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Enquanto o Brasil se prepara para torcer, idoso usa o futebol para compartilhar esperança e promover saúde

Ex-jogador profissional abandonou os gramados para seguir a missão e hoje impacta vidas através do Projeto Masters em Palmas (TO)


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Neste sábado, às 19h, milhões de brasileiros estarão diante da televisão. O verde e amarelo já tomam conta das vitrines, das casas e dos carros. Em um país apaixonado por futebol, a expectativa por mais uma Copa do Mundo mobiliza multidões.

Mas enquanto muitos se preparam para torcer, em Palmas (TO), um grupo de homens tem encontrado no esporte algo ainda maior: amizade, saúde, propósito, apoio mútuo e esperança.

À frente dessa iniciativa está Reginaldo Barreto Sales, de 81 anos. Ex-jogador, missionário credenciado por alguns anos e apaixonado pelo evangelismo, Reginaldo encontrou uma nova forma de cumprir sua missão: usar o futebol para compartilhar esperança, fortalecer amizades e aproximar pessoas de Deus.

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Do sonho do futebol ao chamado missionário

Natural de Porto Calvo, Alagoas, Reginaldo cresceu em meio à paixão pelo futebol. Influenciado pelo pai, que organizava times nas fazendas, começou a jogar ainda criança. O talento chamou atenção cedo. Aos 17 anos, ingressou no Leão XIII, equipe profissional de Catende - PE, onde realizou o sonho de jogar na equipe profissional da cidade, sendo titular do sub-20 e convidado no profissional. "Acredito que Deus usou o futebol para me livrar de muitas coisas ruins que poderiam ter acontecido na minha juventude naquele período. Foi uma forma de Ele me guardar", explica o ex-jogador.

Mais tarde, mudou-se para São Paulo. Ali, Reginaldo precisou recomeçar do zero. O futebol continuou sendo sua grande paixão. Os sábados a tarde e domingos eram dedicados a jogar em times amadores como América do Sul de São Caetano. "Naquela época, o futebol era minha religião", confessa Reginaldo. Mas, Deus tinha outros planos para vida dele.

Arquivo Pessoal: Reginaldo como titular do subvinte do Leão XIII. Da esquerda para direita Reginaldo, "Deguinha" e "Da Silva", grandes companheiros de futebol.

Durante estudos bíblicos, um obreiro Bíblico o convidou para acompanhá-lo em visitas missionárias justamente em um domingo, dia reservado para o futebol. "Fiquei contrariado. Como ele (o obreiro bíblico) me chamava para fazer alguma coisa justamente no dia do futebol?", relembra. Mesmo relutante, ele aceitou o convite. Hoje acredita que o Espírito Santo estava conduzindo aquele momento decisivo de sua vida.

Ao longo daquele dia, ouvindo testemunhos e observando como o evangelho transformava vidas, algo mudou em seu coração."Entendi que existia um propósito muito maior para a minha vida. No final da manhã, perguntei ao Gilberto Rebello se também poderia fazer aquilo quando fosse batizado. Ele respondeu que não apenas podia, mas deveria", a partir daquele momento, ele tomou a decisão de se batizar na Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Pouco tempo depois, pendurou as chuteiras, se batizou e passou a dedicar a vida à missão. Realizando estudos bíblicos de casa em casa, ajudando na fundação de igrejas, atuando na liderança de igrejas, dedicou décadas ao evangelismo. "A maneira mais segura de aprender é ensinando. Foi assim que cresci espiritualmente", frisou Reginaldo.

Um novo campo missionário

Após os 72 anos e já morando em Palmas, ele voltou a praticar futebol. Mas agora com um propósito diferente. Depois de anos longe dos gramados, reuniu alguns amigos para jogar bola. O que começou como uma simples pelada se transformou no Projeto Masters.

Hoje, quase 50 participantes em sua maioria com mais de 40 anos, fazem parte da iniciativa. Todas as segundas e quintas antes dos jogos, há um momento reservado para oração, pedidos especiais e palavras de incentivo. Somente depois a bola rola. O grupo também ajuda os participantes que enfrentam dificuldades financeiras, problemas de saúde ou crises familiares. O propósito do projeto é utilizar o futebol para compartilhar esperança, criar vínculos e demonstrar o evangelho na prática.

Parte do grupo de Master (Foto: Fernanda Cordeiro)

Além disso, Reginaldo compartilha princípios de saúde baseados nos oito remédios naturais - exercício físico, água, luz solar, ar puro, temperança, alimentação saudável, descanso e confiança em Deus. Aos 81 anos, continua entrando em campo e é exemplo de vitalidade e saúde. Para David Wellington, 41 anos, conhecido como Índio, Reginaldo é uma inspiração constante. "Ele nos ensina sobre saúde, sobre caráter e sobre como cuidar melhor da vida. O que ele pode fazer pelos outros, ele faz." afirmou.

Registros de uma partida de futebol dos Masters (Foto: Fernanda Cordeiro)

Além das quatro linhas

Os resultados do projeto vão além das quatro linhas do campo de futebol. Para Francisco Soares, 46 anos, conhecido como Chico, o diferencial do Masters não está na bola. "O que me fez continuar no grupo foi o respeito, o ambiente diferenciado e as amizades que construí aqui." explica. Quando sua esposa precisou passar por uma cirurgia delicada, Chico encontrou apoio. "Pensei que iria perdê-la. Mas o grupo orou, acompanhou e depois até ajudou com medicamentos. Ali percebi que eles não se importam apenas com o futebol. Eles se importam com as pessoas", relatou.

Reginaldo e Francisco parceria dentro e fora de campo (Foto: Fernanda Cordeiro)

O impacto também alcançou sua vida pessoal. "Antes eu bebia muito e era agressivo. Com os conselhos, o exemplo e o ambiente do grupo, deixei a bebida e me tornei uma pessoa mais calma. Hoje tenho buscado mais a Deus." contou Chico que integra a equipe de organização do projeto.

David Wellington, destaca outro diferencial. "Aqui a gente coloca Deus antes da bola", se referindo aos momentos de oração, que de acordo com ele é a melhor coisa do Projeto. Ele, acostumado a disputar campeonatos, afirma que o ambiente do Masters é único. "Não tem confusão, não tem palavrão, não tem agressividade. Aqui existe respeito e união, a gente sente Deus", finaliza Ferreira.

Momento de resenha e oração antes do jogo (Foto: Fernanda Cordeiro)

Já William Rodrigues, de 43 anos, percorre mais de 50 quilômetros para participar dos encontros. "Vale a pena, pois desde que cheguei fui acolhido. Aqui ninguém reclama do erro do outro. A gente aprende a viver valores que levamos para fora do campo." compartilha.

Mais de 60 anos depois de deixar os gramados profissionais, na terceira idade, Reginaldo tem o futebol como uma ferramenta para compartilhar esperança e impactar vidas. Agora, o campo de futebol é o seu campo missionário. E o maior sermão é a sua própria vida!