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Maranata São Paulo encerra edição histórica com chamado à missão

Encontro reuniu mais de 8,5 mil participantes durante quatro dias de adoração, aprendizado, serviço e preparo para a volta de Jesus.


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Lideranças adventistas e participantes celebram a mobilização missionária durante o Maranata São Paulo (Foto: Edimilson Modesto).

Por quatro dias, a cidade de Engenheiro Coelho ganhou quase metade de sua população em novos moradores. Mais de 8,5 mil jovens, líderes e voluntários ocuparam o campus do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP) com barracas, malas, instrumentos musicais e uma agenda de atividades para o dia inteiro. Entre os dias 9 e 12 de julho, o local recebeu o Maranata São Paulo, encontro que a Igreja Adventista do Sétimo Dia realizou para jovens de diferentes regiões do estado. A programação reuniu momentos espirituais, workshops, atividades esportivas, concursos, apresentações musicais, ações sociais e projetos ligados à missão e ao voluntariado.

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Cidade temporária

A dimensão do público exigiu uma estrutura semelhante à de uma cidade temporária. O campus recebeu áreas de camping, disponibilizou alojamentos, pontos de alimentação, banheiros, atendimento médico, controle de acesso e uma arena para as principais reuniões. “Engenheiro Coelho tem cerca de 19 mil habitantes, e nós estamos com aproximadamente 9 mil pessoas no Maranata São Paulo. A complexidade de montar uma estrutura de banheiros, acessos e uma arena para os programas principais é muito grande”, explica o pastor Cândido Gomes, diretor dos jovens adventistas do estado de São Paulo e organizador do evento.

Cândido Gomes, organizador do Maranata São Paulo, destaca o papel do encontro na formação de líderes e no envolvimento dos jovens com a missão (Foto: Thiago Spalato).

Cândido afirma que planejou a estrutura do evento para que os participantes pudessem voltar às suas cidades de origem dispostos a assumir novas responsabilidades. “Queremos devolver esses jovens para a Igreja e para o mundo. Que eles saiam daqui com uma semente que vai florescer na igreja local, na faculdade e na comunidade. Queremos devolver líderes para a Igreja e missionários para o mundo”, afirma o líder.

Programação

A movimentação começou na quinta-feira, 9, com a chegada das caravanas. Parte dos participantes ficou nos residenciais universitários, enquanto outra ocupou as áreas destinadas ao acampamento.

Na cerimônia de abertura, o público acompanhou o musical Redenção, uma produção que combinou música, teatro e recursos audiovisuais para apresentar o plano bíblico da salvação. Os jovens também receberam uma edição especial do livro História da Redenção, de Ellen White.

Na sexta-feira e no sábado, as atividades foram distribuídas por diferentes áreas do campus. Os workshops abordaram assuntos como liderança, estudo da Bíblia, missão, comunicação, vocação e saúde emocional.

Nos estandes, instituições e departamentos da Igreja apresentaram oportunidades de voluntariado, formação e participação em projetos missionários. Os jovens também acompanharam o Maranata Games e concursos como Bom de Bíblia, Voz Jovem e Celebra São Paulo, além de se inscreverem para o Maranata Run, com uma corrida agendada para às 6h da manhã deste domingo, 12.

Chuva, vento e frio não atrapalharam a corrida dos mais de 800 inscritos no Maranata Run (Foto: Thiago Spalato).

As principais reuniões ocorreram na arena, com mensagens bíblicas, momentos de louvor e apresentações musicais. A programação foi encerrada neste domingo, com um culto de envio dos participantes às igrejas locais.

Missão, relacionamento, nutrição e templo

O conteúdo do encontro foi organizado a partir do MRNT, plano de discipulado do Ministério Jovem Adventista na América do Sul. A sigla representa quatro áreas: Missão, Relacionamento, Nutrição e Templo.

De acordo com Cândido Gomes, os conceitos estiveram presentes em diferentes momentos do evento. “O MRNT foi vivenciado nos jogos, nos estandes, no álbum musical, nas mensagens espirituais e em todas as áreas da programação. Tudo o que aconteceu aqui teve um propósito bem claro”, ressalta.

O pastor Stanley Arco, presidente da Igreja Adventista para oito países da América do Sul, afirma que a presença de milhares de participantes também reflete o trabalho desenvolvido nas congregações durante o ano. “Quando vemos uma resposta dos jovens de todo um estado para participar de um evento como este, vemos uma Igreja viva. É na igreja local que realmente acontece a nutrição espiritual de cada jovem”, declara.

Para Stanley, a participação das novas gerações não deve ser vista apenas como preparação para o futuro. “O jovem tem participação importante não amanhã, mas hoje. Ele é líder hoje e está comprometido hoje. As novas gerações fazem parte das prioridades estratégicas da Igreja na América do Sul”, destaca ele.

Líderes que passaram pelo Ministério Jovem da União Central Brasileira se reúnem durante o Maranata São Paulo (Foto: Thiago Spalato).

