Encontro de líderes, advogados e juristas aborda liberdade religiosa e política
Realizado na zona leste de São Paulo, evento destacou direitos, deveres e princípios da Igreja Adventista sobre liberdade de crença e participação política

Cerca de dois terços da humanidade convivem com graves violações da liberdade religiosa. No Brasil, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o Disque 100 — canal oficial de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) — registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa.
A Constituição Brasileira garante a liberdade de crença e condena qualquer tipo de discriminação por religião, raça ou nacionalidade. No estado de São Paulo, a Lei 17.346, em vigor desde 2021, assegura a livre manifestação de crença, promove o combate à intolerância por meio de ações educativas e reforça a laicidade do Estado.
Leia também:
Preservar esse direito é uma responsabilidade de todos. Diante desse cenário, no último domingo, 24 de maio, cerca de 50 advogados, juristas e líderes de liberdade religiosa participaram de um encontro sobre o tema, na região leste de São Paulo.
“O objetivo desse programa foi instruir os nossos líderes, advogados e membros em relação aos direitos que nós temos e como conquistá-los perante a sociedade. Não é com força, mas com delicadeza, com jeito”, explica Jefferson Sant’Anna, líder de Liberdade Religiosa para as regiões leste e norte de São Paulo.
Além dos direitos, os participantes também receberam orientações sobre deveres e boas práticas relacionadas à liberdade religiosa. “Abordamos também os nossos deveres como cristãos e Adventistas do Sétimo Dia: respeitar a individualidade e o direito de crença de todos, assim como defendemos o direito de guardar o sábado”, ressalta Sant’Anna.
O tema chamou a atenção da participante Kamila Mourão, advogada, que destacou a importância da reciprocidade quando o assunto é liberdade religiosa, especialmente no contexto brasileiro.
“Ninguém sai na rua e fala: ‘Olha, ele é adventista, vou atrapalhar ele...’. Mas, quando no ambiente de trabalho ou escolar você respeita [e guarda] o sábado e isso impacta a rotina de outra pessoa, geralmente ela não vê com bons olhos o fato de você exercer esse direito”, relata.




Adventistas e a Política
O encontro também enfatizou o cuidado necessário ao tratar questões ideológicas, principalmente em períodos eleitorais. O grupo recebeu orientações sobre documentos com as diretrizes oficiais da Igreja Adventista relacionados ao tema.
“Levando em consideração o ano político, nós também instruímos os participantes sobre o posicionamento da igreja em relação a política, exercendo seu direito de voto, porém, não levantando bandeiras de partidos. A igreja sendo apartidária”, explica Sant’Anna.
Segundo os documentos, existem princípios fundamentais que orientam a posição da Igreja em relação ao ambiente político. Entre eles está a laicidade do estado – a separação entre igreja e estado – permitindo que cada instituição cumpra suas funções sem interferir na outra.
“Precisamos reforçar a importância de vivermos nossa fé com liberdade. Como cristãos, entendemos o peso das escolhas políticas e o impacto que nossos representantes têm no país. Mas a igreja, enquanto instituição religiosa, deve sempre agir com cautela, preservando seu foco na missão espiritual e evitando que disputas partidárias contaminem aquilo que é sagrado”, explica Glauco Ferretti, advogado geral da Associação Paulista Leste.
A Igreja Adventista defende a liberdade religiosa para todas as pessoas, independentemente de suas convicções. Liberdade religiosa é respeito: respeitar o direito de escolha de cada pessoa e contribuir para a construção de uma sociedade onde a fé possa ser vivida sem medo.