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Ex-aluno da Educação Adventista em Itabuna conquista bolsa integral em universidade dos EUA

Após estudar do 6º ano do Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio na Educação Adventista, Igor Bastos foi aprovado com bolsa integral na University of Notre Dame.


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Enquanto muitos adolescentes ainda tentam descobrir qual caminho seguir após o Ensino Médio, um jovem do interior da Bahia decidiu atravessar fronteiras que pareciam distantes demais da própria realidade. Aos 18 anos, Igor Bastos, ex-aluno da Educação Adventista em Itabuna, conquistou uma bolsa integral na University of Notre Dame, uma das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos.

Dedicação, persistência e propósito fizeram Igor conquistar a tão sonhada vaga em uma universidade americana. Foto: Arquivo pessoal

Mas a aprovação internacional não foi construída apenas por notas altas ou domínio do inglês. Por trás da conquista, existe uma trajetória marcada por formação humana, incentivo acadêmico e desenvolvimento da escrita como ferramenta de transformação. Elementos que, segundo o próprio estudante, foram fundamentais durante os anos em que estudou na Educação Adventista.

“Eu sempre gostei de falar, sempre fui muito comunicativo”, relembra Igor ao falar sobre a infância. A habilidade de se expressar, porém, ganhou direção dentro da escola. Foi ali que o estudante passou a compreender que comunicar ideias, defender pensamentos e construir argumentos também poderiam levá-lo mais longe.

Após participar da Olimpíada Brasileira de Tecnologia, Igor viajou para o Summer Camp (acampamento de verão), Estados Unidos, onde foi convidado na Universidade de Yale. Foto: Arquivo pessoal
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Redação como peça central

Para Igor, as aulas de produção textual tiveram papel decisivo na aprovação. Durante o processo, ele precisou escrever dezenas de textos autobiográficos, responder perguntas reflexivas e elaborar a chamada personal statement, principal redação da candidatura internacional. O texto, com cerca de 600 palavras, precisava apresentar não apenas conquistas, mas identidade, propósito e visão de mundo.

Foi justamente nessa redação que Igor decidiu falar sobre Itabuna. Utilizando referências culturais e elementos ligados à própria história, o estudante construiu uma narrativa sobre resistência, pertencimento e superação. A capacidade de transformar experiências pessoais em narrativa foi um diferencial importante na candidatura.

Segundo especialistas em admissões internacionais, universidades americanas buscam estudantes capazes de articular pensamento crítico, autenticidade e impacto social. E foi justamente nesse ponto que a formação escolar fez diferença.

Ao longo do Ensino Médio, Igor participou de projetos acadêmicos, simulações internacionais e atividades de liderança incentivadas pela escola. Também recebeu apoio para viagens educacionais, programas internacionais e processos burocráticos exigidos pelas universidades estrangeiras.

Durante a trajetória acadêmica, ainda no ensino médio, Igor colecionou diversas premiações, como a de mentor do Brasil em Harvard — programa do Instituto Diplomun. Foto: Arquivo pessoal

“Eu tive apoio acadêmico e espiritual. Meus professores, coordenadores e direção acreditaram no meu potencial desde o início”, afirma.

Entre as experiências mais marcantes, o estudante destaca as orientações recebidas durante o desenvolvimento das redações e documentos exigidos na candidatura. Professores auxiliaram em cartas de recomendação, traduções de histórico escolar e acompanhamento do processo acadêmico.

Mais do que apoio técnico, o ex-aluno afirma que a escola contribuiu para fortalecer sua visão de propósito. “Eu lembro das semanas de oração, dos momentos na capela e das orações antes das aulas. Tudo isso me ajudou a continuar firme”, conta.

A jornada até Notre Dame foi longa

Durante dois anos consecutivos, o jovem recebeu negativas de universidades americanas. Das 17 instituições para as quais aplicou, foi rejeitado em 13. As outras o colocaram em lista de espera. Ainda assim, continuou insistindo.

Enquanto os colegas focavam exclusivamente no Enem, Igor conciliava estudos tradicionais com preparação internacional, exames em inglês, produção textual e atividades extracurriculares. “Eu era o único da sala tentando conciliar os dois mundos”, relembra.

A aprovação definitiva veio justamente da lista de espera de Notre Dame, considerada uma das etapas mais improváveis do processo seletivo. Hoje, ao olhar para trás, Igor acredita que sua trajetória comprova o impacto que uma educação baseada em propósito pode gerar na vida de um estudante do interior. “Quando você acredita na educação e se esforça, as coisas podem mudar”, afirma.

Igor espera inspirar outros jovens a enxergarem a escrita, o conhecimento e a escola como ferramentas reais de transformação social. “Eu quero que outros estudantes entendam que podem ocupar qualquer espaço”, conclui.