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Missão

Igreja implementa Ministério de Capelania para fortalecer atendimentos fora dos templos locais

Departamento contempla assistência espiritual em locais como escolas, hospitais, prisões e quartéis


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Capelães levam apoio espiritual a ambientes como hospitais, oferecendo acolhimento e cuidado em momentos de vulnerabilidade (Foto: Shutterstock)

O cuidado espiritual nem sempre acontece dentro de uma igreja. Em situações específicas, ele se torna essencial justamente em ambientes como escolas, hospitais e prisões, onde muitas vezes as pessoas enfrentam momentos decisivos. E é buscando ampliar essa assistência que a sede sul-americana adventista oficializou o Ministério da Capelania. 

Apresentado aos delegados e convidados da Comissão Diretiva Plenária nesta segunda-feira, 4, a formalização do departamento fortalecerá iniciativas em andamento e a presença de pastores fora dos templos adventistas, com suporte estruturado para sua atuação em distintas áreas.  

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"A proposta é simples e profunda: levar o cuidado pastoral aonde as pessoas estão, especialmente quando elas mais precisam e não podem ir até um templo. O departamento existe para que esse chamado especializado tenha estrutura, padrão profissional, endosso eclesiástico e suporte denominacional", sublinha o pastor Otávio Barreto, que na mesma reunião foi eleito diretor do Ministério de Capelania para oito países da América do Sul.  

Mesmo com a nova função, ele continua como secretário ministerial associado para o território. Veja sua biografia abaixo: 

Nascido no Recife, Pernambuco, é graduado e mestre em Teologia pelo Centro Universitário Adventista de Ensino do Nordeste (Uniaene). Possui também MBA em Administração de Empresas, especialização em Terceiro Setor e MBA em Liderança e Gestão Estratégica de Pessoas pela FIA-SP. Atualmente, é doutorando em Teologia Pastoral pela Universidad Adventista del Plata, na Argentina.  

Antes de dedicar-se integralmente ao ministério pastoral, serviu como voluntário em diferentes países. Iniciou seu ministério em 2011, na Associação Pernambucana, território administrativo responsável pelo trabalho da Igreja em Pernambuco, onde exerceu as funções de pastor distrital e diretor do Ministério Pessoal durante oito anos.  

Em 2019, foi nomeado secretário-executivo da Associação Cearense e, posteriormente, eleito presidente da mesma instituição. Em novembro de 2022, assumiu a função de secretário-executivo e diretor de Comunicação da União Nordeste Brasileira, onde permaneceu até novembro de 2025, quando foi escolhido como secretário ministerial associado da sede sul-americana adventista. 

É casado com Cristiane, com quem tem duas filhas: Lara e Alice. 

Delegados da Comissão Diretiva Plenária votam nomeação do pastor Otávio Barreto para dirigir o departamento recém-criado (Foto: Gustavo Leighton)

Nesta entrevista, Barreto detalha como será o funcionamento do Ministério de Capelania e de que maneira a Igreja espera alcançar mais pessoas em diferentes frentes de atuação com o apoio dos aproximadamente 600 capelães ativos na América do Sul. Esse número deverá crescer ao longo dos próximos anos para apoiar ainda mais a missão da Igreja.  

Qual a importância da criação do departamento do Ministério de Capelania no território sul-americano? 

A América do Sul abriga uma das maiores redes adventistas de educação, saúde e mídia do mundo. Apesar disso, até então não tinha um departamento de Capelania oficializado. O trabalho existia, e existia com muita qualidade, mas estava diluído em iniciativas isoladas. 

A criação do departamento muda esse cenário em três dimensões. Primeiro, alinha a Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista ao que já é prática consolidada na Associação Geral [sede mundial adventista] e nas demais Divisões. Segundo, dá aos capelães um endereço institucional, regras claras, treinamento estruturado e endosso eclesiástico reconhecido. Terceiro, abre portas inéditas para uma missão coordenada em diversos setores da sociedade. 

O funcionamento desse ministério será similar ao que já ocorre em outras regiões do mundo? 

O funcionamento será semelhante em sua arquitetura. Em todas as regiões, o departamento cumpre as mesmas funções essenciais: estabelecer normas, conceder endosso eclesiástico, supervisionar treinamento profissional, certificar capelães e oferecer suporte contínuo. O que muda é a aplicação local. Cada Divisão adapta os padrões da Associação Geral às realidades culturais, legais e institucionais do seu território. Aqui seguiremos esse mesmo modelo, com sensibilidade às particularidades sul-americanas e em diálogo direto com a estrutura mundial da Igreja. 

