Mais de quatro décadas de trabalho marcam o ministério e liderança do pastor Marlinton Lopes
Reconhecimento foi feito durante Concílio Quinquenal da sede sul-americana da Igreja Adventista

O pastor Marlinton Souza Lopes, que desde 2010 preside a Igreja Adventista do Sétimo Dia no Sul do Brasil, foi homenageado durante o Concílio Quinquenal da sede sul-americana da denominação, em Brasília. O reconhecimento celebra mais de quatro décadas de ministério e liderança dedicadas à missão da Igreja, período em que conduziu projetos, inspirou equipes e consolidou um legado de discipulado e serviço.
Nascido em 1962, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Lopes formou-se em Teologia pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP) em 1983, instituição onde também concluiu o mestrado na mesma área. Serviu como pastor distrital e diretor do Ministério Jovem na Associação Sul-Catarinense (ASC) entre 1984 e 1990. De 1991 a 2005 atuou como diretor do Ministério Jovem, secretário e presidente da Associação Sul do Rio Grande do Sul (ASRS).
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Depois, foi eleito presidente da Igreja Adventista na região Norte do Brasil, na União Norte Brasileira (UNB), onde esteve de 2006 a 2009. Desde 2010 lidera a Igreja Adventista nos três estados do Sul, por meio da União Sul-Brasileira (USB). É casado com Denise Muckenberger Lopes, com quem tem dois filhos: Denisson e Wellington; e um neto, Kael, de um ano de idade.

Um chamado de toda a vida
Desde a infância, Lopes demonstrava clareza sobre o propósito de servir à Igreja. Os irmãos recordam que ele nunca pensou em outra possibilidade e que, ainda pequeno, quando mal sabia falar, dizia que queria ser “pator”. Com o passar dos anos, essa convicção se manteve firme — algo que, segundo a esposa, Denise Lopes, sempre marcou sua trajetória ministerial, revelando um chamado que se fortaleceu ao longo do tempo e nunca abriu espaço para planos alternativos.
O filho Wellington diz sentir orgulho ao ver o exemplo dos pais. “Tenho muita admiração por eles, porque sempre superaram desafios pessoais e foram excelentes no que fazem. Isso gera um sentimento de orgulho e também de responsabilidade, pois o exemplo deles inspira a fazer sempre o melhor”, afirmou.
Já o filho Denisson, recorda que o pai e a mãe sempre colocaram a família e a vida espiritual em primeiro lugar. Segundo ele, o casal nunca mediu esforços para fazer o bem e ensinar os filhos a viverem com propósito e fé.

Ênfase no discipulado
Sob a liderança de Marlinton Lopes, a Igreja Adventista no Sul do Brasil viveu um período de forte mobilização missionária, orientada pelo texto de Mateus 28:19-20, que inspira o lema “Cada Um Salvando Um”. Essa visão, implementada e fortalecida por ele, destaca o discipulado como essência da pregação do evangelho, uma igreja que evangeliza, acolhe, batiza e ensina, formando novos discípulos que continuam o ciclo da pregação do evangelho.
A conhecida “Roda do Discipulado”, tantas vezes enfatizada pelos fiéis em sermões, congressos e treinamentos, sintetiza essa filosofia. Com os eixos Comunhão e Missão (Ide), Estudo Bíblico (Fazei discípulos), Batismo e Ensino (Cuidado e envio pós-batismo), tornou-se símbolo de um movimento espiritual que alcançou todo o território sulista e moldou o foco missionário das igrejas locais.
Reconhecimentos
O pastor Evandro Fávaro, atual diretor regional do Seminário Latino-Americano de Teologia (Salt) do UNASP, recorda o tempo em que trabalhou ao lado de Marlinton Lopes na União Sul-Brasileira, onde atuou como diretor de departamentos e, posteriormente, como secretário-executivo. Ele relembra que o que mais o marcou foi o desejo de Marlinton em acertar, sua paixão pela missão e o amor pela Igreja e pela pregação do evangelho, características que influenciaram profundamente os colegas e o ambiente ministerial da região Sul.
O pastor Charles Rampanelli, que também serviu como secretário-executivo da Igreja Adventista no Sul do Brasil durante a gestão de Marlinton, relembra: “O que mais me marcou nessa convivência foi a paciência que ele teve comigo. Sempre ensinou com calma, orientou com sabedoria e demonstrou disposição genuína em ajudar”, destacou
O presidente mundial da Igreja Adventista, pastor Erton Köhler, também expressou reconhecimento pelo legado deixado. “Sempre admirei e reconheci sua liderança, sua capacidade, sua inteligência e seu talento. Quero agradecer muito por tudo o que fez pela Igreja e pela missão”, enfatizou com gratidão.
Legado de fé e caráter
Quem conviveu com ele, entre familiares, amigos e colegas de ministério, destaca sua humildade, comprometimento e excelência em seus sermões. É descrito como um líder que consegue ser firme e gentil ao mesmo tempo; alguém que une convicção e flexibilidade e que mantém um espírito paciente e nobre mesmo diante de grandes responsabilidades.
Entre as frases que marcaram seu ministério estão ensinamentos que refletem seu modo de pensar e liderar:
“Não há Canaã sem passar pelo deserto.”
“Não há coroa sem cruz.”
“Não basta ser honesto, é preciso também parecer honesto.”
“Somos indispensáveis, mas não suficientes.”
“Inspirar no coletivo e corrigir no particular.”
“Não estamos reunidos aqui para descobrir a vontade da maioria, mas para buscar a vontade de Deus.”
Durante a reunião realizada em Brasília, o pastor Hiram Kalbermatter, presidente da Igreja Adventista para o Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, destacou que "sua liderança está espalhada pelo mundo. Sua paixão pela Igreja, por Cristo e pela pregação do evangelho, estão espalhados pela vida de muitos líderes."
Encerramento de um ciclo, continuidade da missão
Embora a homenagem tenha ocorrido durante o Concílio Quinquenal da Divisão Sul-Americana, a sede sul-americana adventista, a transição oficial na liderança da Igreja Adventista no Sul do Brasil acontecerá durante a Assembleia Ordinária Quinquenal da União Sul-Brasileira, marcada para os dias 23 e 24 de novembro, na região metropolitana de Curitiba.

Nesse encontro será nomeado o novo presidente da Igreja para o território sulista e, ao mesmo tempo, será oficializada a jubilação pública do pastor Marlinton - momento em que sua aposentadoria ministerial será celebrada de forma solene diante dos delegados, familiares e líderes da região Sul e sul-americanos.
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