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Especial semana das mães – Mãe de 500 filhos

15 de maio de 2014

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Após criar três filhos biológicos, Rosa adotou mais sete

Após criar três filhos biológicos, Rosa adotou mais cinco

São Paulo, SP… [ASN] Rosa Zanin* já tinha 3 filhos, duas meninas e um menino, quando teve que retornar à maternidade novamente. Toda aquela correria, emoção, sentimentos a flor da pele, tudo aquilo de novo. Entretanto de um ângulo diferente. Agora, viveria tudo aquilo fora da sala de parto.

Naquele momento, sua empregada doméstica dava luz a uma menina. Mas a consideração era tanta, que Rosa e o marido fizeram questão de acompanha-la em tudo.

Além daquele bebê que acabara de nascer, a empregada já tinha outra filha de seis anos. A situação não era fácil. Porém Rosa e o marido ajudavam no que podiam: comida, roupa, fralda e amor. O laço já estava atado.

Os dias foram passando até que sua secretária do lar – assim chamada por Rosa – tomou a decisão. Ela conheceu um rapaz e queria seguir um futuro com ele. Mas sua filha mais nova ficaria com Rosa. junto ficava também a certeza da escolha certa. A filha mais velha também quis ficar. A mãe não relutou. Sabia das suas dificuldades.

Rosa começa um nova fase de sua vida. Mal sabia ela que esse gesto se repetiria mais algumas vezes. Adoção.

Na semana do dia das mães não poderíamos deixar de lado essas mães que independente de sangue ou biologia, optaram exercer o papel mais digno de todos: ser mãe.

Processo de adoção é travado pela burocracia e pelos critérios de escolha dos casais interessados

Processo de adoção é travado pela burocracia e pelos critérios de escolha dos casais interessados

Escolha selecionada

Segundo o Conselho Nacional de Adoção, existem atualmente no Brasil 30.161 pretendentes para adotar. Na outra ponta, estão 5.446 crianças e adolescentes a espera de um lar.

Olhando para esses números logo imaginamos que o quadro brasileiro de adoção está ótimo. Mesmo com um número de pretendentes maior que o de crianças, alguns fatores impedem o avanço desse processo. Burocracia, preferência por idade e cor são itens que atrasam uma adoção.

Por exemplo: 53% dos pretendentes querem um bebê até dois anos de idade, porém, só 2% das crianças disponíveis têm essa faixa etária. Pais que aceitam adotar um criança com mais de 11 anos de idade não somam 1% dos pretendentes, e o número de crianças nessa faixa chega a 70%.

Na lista de exigências ainda estão os fatores sexo e saúde. Um terço dos pretendentes preferem adotar meninas. Contudo, os meninos são maioria nos abrigos. Das mais de 5 mil crianças para adoção, mais de 1,2 mil possuem algum tipo de problema de saúde. O que também dificulta a adoção.

Rosa não pensou em nenhum desses fatores na hora de adotar aquelas duas meninas. Pelo contrário, adotou mais.

A casa tinha quatro meninas e somente um menino e Rosa decidiu que queria um garoto para fazer companhia para o seu outro filho. Nesse ponto da entrevista, ela lembrou de uma história que marcou a vida dela e da chegada do seu terceiro filho adotivo.

O adolescente já tinha 14 anos quando foi adotado por Rosa. Apenas uma semana depois de sua chegada, toda família fez uma viagem para aproveitar um feriado prolongado. O destino? Uma casa no município de Avaré, interior de São Paulo. “Quando chegamos lá, ele ainda com a mochila na costas, segurou o corrimão da escada deu um giro e disse: Lar doce lar”, conta Rosa com um sorriso no rosto.

Rosa segura um dos sete filhos adotivos. "Se pudesse, eu adotaria 500", afirma

Rosa segura um dos cinco filhos adotivos. “Se pudesse, tinha uns 500”, afirma

Poder especial

Talvez Rosa,  agora aposentada e com 57 anos,  tenha algum poder super especial que faz as pessoas gostarem dela instantaneamente. Prefiro imaginar que ao invés disso, esse poder é ser mãe na mais pura essência. Durante alguns momentos da minha conversa com ela, confesso que me distraí um pouco. Meus pensamentos eram só um. De onde vem tanto amor? Tanta vontade de ajudar o próximo?

Enquanto conversávamos, Rosa segura em seu colo uma menina de 3 anos. Sua quarta filha adotiva. Diante de uma caixinha cheia de gazes, faixas e esparadrapos, Rosa troca os curativos da cirurgia que a menina realizará nos pés há pouco tempo.

Toda a entrevista acontece, e um bebê de somente 7 meses está dormindo no quarto. Ao falar dele Rosa chora. Lembra de toda dificuldade da vinda do seu quinto filho adotivo. Um dia de chuva, trânsito caótico, Rosa e o bebê sozinhos no carro. Enquanto ela tenta achar uma saída, ele chora de fome.

Três filhos legítimos e cinco adotivos

Perguntei se Rosa tinha ideia do bem que fez ao adotar essas crianças, que talvez não tinham nenhuma perspectiva do futuro. Ela responde que em primeiro lugar toda boa dádiva vem de Deus. Isso é um dom. Depois concluiu: “Eu simplesmente dei uma opção de escolha a mais”.

Todos os filhos adotivos de Rosa conhecem suas famílias biológicas. Segundo ela o laço biológico é muito forte.

Terminei a entrevista questionando se ela adotaria mais alguma criança. Rosa sorriu e disse: “Se eu pudesse tinha uns 500 filhos”. [Equipe ASN, Augusto Cavalvanti]

*A pedido de Rosa, a identidade de seus filhos adotivos foi preservada

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