O encontro também reuniu líderes que passaram pelo Ministério Jovem da União Central Brasileira em diferentes períodos. Somados, os anos de atuação representados pelo grupo chegam a 103 anos de trabalho dedicado à juventude adventista paulista.

Continuidade nas igrejas

Entre os participantes estava Marcos Vinícius Matos Oliveira, de 24 anos, que participa do Ministério Jovem desde os 16. Entre as diferentes atividades, ele destaca os conteúdos relacionados à missão. “Todas as pregações foram muito boas, assim como os momentos de louvor, mas o que eu levo comigo é o aprendizado sobre missão, tanto nos estandes quanto nas palestras e nos workshops”, conta.

Marcos afirma que deseja usar as próprias habilidades para apresentar o evangelho a outras pessoas. O primeiro passo, segundo ele, pode acontecer perto de casa. “Podemos começar localmente, dando estudo bíblico para um amigo ou participando dos projetos que já existem. Missão pode acontecer em qualquer lugar. É levar um pouco do amor de Deus para outras pessoas. Por isso, quero ver uma pessoa sendo batizada e saber que fui um instrumento para que ela chegasse até esse momento”, afirma.

Liderança na igreja local

Anne Carolina Barbosa mora em Barretos e participa da liderança jovem há dois anos. Ela atua em uma igreja com poucos jovens e procurou no evento ideias para fortalecer o grupo. “As gerações mudam, e precisamos aprender a trabalhar com os adolescentes e jovens que estão chegando à igreja. Quando participamos de um evento como o Maranata São Paulo, conhecemos novas formas de motivá-los e de despertar o interesse deles pela Bíblia”, relata.

Entre as mensagens apresentadas, Anne destaca uma frase que ouviu durante um dos sermões. “Deus não espera, muitas vezes, que a gente seja forte, mas espera que a gente confie. Isso fortalece a nossa vida espiritual e a nossa fé”, relembra.

Após o batismo, participante recebe um abraço durante um dos momentos de decisão espiritual do Maranata São Paulo (Foto: Edimilson Modesto).

Depois do encontro, ela pretende promover estudos mais aprofundados da Bíblia, organizar visitas e se aproximar de jovens que deixaram de frequentar a igreja. Anne também relaciona sua forma de liderar à experiência que teve ao chegar à congregação. “Quando entrei na igreja, fui influenciada por pessoas que estavam na liderança. Espero também ser esse tipo de pessoa para os jovens, para que, por meio da minha influência, eles possam enxergar Cristo”, afirma.

Volta de Jesus

A volta de Jesus foi um dos principais assuntos das reuniões espirituais. Durante a programação, o pastor e evangelista Alejandro Bullón, que foi diretor de jovens adventistas por 18 anos, falou sobre a relação entre a espera e o envolvimento da missão. “Deus poderia anunciar o evangelho ao mundo inteiro em um segundo. Mas Ele nos deu a missão porque precisamos nos comprometer com ela para crescer espiritualmente. Pregar o evangelho é crescer, e esse crescimento é o melhor preparo para o encontro com Jesus”, declara.

Bullón também destacou o papel dos jovens no trabalho da Igreja. “A juventude é a força da Igreja. É ela que precisa assumir as rédeas e participar da conclusão da pregação do evangelho”, destaca.

Expectativa para o retorno

O pastor Maurício Lima, presidente da Igreja Adventista para o estado de São Paulo, afirma que o envolvimento dos participantes surpreendeu positivamente a liderança. “Não é sempre que conseguimos reunir um grupo tão expressivo, com mais de oito mil jovens participando dos cultos e do louvor dessa maneira. Por isso, esperamos que aquilo que foi apresentado sobre comunhão com Deus, missão e participação nas atividades da Igreja produza frutos nos locais para onde eles voltarão”, sugere.

Ações sociais ocorreram no centro da cidade de Campinas, com cerca de 60 voluntários (Foto: Jatir Bernardo).

Além das atividades realizadas no campus, grupos participaram de ações sociais em Campinas e região. Entre elas, visitas a casas de repouso e outras iniciativas comunitárias. O evento também teve intérpretes de Libras e uma Sala da Calma, destinada a participantes que precisavam de apoio emocional ou um ambiente com menos estímulos.

Próxima edição

A palavra “Maranata”, de origem aramaica, pode ser traduzida como “O Senhor vem” ou “Vem, Senhor”. Durante o encontro, a expressão esteve associada ao preparo espiritual e ao envolvimento dos jovens com a Igreja e com a comunidade.

Os organizadores já trabalham com a possibilidade de realizar uma nova edição do Maranata São Paulo nos próximos cinco anos.

Até lá, a expectativa é que o encontro continue nas iniciativas desenvolvidas por seus participantes. Não mais nos palcos ou nas áreas de camping, mas nas igrejas, universidades, locais de trabalho e comunidades para onde os jovens retornaram.

No final do evento, jovens receberam uma Bíblia e uma edição do livro História da Redenção, ambos personalizados com a identidade do Maranata São Paulo (Foto: Thiago Spalato).