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Voluntariado

Do Nordeste para o campo missionário

38 jovens nordestinos dedicam 2026 ao projeto Um Ano em Missão, em equipes no Piauí, Alagoas, Amazonas, Bolívia e Equador.


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O Nordeste brasileiro se tornou ponto de partida de uma grande mobilização missionária. De diferentes estados da região, 38 jovens adventistas atenderam ao chamado para dedicar um ano inteiro de suas vidas ao serviço cristão por meio do projeto Um Ano em Missão (OYIM). Os destinos são diversos e desafiadores: o Piauí, o sertão de Alagoas, o Amazonas e também campos missionários fora do país, como Bolívia e Equador.

Antes de seguirem para esses lugares, os jovens viveram um tempo intenso de preparação. Durante o mês de janeiro, participaram de mais de 70 horas de formação, com estudos bíblicos, capacitação prática e fortalecimento espiritual. O processo culminou em uma cerimônia de envio que marcou, de forma simbólica e oficial, o início do desafio missionário de 2026.

Em cerimônia especial, jovens missionários do Nordeste se agruparam de acordo com as regiões para onde estão sendo enviados. (FOTO: Rebbeca Ricarte).

O OYIM reúne jovens com histórias de vida distintas, contextos culturais diversos e trajetórias espirituais únicas. O que os une é um mesmo propósito: servir a Deus e às pessoas por meio da missão, colocando dons, talentos e escolhas pessoais a serviço do evangelho.

Entre os missionários está Ícaro Correia, indígena da etnia Fulni-ô, natural de Águas Belas, em Pernambuco. Em 2026, ele integrará a equipe de missionários do OYIM América do Sul, atuando no Amazonas e representando o Nordeste. Sua caminhada missionária está profundamente ligada à própria experiência de fé e conversão.
“Eu cresci na aldeia Fulni Ô e foi ali que eu tive o meu primeiro contato missionário com Cristo. E quando eu tomei a decisão para o batismo foi que eu tive que me desligar da aldeia, dos costumes. Com os dons que Deus me deu, Ele me chamou para servi-Lo, e foi daí que, em 2025, aceitei o chamado para um ano em missão. Estava trabalhando, estava dentro de relacionamento, estava com casa, estava com tudo pronto para uma vida estabilizada. Mas não era suficiente para mim. Eu precisava dar um ano de agradecimento a Deus, um ano de gratidão, um ano de entrega total e dependência real com Cristo.”

A experiência missionária também marcou profundamente a trajetória de Laura Beatriz Silva, de Maceió, em Alagoas. Para ela, o OYIM representou uma resposta clara de Deus às suas orações.
“Em 2025 fiz o OYIM na cidade de São Vicente, em São Paulo, e para mim significou Deus respondendo as minhas orações.”

Já Janielly de Souza, de Petrolina, em Pernambuco, carrega a alegria de ver um sonho antigo se tornar realidade, mesmo diante de dúvidas e desafios. Em 2026, ela seguirá para o Equador, ampliando ainda mais sua experiência missionária em um contexto internacional. “Um ano em missão sempre foi um sonho meu participar, só que, no meu ponto de vista, a igreja não iria deixar eu ir, né? Acho que por conta da minha deficiência. Em 2025 eu participei do OYIM lá em Porto de Galinhas, terra abençoada, de praias bonitas, um povo muito receptivo e acolhedor, e foi um ano, assim, extraordinário.”

Com a etapa de formação concluída, o grupo agora se dispersa geograficamente, mas segue unido pelo mesmo propósito. Os jovens atuarão em comunidades urbanas e rurais do Nordeste e do Norte do Brasil, além de campos missionários internacionais na Bolívia e no Equador.

Para Carlos Campitelli, líder de jovens da Igreja Adventista do Sétimo Dia para a América do Sul, o impacto do projeto vai além do período de um ano.

“O projeto Um Ano em Missão transforma vidas, tanto dos jovens da comunidade, e é relevante em multiplicar uma visão missionária que nós queremos continuar estabelecendo aqui na América do Sul, de jovens sendo discípulos missionários de Jesus.”

O envio desses jovens reflete um movimento crescente dentro da Igreja. Segundo Alijofran Brandão, presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Nordeste, trata-se de uma mobilização com alcance local e global.
“Nós estamos levantando um movimento missionário jovem que vai alcançar nossos jovens e a nossa região, mas vai alcançar os nossos jovens e outros lugares, longe daqui. Nós queremos que esse movimento cresça, se fortaleça e cada vez mais jovens se despertem para o chamado de Deus para a vida deles.”

A centralidade da missão na vida da juventude também é reforçada por Rafael Santos, líder de jovens da Igreja Adventista no Nordeste.
“Um jovem sem missão ele perde a direção. A missão dá sentido à vida. Um jovem nas mãos de Deus, cumprindo a missão, vale muito mais do que mil distrações na mão do mundo.”

O Um Ano em Missão integra as iniciativas do Serviço Voluntário Adventista (SVA), que oferece oportunidades missionárias para diferentes perfis, idades e níveis de envolvimento.
“Um Ano em Missão é um dos braços da missão que está diretamente ligado ao Serviço Voluntário Adventista, e ele atinge especialmente as novas gerações da igreja. Mas o Serviço Voluntário Adventista ele disponibiliza projetos de voluntariado e missão para todas as faixas etárias”, explica Charlys Siqueira, líder do SVA no Nordeste.

Agora, o desafio é viver, no cotidiano, o compromisso assumido no momento do envio. Para Ícaro, o significado da missão resume essa decisão de vida: “Missão, para mim, é entrega, e entrega total, e rendição total, e confiar, principalmente confiar em Deus, porque em cada detalhe Ele está agindo”.