Sueli foi essencial, oferecendo orientações aos voluntários com base em sua experiência na área da saúde.
Todos retornaram saudáveis, enriquecidos pela experiência vivida e gratos por terem servido e aprendido junto à Comunidade de São Sebastião.
Compartilhando princípios

Vagner e Pedro são irmãos, filhos do pescador Manoel, e vivem na Comunidade de São Sebastião. Desde pequenos, aprenderam com o pai que o sábado é o dia do Senhor - um ensinamento transmitido por seu avô, o cearense Antônio de Melo.
Mesmo sem conhecer ou frequentar uma Igreja Adventista, o senhor Antônio estudava a Bíblia por conta própria e, com base em suas leituras, chegou a conclusão: “Hoje é sábado, não é dia de trabalhar”, costumava dizer. Curiosamente, a pesca de domingo, realizada após o descanso sabático, era sempre a mais farta da semana: “Era uma bênção de Deus para ele saber que no sábado não era para trabalhar”, lembra Pedro.
Atualmente, Vagner trabalha construindo barcos e batelões, ele afirma que esse princípio continua presente em sua vida: “Por exemplo, a gente gostava de colher açaí, ele orientava a tirar na sexta, para podermos tomar o suco no sábado. A vida inteira foi assim, e até hoje é assim. Depois que a gente conheceu a Igreja Adventista, os pastores começaram a ler a Bíblia e explicar melhor para a gente”
Pedro também destacou o papel decisivo que o sábado teve em sua jornada espiritual: “O mandamento do sábado foi determinante para a escolha da religião”.