Qual sua relevância do ponto de vista de assistência espiritual? 

A capelania alcança pessoas em momentos que a assistência espiritual tradicional dificilmente alcança. Um pai sentado ao lado da UTI às três da manhã. Um adolescente ansioso na véspera de uma decisão difícil. Um detento na noite anterior à audiência. Um enfermeiro acumulando turnos durante uma crise sanitária. 

Essas pessoas não estão em condição de buscar uma igreja. Elas estão atravessando crise, dor, decisão, medo, luto. E é exatamente nesse instante que precisam de uma presença pastoral preparada, paciente e respeitosa. Aquilo que chamamos de ministério da presença. Estar junto. Ouvir antes de falar. Orar quando a oração é pedida. Encaminhar quando o caso exige outra ajuda. Assistência espiritual de capelania é cuidado integral em tempo real, no terreno onde a vida acontece, não na agenda pastoral. 

De que maneira ele será um apoio para os atuais capelães? 

O novo Ministério oferecerá apoio em várias frentes. Capacitação continuada, com programas reconhecidos. Endosso eclesiástico formal, que dá segurança institucional ao capelão e à instituição que o emprega. Encontros de treinamento. Materiais e publicações profissionais. Uma rede de pares para troca de experiências e supervisão. Em outras palavras, o capelão deixa de caminhar sozinho. Ele passa a integrar uma comunidade ministerial preparada, supervisionada e respaldada em cada decisão difícil que precisa tomar. 

O ministério também terá interface com outras iniciativas, como Clube de Desbravadores, por exemplo? 

Sim, e essa é uma das dimensões mais ricas do trabalho. A capelania não vive em silos. Ela conversa com Educação, Ministério Jovem, Saúde, Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), Associação Ministerial e com grupos voluntários, como os Doutores da Esperança no Brasil. 

No caso específico dos Desbravadores e Aventureiros, há um campo muito promissor de capelania. Pense em camporis com dezenas de milhares de jovens. Em acampamentos. Em treinamentos de liderança. São ambientes que demandam presença pastoral preparada, capaz de acolher histórias pessoais, lidar com situações de crise, oferecer aconselhamento e ministrar nos cultos. O mesmo se aplica a viagens missionárias, ações comunitárias, eventos esportivos e projetos sociais. O futuro do trabalho integrado da Igreja passa muito por esse tipo de cooperação intersetorial. 

Como esse trabalho se converte em uma porta de entrada para que pessoas em diferentes contextos conheçam sobre a Bíblia e a esperança em Jesus? 

Muito do que chamamos de evangelismo começa com confiança. E confiança se constrói no cuidado real. Quando um capelão acompanha um paciente terminal com presença e oração, quando ele orienta um casal em conflito dentro de uma empresa, quando ele apoia um aluno que perdeu um amigo, ele está fazendo aquilo que Cristo fez antes de pregar. Misturar-se com as pessoas, simpatizar, ministrar, conquistar confiança e então convidar a seguir. 

Esse ministério também tem uma dimensão missiológica. A Igreja Adventista nasceu com uma mensagem para "toda nação, tribo, língua e povo". Essa mensagem precisa alcançar pessoas que estão fora do alcance natural do ministério da igreja local. Pacientes terminais, detentos, militares em zonas de conflito, estudantes em campi seculares, profissionais em jornadas exaustivas. Não vamos alcançá-los apenas com cultos e séries evangelísticas. Vamos alcançá-los com presença pastoral preparada, no lugar onde eles estão, no tempo em que eles estão. 

A criação do Ministério de Capelania na Divisão Sul-Americana é, antes de tudo, uma decisão missionária. É a Igreja organizando sua presença para servir além dos muros. Isso é coerente com a história adventista, que sempre investiu em colégios, sanatórios e hospitais. E é coerente com a profecia de Apocalipse 14, que nos convoca a alcançar a humanidade inteira. Cada capelão que enviamos é uma extensão da Igreja em territórios que de outra forma permaneceriam invisíveis ao nosso ministério.  

Comissão Diretiva Plenária 

A Comissão Diretiva Plenária, realizada no primeiro semestre é composta por delegados da Igreja Adventista do Sétimo Dia de oito países da América do Sul, aprova projetos que impactam diretamente os templos locais. Na edição deste ano, também se apresentam relatórios de diferentes áreas que contribuem com a missão da Igreja. Para conhecer a estrutura administrativa da denominação, clique aqui


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