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Encontro capacita comunicadores em criatividade e inteligência artificial para missão

Evento reuniu equipes de comunicação em Campos dos Goytacazes e Itaboraí para alinhar estratégias, ferramentas e propósito missionário


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Equipe de comunicação da Associação Rio Fluminense que organizou o evento. Foto: Paulo Araújo

A Associação Rio Fluminense (ARF), sede administrativa da Igreja Adventista para o Centro, Serra e Norte do Rio de Janeiro, promoveu neste final de semana o encontro “Criados para Criar”, voltado para capacitação de equipes de comunicação das igrejas locais. Realizado em Campos dos Goytacazes e Itaboraí, o evento abordou temas como criatividade, inteligência artificial aplicada à missão, ferramentas digitais e o papel estratégico da comunicação no alcance de novas gerações.

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O encontro reuniu diretores de comunicação, designers, cinegrafistas, fotógrafos, gestores de redes sociais e jovens interessados em atuar na área, com o objetivo de formar comunicadores que entendam que comunicação não é apenas divulgação, mas missão.

Comunicação como campo missionário

Pastor Ricardo Alves, líder de Comunicação da ARF, explicou o propósito do encontro. “O principal objetivo do ‘Criados para Criar’ é despertar, capacitar e alinhar as equipes de comunicação da ARF para que entendam que comunicação não é apenas divulgação — é missão. Queremos formar comunicadores que usem seus dons, criatividade e ferramentas de maneira estratégica para conectar pessoas a Jesus. O encontro existe para inspirar uma nova geração de comunicadores que comuniquem com propósito, excelência, relevância e identidade missionária.”

Ele contextualizou a relevância do tema. “Estamos vivendo em uma geração extremamente conectada, visual e digital. As pessoas são impactadas todos os dias por milhares de mensagens, vídeos, imagens e conteúdos. Se a Igreja deseja continuar alcançando pessoas, ela precisa aprender a comunicar a mensagem eterna em uma linguagem compreensível para o tempo em que vivemos.”

O pastor Ricardo destacou ainda que falar sobre criatividade e inteligência artificial não é superficial. “Falar sobre criatividade não é sobre entretenimento vazio — é sobre tornar a mensagem mais clara, relevante e acessível. E falar sobre inteligência artificial é entender que novas ferramentas já fazem parte da realidade da sociedade. A questão não é se a Igreja vai usar essas ferramentas, mas como vai usá-las com sabedoria, ética e propósito missionário. A tecnologia nunca substituirá o Espírito Santo, mas pode potencializar o alcance da missão quando colocada nas mãos certas.”

Comunicação intencional

Sobre como tornar a comunicação mais intencional, o pastor Ricardo foi direto. “A comunicação se torna mais intencional quando deixa de apenas ‘postar informações’ e passa a pensar em pessoas. Cada vídeo, legenda, arte, foto, reels, testemunho ou transmissão pode ser uma ponte entre alguém e Jesus. Isso acontece quando comunicamos com estratégia, propósito e sensibilidade espiritual. Não basta produzir conteúdo bonito; precisamos produzir conteúdo que gere conexão, esperança, identificação e convite para uma experiência com Deus.”

Ele reforçou o papel evangelístico da comunicação digital. “Hoje, muitas pessoas terão o primeiro contato com a Igreja através de uma tela antes mesmo de entrar em um templo. Por isso, a comunicação precisa ser vista como um campo missionário. Uma postagem pode abrir uma conversa. Um vídeo pode tocar um coração. Uma mensagem pode alcançar alguém no momento mais difícil da vida. Comunicação também é evangelismo.”

Inteligência artificial como ferramenta de missão

Alex da Fonseca Júnior, publicitário, designer e um dos palestrantes sobre inteligência artificial aplicada à missão, abordou o potencial das ferramentas de IA para igrejas locais. “Nossas igrejas têm uma mensagem poderosa, mas dificuldade em comunicar isso visualmente. Ferramentas baseadas em IA ajudam a transformar ideias simples em conteúdos mais organizados, emocionais e relevantes, mesmo sem uma grande equipe criativa. Elas democratizam a comunicação e permitem que ministérios pequenos também criem experiências visuais que conectam pessoas à mensagem.”

Ele destacou o impacto emocional que a IA pode proporcionar. “O mais legal é perceber que a IA não serve apenas para ‘fazer artes rápidas’. Ela consegue ajudar a construir atmosfera, emoção e narrativa. Quando as pessoas entendem que é possível transformar uma cena bíblica em algo cinematográfico, imersivo e profundamente impactante, a visão sobre criatividade e a mensagem bíblica muda completamente.”

Canva como ponte visual para o Evangelho

O pastor Philippe Rodrigues, pastor escolar em Campos dos Goytacazes, conduziu uma oficina sobre o uso do Canva como ferramenta de comunicação visual. “Aqui nós estamos aprendendo algumas ferramentas muito importantes, como hierarquia, como proximidade, como um cuidado com as cores, com o próprio contraste. Tudo isso para que o seu card e a sua postagem, a sua divulgação, não somente chame pessoas para junto da sua igreja, mas também para perto de Jesus.”

