Fé que flutua: Aventuri 2025 une ciência, sustentabilidade e inclusão em experiência transformadora
Evento reuniu mais de 40 clubes de aventureiros em quatro dias de acampamento, com investidura de 20 líderes, palestras sobre criacionismo, sala de regulação sensorial e atividades que uniram famílias inteiras

Entre os dias 20 e 23 de novembro, Guapimirim, no interior do Rio de Janeiro, foi palco de uma experiência que uniu fé, ciência, sustentabilidade e inclusão. O Aventuri 2025, maior encontro regional de clubes de aventureiros promovido pela Associação Rio Fluminense, reuniu mais de mil crianças de 6 a 10 anos, 40 clubes e 20 líderes investidos no primeiro dia do evento.
Leia também:
Com o tema “Fé que Flutua”, inspirado na história bíblica da Arca de Noé, o evento foi cuidadosamente planejado para trabalhar o conceito de criacionismo de forma lúdica, interativa e científica com os pequenos aventureiros.
Criacionismo: o grande propósito do ano
Para o pastor Henrique Custório, líder dos aventureiros da Associação Rio Fluminense, o Aventuri 2025 foi preparado com muito carinho e um propósito claro.
“O grande propósito deste ano foi trabalhar a ideia de criacionismo com os nossos pequenos aventureiros. Há dois anos, tivemos ‘Aventuras no Santuário’, que apresentou uma doutrina linda e maravilhosa da Bíblia, onde eles entraram no santuário de forma real para aprender in loco”, relembrou.
Este ano, o foco foi diferente. “A ideia foi trabalhar o criacionismo, o design inteligente, a explicação do dilúvio. Mostrar para eles que, mesmo em meio às tempestades, se o aventureiro estiver dentro do barco — que é o clube dele, que são os caminhos de Jesus — pode haver chuva, vento e mar se movendo, mas Deus sempre preserva o aventureiro de forma segura, aonde Deus quer que ele esteja.”




Dinossauros, fósseis e provas científicas do dilúvio
Um dos destaques do ano foi o Super Aventussauro, um Aventuri online. “Esse ano a gente teve um super evento falando sobre dinossauros, fósseis e provas científicas do dilúvio que comprovam a narrativa da Bíblia. Foi incrível ver as crianças conectando fé e ciência”, destacou o pastor Henrique.
Além disso, pela primeira vez no Aventuri, as crianças tiveram acesso a um planetário móvel, onde puderam entender a criação de forma científica e visual, com toda a explicação sobre como o universo foi formado ao longo da história.
Barcos sustentáveis: fé que literalmente flutua
Um dos pré-requisitos para participar do Aventuri foi a construção de dois barcos por clube: um barco decorativo que representasse o clube inteiro e uma jangada funcional feita com materiais recicláveis, capaz de flutuar e sustentar o peso de uma criança atravessando a piscina.
“O clube tinha que fazer um barco que coubesse todo mundo e uma jangada que tivesse que flutuar de verdade, com um aventureiro cruzando a piscina. E esse aventureiro deveria atravessar usando materiais recicláveis, materiais da natureza e principalmente materiais do nosso lixo que pudessem ser utilizados de forma lúdica, mas também sustentável”, explicou o pastor Henrique.
Lara Barreto do Siqueira, de 10 anos, do Clube Águias Douradas, participou ativamente da construção. “As crianças do meu clube levaram garrafas PET. Eu ajudei meu pai a montar a nossa jangada e também pintei o remo. Aí o tio botou a jangada na piscina e colocou nosso amigo Miguel lá, ele foi deitado e flutuou!”, contou animada.
Para Lara, a experiência foi além da diversão. “A gente tem que ter a fé que vai flutuar, porque se a gente não tiver fé, a gente vai afundar, igual Noé. E Noé foi obediente, ele obedeceu a Deus, mesmo com as pessoas falando mal dele. A gente tem que ser obediente em qualquer momento”, refletiu.




Famílias unidas na preparação
A construção dos barcos não envolveu apenas as crianças, mas mobilizou famílias inteiras. Leilane Clízia Marinho Tavares, líder do Clube Imperador, de Nova Friburgo, contou como foi a preparação.
“Antes de chegar aqui, nós marcamos um domingo inteiro na igreja para construir os barcos e as jangadas. Foram os pais, as crianças, com as ideias, com suas ferramentas domésticas que tinham em casa. Levamos lanche, almoço, fizemos um junto à panela. Passamos um domingo todo nos recreando, nos divertindo e ajudando um ao outro.”
Para ela, o Aventuri foi muito mais que um evento. “Foi uma experiência imersiva e espiritual maravilhosa. Foi um momento importante de aprendizado, de conquistas, de paciência, resiliência, de vitórias. Foi muito gostoso assistir os pais se encantando e se divertindo com as conquistas das crianças em cada etapa desenvolvida. Vamos levar essas memórias afetivas que, com certeza, nos farão crescer mais.”






