Projeto 'Conversa de Garota e Fala aí Garoto' discute identidade e propósito com adolescentes
Iniciativa chega pela primeira vez ao Sul do Espírito Santo e promove um espaço de reflexão sobre temas importantes da adolescência.

Cerca de 200 adolescentes participaram, no último sábado (11), do projeto 'Conversa de Garota e Fala aí Garoto', realizado no Colégio Adventista de Cariacica (CAC). O encontro foi promovido pelo Ministério da Criança e do Adolescente (MCA) da Associação Sul Espírito Santense (ASES) e discutiu temas ligados à identidade e ao propósito na fase da adolescência.
Essa foi a primeira vez que o projeto foi realizado no Sul do Espírito Santo. Segundo a professora Marcela Borges, responsável pelo MCA da ASES e organizadora do encontro, a iniciativa é uma resposta prática às necessidades que os adolescentes vivem hoje. “Eles enfrentam pressões relacionadas às redes sociais, comparação, sexualidade, identidade, relacionamentos e expectativas sobre o futuro. Muitos não encontram um ambiente sem julgamento e seguro para falar sobre essas questões”, afirma.

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O Projeto
A iniciativa foi criada para adolescentes entre 13 e 17 anos. Nessa fase, ocorrem mudanças físicas, emocionais, cognitivas e sociais de forma simultânea. Diante dessa realidade, o principal objetivo do encontro é oferecer um espaço seguro de acolhimento onde os adolescentes possam tirar dúvidas que normalmente têm vergonha de expor em em casa, na escola ou entre amigos. Além disso, o projeto busca fortalecer a identidade dos adolescentes a partir de uma perspectiva cristã. O programa também trabalha temas como autoestima, sexualidade, caráter e responsabilidade.

(Foto: Matheus Amaral)

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A Programação
Pela manhã, a palestrante Maíra Mafra, educadora parental e criadora do projeto "Conversas de Garota", conduziu os primeiros momentos do encontro. Segundo ela, a iniciativa já existe há cinco anos e teve tanto sucesso que despertou o interesse da Divisão Sul-Americana (DSA), que passou a colaborar com a educadora na criação do "Fala Aí, Garoto", ampliando a proposta também para o público masculino.
Em suas palestras, Maíra abordou o tema identidade, além de discutir também as diferenças entre homem e mulher e o papel de cada um no namoro.
Segundo Maíra, vivemos uma crise mundial de identidade, e muitos adolescentes não sabem quem realmente são. "Quem não sabe quem é, pode se tornar qualquer coisa. Por isso, a igreja precisa participar ativamente dessa formação, já que hoje as redes sociais também preenchem essa lacuna, na maioria das vezes de forma negativa", afirmou a palestrante.
Em seguida, Priscila Silva, líder do MCA da União Sudeste Brasileira (USeB), palestrou sobre propósito e chamado, encerrando o período da manhã.

(Foto: Matheus Amaral)

Além da Teoria
O período da tarde trouxe mais do que só teoria. Após a última palestra de Maíra sobre valores, emoções e o processo da puberdade em meninos e meninas, os adolescentes foram divididos em dois ambientes separados por gênero. Enquanto os meninos construíram uma luminária do zero, as meninas, por sua vez, customizaram uma ecobag.
Posteriormente, ambos os grupos participaram, separadamente, de uma sessão de perguntas e respostas. Dessa forma, os adolescentes puderam tirar dúvidas de forma livre e descontraída sobre namoro e sexualidade.

(Foto: Matheus Amaral)

(Foto: Matheus Amaral)
Depoimento
Ana Clara, de 15 anos, não é adventista, mas estuda no Colégio Adventista do Ibes e veio ao evento a convite da amiga, Ana Luiza (15) que frequenta o Espaço Novo Tempo da Praia da Costa.
Ela comenta que antes do encontro estava receosa e não sabia se se sentiria à vontade. No entanto, ao participar, mudou completamente de ideia. "Achei tudo muito legal, acho muito necessário essa conversa. Acho que tá sendo um projeto muito legal o que vocês estão fazendo com adolescentes, pois realmente a gente tá passando por um momento de muita dificuldade, com crise de ansiedade, depressão, pessoas se sentindo abandonadas e buscando preencher esse vazio em outras coisas", afirmou.
Segundo ela, o formato dinâmico do encontro também fez toda a diferença. Além disso, destacou que os temas foram tratados de forma natural, sem tabus. "Não estão tratando como se fosse um tabu, estão tratando como algo normal pra gente não ficar desconfortável, achei isso muito legal", completou Ana Clara.

Ação Especial
No domingo, o projeto "Conversas de Garota" também chegou em meninas atendidas por casas de acolhimento da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA).
Ao todo, 16 adolescentes participaram do encontro, sendo parte delas vinda de uma casa de acolhimento temporária e outra parte já residente em um lar definitivo, para meninas destituídas do convívio familiar.
Durante a manhã, as adolescentes participaram de atividades como customização de bolsa, artesanato e um café da manhã especial. Além disso, temas como identidade, autoestima e propósito também foram trabalhados com o grupo, seguindo a mesma proposta do encontro realizado no sábado.

(Foto: Matheus Amaral)