Ele reforçou o papel instrumental da ferramenta. “O Canva vai servir para nós exatamente como isso: uma ferramenta. É algo que vai ajudar na sua criatividade, na tua força de vontade, naquilo que você já está trabalhando, para agregar ao teu projeto, até o programa de pregação do evangelho. Então o evangelho ele já tem uma mensagem muito forte. Você precisa apenas utilizar a ferramenta que está à sua disposição para que ela avance, para que a tua mensagem chegue mais longe, para que mais pessoas escutem sobre Jesus. E de forma visual elas entendam que nós temos uma mensagem que precisa ser compartilhada.”

Fluxo de trabalho e processo criativo

Nathanael Pereira, filmmaker da ARF, compartilhou com os participantes o fluxo de trabalho da comunicação profissional da associação. “Aqui no encontro de comunicação, compartilhei um pouquinho com os líderes de comunicação das igrejas, o meu fluxo de trabalho, como que a gente funciona, como que alguns materiais são produzidos, o conceito, a ideia, a referência. E como que eles podem estar usando também um pouco da inteligência artificial dentro das produções que são feitas dentro da igreja, tendo em vista essa corrida das inteligências artificiais. Compartilhei também de como é feito todo o processo criativo dentro do nosso ambiente de trabalho, dentro da nossa realidade como comunicadores da igreja.”

Novas gerações engajadas na missão criativa

Nathalia Damasceno, 15 anos, desbravadora e membro da equipe de comunicação e sonoplastia da Igreja Adventista da Fonseca, em Niterói, participou do encontro e destacou o potencial das redes sociais. “As redes sociais são um ótimo recurso para você realmente alcançar mais pessoas, uma ótima forma de recrutar pessoas para fazer parte de uma igreja, de um grupo, e é uma forma de alcançar pessoas que você talvez nunca fosse alcançar na sua vida.”

Nathalia também participou da Missão Teen em Aperibé e trouxe aprendizados práticos do encontro. “As dicas que deram para a formulação de imagens, de organização e também a separação de funções, que é algo que é extremamente necessário, não só na comunicação, mas na vida inteira. A gente precisa, sempre que tem um grupo, separar funções para cada um fazer, para ficar todo mundo ali certinho e para ter um bom trabalho em equipe.”

Ela destacou ainda a diversidade geracional do evento. “Eu achei legal que tem gente na minha faixa etária, porque isso mostra como a gente tem um pensamento mais criativo e com isso a gente tem mais opções para se comunicar com os outros, a gente consegue chegar mais fácil em outras pessoas. E o mesmo vale para pessoas mais velhas, como teve o testemunho das duas senhorinhas aqui. Isso mostra que qualquer um pode ter uma facilidade maior para se comunicar e para ter ideias. Então não é algo restrito para adolescente, criança, adulto ou idoso. Não, é todo mundo uma grande família, todo mundo junto em um único propósito.”

Comunicação que restaura e reconecta

Grazy Oliveira, social media, estudante de gastronomia e educação física, e líder do Ministério Jovem e Comunicação, compartilhou como a comunicação tem um papel transformador que vai além do visual. “A comunicação vai muito além do visual. A comunicação não é só fazer um post e tirar uma foto na igreja. É o que você quer mostrar. Hoje a fotografia me abriu esse caminho de pegar uma essência simples. Pode ser uma foto de um banco. Mas o que aquele banco está transmitindo? Você pode transmitir um banco vazio, um banco cheio, os louvores da igreja, o testemunho que é contado no púlpito da igreja, os louvores que trazem as pessoas de volta. Então a comunicação não tem que ficar dentro das portas da igreja. Ela tem que sair para fora da igreja.”

Grazy compartilhou ainda um testemunho pessoal de como a comunicação tem sido instrumento de reconexão espiritual. “Eu estava bem afastada da igreja. E o que tem me trazido de volta não é o púlpito da igreja. Eu amo cantar, sou apaixonada pelo evangelismo, sou apaixonada pelo Ministério Jovem. Mas hoje a comunicação tem me resgatado de volta. Estar aqui hoje, envolvida com a comunicação, tem me conectado de novo com o propósito.”

Ela relacionou ainda a comunicação com princípios bíblicos. “Uma coisa que eu aprendi com a comunicação foi com Neemias. Ele aprendeu a se comunicar através de Deus. E quando ele precisou se comunicar para salvar o povo dele, ele fez da comunicação uma influência. Ele chegou para o rei e falou: ‘Eu preciso ir lá salvar aquele povo. Eu preciso erguer aquela cidade.’ Neemias fez da comunicação uma ferramenta para salvar um povo. E através dali, um dos sermões que eu preguei foi sobre as doze portas de Jerusalém, que retratava cada porta com uma essência. Então a fotografia, ela tem isso: cada foto tem uma essência.”

Comunicação que conecta gerações e transforma missão

O encontro “Criados para Criar” reforçou que a comunicação adventista precisa evoluir sem perder sua essência: conectar pessoas a Jesus. Com ferramentas acessíveis, criatividade intencional e propósito missionário claro, igrejas locais podem transformar cada postagem, cada vídeo, cada arte em uma porta de entrada para o Evangelho.

Como resumiu o pastor Ricardo Alves: “Hoje, muitas pessoas conhecerão a Igreja através de uma tela. E cabe a nós garantir que, quando olharem para essa tela, vejam clareza, beleza, verdade e, acima de tudo, Jesus.”