Inclusão: espaço para todas as crianças
Um diferencial importante do Aventuri 2025 foi a sala de regulação sensorial, coordenada pelo projeto “Ir Aonde Deus Mandar”, voltada especialmente para crianças atípicas. O espaço ofereceu um ambiente acolhedor e adaptado para que todas as crianças pudessem participar plenamente do evento.
Fernanda Holanda, mãe do Gustavo, de 9 anos, que é autista, compartilhou sua experiência emocionada.
“Vim um pouco assustada porque meu filho tem muito essa questão de barulho e fobia social. Mas o nosso clube, o Imperador, graças a Deus, é um clube muito inclusivo. A Leilane tem toda essa preocupação com as necessidades deles — no nosso clube são duas crianças atípicas. Foi uma experiência incrível porque o Gustavo aproveitou todos os momentos que você possa imaginar!”
Fernanda destacou a importância do espaço dedicado à inclusão. “Foi muito importante ter o espaço reservado para as crianças atípicas. As meninas que trabalharam lá foram super receptivas e amorosas. A gente só tem a agradecer. Eu estou saindo daqui cansada, mas realizada de ver que meu filho aproveitou tudo. Ele curtiu a festa, curtiu todas as atividades, até o banho gelado! Estou muito feliz.”


Atividades que marcaram
Durante os quatro dias, as crianças participaram de diversas atividades recreativas, lúdicas e espirituais. Houve desfiles na passarela onde cada criança escolheu um “bichinho” e representou a história da Arca de Noé, recriaram a arca de forma criativa, conquistaram especialidades, participaram de momentos de reflexão ao redor da fogueira e vivenciaram a natureza de forma plena.
“Foi muito legal quando a gente ficou ontem na fogueira fazendo marshmallow junto com o pastor, fazendo a meditação. A gente tem que ter fé igual Noé, senão a gente afunda”, disse Lara, resumindo o aprendizado do evento.


Estrutura e planejamento
Cleires Rodrigues Silva, coordenador regional da Região Central da Associação Rio Fluminense, explicou o desafio de organizar um evento dessa magnitude.
“É desafiador. Você tem que planejar com antecedência, dedicação, ter uma visão do que isso vai fazer. Afinal, são crianças, e isso exige compromisso e responsabilidade para com elas, com os pais e com as famílias. Mas é gratificante ver o resultado e o propósito principal: direcionar as crianças para o reino de Cristo. Esse é o objetivo de uma Aventuri, onde todos estarão integrados, envolvidos e conectados com Cristo, com o Criador.”
A estrutura montada incluiu área de acampamento, espaços para atividades recreativas, alimentação coletiva, momentos espirituais, sala de regulação sensorial e até um planetário itinerante.
“Tudo é planejado pensando no desenvolvimento social das crianças, para que elas possam estar visando o que é ser um cidadão. Ensinamos respeito, convivência em comunidade e valores que levarão para a vida”, completou Cleires.




Formando líderes desde cedo
No primeiro dia do evento, 20 líderes foram investidos, reforçando o compromisso da Associação Rio Fluminense com a formação de novas lideranças.
“A Igreja Adventista tem se preocupado muito com as novas gerações. Um evento como esse traz a liderança e também as crianças, envolvendo diferentes gerações no mesmo contexto, sempre com o objetivo de criar no coraçãozinho dessas crianças — que são os futuros líderes da nossa igreja — o senso de missão”, destacou o pastor Moisés.
“Um tema como ‘Fé que Flutua’ é justamente para mostrar que a nossa fé precisa sempre estar alinhada com a vontade de Deus. Um evento como esse vai trazendo para nossas crianças esse senso de colocar a vida nas mãos de Deus, permitindo que Ele dirija.”






Memórias que ficam
Ao final dos quatro dias, o sentimento geral era de gratidão, aprendizado e conexão. Crianças, pais, líderes e coordenadores saíram do Aventuri 2025 transformados.
“Vamos levar essas memórias afetivas que, com certeza, fortalecerão os laços familiares entre eles e os aproximarão ainda mais de Deus”, resumiu Leilane.
Imersão - 12 horas
Outro diferencial do Aventuri foi o curso de 12 horas, em que líderes e Aventureiros que estão na última classe para a idade no clube, tiveram atividades relacionadas ao clube de Desbravadores. O momento foi de conhecimento e preparo para a nova etapa da missão e envolveu dezenas de crianças em atividades de superação e recreação.

