Jovem é batizada após jornada inusitada na Colportagem
Vitória Ferrari é batizada em Concílio de Publicações e sua história serve de inspiração para as pessoas presentes
Vitória Ferrari tinha oito anos quando sua irmã mais velha, Kerolen Ferrari, batizou na Igreja Adventista do Sétimo Dia. A família não recebeu bem essa decisão, e ela nunca imaginou que, uma década depois, seguiria o mesmo caminho. Nesta terça-feira, 18, Vitória tomou a decisão de se entregar a Jesus, durante o Concílio de Publicações da União Sudeste Brasileira (USeB) – sede administrativa da Igreja Adventista para Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
A jornada de Vitória na Colportagem começou indiretamente, através de sua outra irmã, Rayna Caroline Ferrari, que sentiu o desejo de estudar a Bíblia por conta própria. “Depois do batismo da minha irmã Karolen, algumas coisas não faziam sentido para mim, como a guarda do sábado. Senti que Deus estava me chamando para estudar a Bíblia”, relata Rayna.
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Um chamado surpresa
Enquanto buscava respostas, Rayna encontrou o programa Arena do Futuro no YouTube e decidiu procurar uma Igreja Adventista em sua cidade, Paulo Frontin, no Paraná. “Passei a frequentá-la, me apaixonei cada vez mais e, desde então, nunca mais me afastei”, afirma. Em 2019, ela foi batizada, enfrentando a mesma resistência familiar que sua irmã mais velha, mas manteve-se firme em sua fé.
Oito meses após seu batismo, surgiu a oportunidade de ingressar na Colportagem. “Eu queria dedicar meio ano a Deus, colocando em prática tudo o que aprendi nos estudos, guardar o sábado e fortalecer minha comunhão com Deus”, conta. Rayna fez um pacto: “eu só vou continuar colportando se eu me apaixonar por esse ministério”. Seu pedido aconteceu e, hoje, ela é categórica: “Sou completamente apaixonada pela Colportagem. Essa experiência transformou minha vida. Graças a ela, estou cursando Medicina Veterinária, posso viajar e suprir minhas necessidades financeiras”.
Colportagem como condição
Morando em Engenheiro Coelho (SP) e estudando no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), Rayna recebeu uma proposta de Vitória em outubro de 2024: que ela fosse morar com a irmã para buscar novas oportunidades. No entanto, Rayna estabeleceu uma condição. “Ela só poderia vir se colportasse pelo menos uma vez”, determinou.
Vitória aceitou o desafio, mas deixou claro que sua intenção não era estudar a Bíblia nem se batizar. No entanto, estava disposta a se empenhar no trabalho. “Fui para São Paulo ciente dos desafios, mas com a mente aberta para todas as possibilidades”, relembra.

Sua jornada na Colportagem começou em 24 de dezembro de 2024 e seguiu até 5 de fevereiro. Durante esse período, algo inesperado aconteceu. “Achei muito lindo esse ministério e entendi a importância que ele tem na vida da minha irmã”, explica. Mais do que um trabalho, a experiência lhe trouxe novas perspectivas. “A Colportagem me ensinou sobre o verdadeiro significado de família, que é Deus quem faz tudo”.
Batismo coroa Concílio de Publicações
Alandyson Cardoso liderou Vitória enquanto colportou em Pouso Alegre, Minas Gerais. De volta a Engenheiro Coelho, passou a estudar a Bíblia com ele. Dois meses depois, decidiu dar o mesmo passo que suas irmãs e se entregar a Jesus pelo batismo. “O Alandyson me ensinou a orar e, o mais importante, me fez sentir confortável com tudo sobre a igreja e a Colportagem”, conta.
A nova decisão, contudo, ainda enfrenta resistência familiar, mas Vitória está certa de que fez a melhor escolha. “Jesus, por meio da Colportagem, preencheu um vazio que existia em mim. Percebi que posso ter uma vida muito mais saudável e com qualidade física, mental e espiritual”, declara.

A história de Vitória é incomum, mas faz parte de um plano maior, como explica o pastor Fabiano Andrade, Diretor de Publicações para RJ, MG e ES. “Em via regra, apenas membros adventistas colportam, mas entendemos o contexto e ela foi muito bem acompanhada. Hoje, está transformada”, enfatiza.
Josenildo Vilas Boas Santos, colportor há 17 anos em Governador Valadares (MG), assistiu ao batismo de Vitória e definiu o momento como “poder de Deus na íntegra”. Ele ainda reforça. “A gente vê Deus agindo e mostrando para cada um de nós que a Colportagem foi instituída por Ele. Realmente, só precisamos crer, porque a realidade se confirma quando um testemunho como esse acontece”.
Agora, Vitória tem novos sonhos. Seu próximo passo é cursar Psicologia em uma faculdade adventista e, quem sabe, um dia ver seus pais tomarem a mesma decisão que mudou sua vida.