Educadores transformam congresso em missão e revitalizam seis escolas públicas em Foz do Iguaçu
Cerca de 145 professores trocaram parte da programação do encontro por uma jornada de voluntariado, com pinturas, reparos e recuperação de espaços utilizados por estudantes da rede municipal

O compromisso com a educação ultrapassou os limites do auditório e ganhou forma nos muros, pátios, quadras e espaços de recreação de seis escolas públicas de Foz do Iguaçu, no Paraná. Cerca de 145 professores da Educação Adventista deixaram parte da programação do primeiro congresso educacional promovido pela Igreja Adventista no centro-oeste brasileiro para realizar pinturas, restaurações e pequenas reformas em unidades da rede municipal.
A mobilização fez parte do I Congresso de Educação da União Centro-Oeste Brasileira, realizado com o tema “Chamados — Da sala de aula à eternidade”. O encontro reuniu aproximadamente dois mil professores, gestores e líderes educacionais do Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Enquanto a maior parte dos participantes acompanhava palestras e atividades formativas, grupos de voluntários se deslocaram pela cidade para colocar em prática um dos princípios defendidos durante o evento, o serviço à comunidade.
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Professores em missão
Divididos em seis equipes, os educadores trabalharam na Escola Municipal Ponte da Amizade, no Centro de Convivência Francisco Bubas, no Centro Municipal de Educação Infantil Professora Heley de Abreu Silva Batista e nas escolas municipais João Adão da Silva, Padre Luigi Salvucci e João da Costa Viana. As ações incluíram a recuperação de áreas esportivas e recreativas, pintura de fachadas e muros, revitalização de pátios e melhorias em ambientes utilizados diariamente pelos estudantes.
A iniciativa surgiu a partir do contato da organização do congresso com o poder público municipal, que indicou as unidades escolares a serem atendidas. Segundo Irismar Gonçalves, líder da Educação Adventista para o Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins, a intenção era evitar que o congresso se limitasse à formação dos participantes e fazer com que o encontro também produzisse resultados concretos para a cidade que o recebeu.
“Quando falamos em escola no território da União Centro-Oeste Brasileira, pensamos em missão e voluntariado. Ao planejarmos o congresso, queríamos que os professores não apenas participassem de uma formação e saíssem motivados, mas que também deixassem um legado em Foz do Iguaçu”, afirmou.

Escolas beneficiadas
Na Escola Municipal Ponte da Amizade, uma das equipes recuperou o espaço usado pelos alunos durante as aulas de Educação Física e nas atividades recreativas. A unidade não possui uma quadra esportiva convencional, e as marcações e os desenhos pedagógicos existentes no chão estavam apagados pelo tempo.
Alexandra de Lima, coordenadora pedagógica da escola há nove anos, acompanhou o trabalho dos voluntários. Para ela, a recuperação do espaço devolve aos professores uma ferramenta pedagógica e oferece melhores condições para as atividades realizadas com as crianças.
“A pintura estava muito apagada e os desenhos pedagógicos já não podiam ser visualizados com facilidade. A ação desses profissionais da Educação Adventista revitalizou o nosso ambiente de trabalho e o espaço onde os alunos realizam suas atividades”, explicou.
A coordenadora também destacou a disposição dos educadores que, mesmo depois de percorrerem longas distâncias para participar do congresso, abriram mão de parte da programação para servir em instituições que não conheciam. “Vejo muita generosidade nesses professores. Eles conhecem a realidade de muitas escolas e quiseram contribuir, somando um pouco mais à vida de outras crianças”, declarou Alexandra.

Muro restaurado
Na Escola Municipal João da Costa Viana, o trabalho concentrou-se na recuperação do muro externo. A diretora Janaína Proença afirma que as condições físicas de uma escola exercem influência sobre a rotina de alunos e profissionais. Para ela, a revitalização ajuda a construir um ambiente mais acolhedor e favorável ao processo educativo.
“A estrutura física oferece conforto para quem trabalha e, principalmente, para os nossos alunos. O serviço realizado pelos voluntários proporciona uma escola mais bonita e um ambiente mais agradável. Isso também se reflete na aprendizagem”, afirmou. Segundo Janaína, a unidade enfrenta carências estruturais, o que tornou a chegada dos voluntários ainda mais significativa. “Esse trabalho fará diferença para a escola, para a aprendizagem e para a vida das crianças”, acrescentou.
A transformação também foi percebida pelas famílias. Luciane Bonito, mãe de um estudante, contou que as paredes da unidade frequentada pelo filho estavam há bastante tempo necessitando de pintura. Para ela, a mudança visual representa mais do que uma melhoria estética.
“A pintura nova traz vida para a escola. Tenho certeza de que as crianças vão olhar para esse ambiente e ficar admiradas. A mudança trouxe alegria”, disse. Luciane também ressaltou o significado de professores viajarem de diferentes estados para trabalhar voluntariamente em um bairro que não conheciam. “É gratificante ver pessoas de tão longe doando o próprio tempo para ajudar uma escola e uma comunidade. É muito bonito ver professores envolvidos em um projeto como esse”, avaliou.

Dois mil quilômetros de distância para cumprir a missão
Entre os voluntários estava Maria Zentoz, professora do Pré I da Escola Adventista de Sinop, em Mato Grosso. Depois de viajar quase dois mil quilômetros até Foz do Iguaçu, ela participou da pintura de espaços recreativos. Enquanto trabalhava, observou a reação das crianças que acompanhavam a renovação dos desenhos.
“Eu viajaria ainda mais quilômetros. Estar na escola fazendo essas pinturas encheu meu coração de alegria. As crianças olhavam felizes e diziam que estavam pintando os desenhos delas”, relatou. Para a professora, o voluntariado reforçou o sentido missionário de sua atuação. “Saber que uma criança poderá brincar em um espaço melhor não deixa apenas o desenho mais bonito. Também deixa a vida das crianças mais colorida. Valeu muito a pena e eu faria tudo novamente”, afirmou.
Para Caroline Gomes Caçânego, diretora de Educação do município de Foz do Iguaçu, a mobilização promovida pela Educação Adventista teve um impacto que ultrapassou as melhorias físicas realizadas nas escolas.

Legado em Foz do Iguaçu
“Foi um movimento impactante para os professores, para a comunidade e, principalmente, para os alunos. Às vezes, pensamos que é apenas uma pintura, uma reforma ou um reparo, mas vai muito além disso. Tenho certeza de que eles se sentiram amados e acolhidos. O que foi realizado representa, de fato, um chamado da Educação Adventista e permanecerá por muito tempo, porque, sempre que olharem para aqueles espaços, saberão que alguém teve o privilégio de deixar seu estado e sua família para cumprir aqui um propósito ainda maior”, afirmou.
A ação realizada em Foz do Iguaçu também se conecta a uma estrutura de voluntariado mantida pela Educação Adventista na região Centro-Oeste. A rede possui 29 Agências de Missões instaladas em suas escolas e já desenvolveu mais de 300 projetos sociais e missionários, incluindo trabalhos com comunidades ribeirinhas, povos indígenas e populações em situação de vulnerabilidade.

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