De passageiros a missionários: família é transformada após conhecer a igreja
História de acolhimento e discipulado representa uma das 816 decisões por Cristo registradas na Associação Rio Fluminense entre janeiro e abril

Durante dois anos, Luana Maia da Silva Machado dirigiu seu táxi levando e buscando Isa, uma evangelista, que atuava em Campos dos Goytacazes para igrejas e programações evangelísticas. Ela e o marido, Felipe, também taxista, não imaginavam que aquelas corridas estavam conduzindo suas próprias vidas para um encontro com Jesus.
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Tudo mudou em uma noite de evangelismo público na praça do bairro Parque Aurora, quando Luana foi convidada pelo evangelista Luís Gonçalves e pela passageira que ela havia transportado por tanto tempo: Isa Alves. Naquela noite, Luana compareceu. Gostou. E no dia seguinte, levou toda a família. Não perdeu mais nenhuma programação.
“A Luana se apaixonou por Jesus”, conta o pastor Diego Nunes, distrital da igreja de Parque Aurora. “E nós abraçamos a família. Começamos a realizar estudos bíblicos, eles passaram a frequentar os cultos, ganharam lição da Escola Sabatina e foram muito bem acolhidos. Quase todos os cultos lá estavam eles e os filhos da Luana: João e Ana Júlia.”

Com o tempo, a filha mais velha, Manuela, e o genro, Lucas Maia da Silva Valentim, também começaram a frequentar a igreja. Em alguns momentos, iam sozinhos aos cultos.
A vida da família estava de cabeça para baixo — financeiramente e emocionalmente. Mas aos poucos, tudo foi se reorganizando. Em julho de 2025, Luana e Felipe regularizaram a vida conjugal: casaram-se no cartório em uma sexta-feira, 18 de julho, e no sábado seguinte, 19 de julho, foram batizados junto com João, filho mais novo de Luana.
“A vida deles foi mudando. Eles se tornaram missionários dentro de casa. Toda oportunidade, a Luana reunia a família para apresentar Jesus”, conta o pastor Diego.
Hoje, Luana e Felipe são diáconos na igreja de Parque Aurora. Manuela parou de trabalhar no sábado durante a licença-maternidade e nunca mais voltou. Lucas, também taxista, fez a mesma escolha.

Na Semana Santa deste ano, o pastor Diego teve a alegria de batizar Lucas e Manuela. “E a Luana teve a alegria de entrar no tanque representando que através dela toda sua família está se rendendo aos pés do Salvador.”
O impacto da decisão segue se multiplicando. Através de Lucas, sua mãe, Ana Paula, sogra de Manuela, está recebendo estudos bíblicos e se aproximando de Jesus.
“Me marcou muito ver a Luana e o Felipe buscando de forma sincera a Jesus. Eles se deixaram ser encontrados. Foi uma alegria acompanhar cada passo deles. Almoçamos juntos, estudamos juntos e fazíamos o pôr do sol às vezes”, compartilha o pastor Diego.
No dia 3 de abril, horas antes do batismo de Manuela e Lucas, o pastor Diego recebeu uma mensagem de Luana que, segundo ele, “marcou minha vida.”



816 histórias como essa
A história de Luana e sua família é uma entre 816 pessoas que entregaram a vida a Jesus entre janeiro e abril de 2026 no território da Associação Rio Fluminense. Cada batismo representa uma oração respondida, um recomeço, uma família alcançada e uma vida sendo transformada pela esperança do evangelho.
Para o pastor Felipe Andrade, presidente da ARF, o resultado é motivo de gratidão e responsabilidade. “Esses 816 batismos representam vidas alcançadas por Deus e uma igreja viva em missão. Cada batismo tem uma história, uma família e o envolvimento de pastores, líderes e membros. Para nós, esse resultado é motivo de gratidão e também de responsabilidade para continuar cuidando e discipulando cada pessoa.”






Missão que vai além das quatro paredes
Pastor Sidinei Santos, líder de Mordomia da ARF, destacou a importância de uma igreja envolvida na missão local. “Uma igreja envolvida na missão local se torna relevante para a comunidade e para as pessoas que fazem parte dela. Muitas decisões espirituais surgem através de ações simples, como uma visita ao lar, uma oração, uma mensagem enviada pelo WhatsApp ou um convite para participar de um programa da igreja.”
Ele compartilhou exemplos práticos. “Tenho visto isso na prática. Muitas pessoas que hoje são membros ativos começaram a frequentar a igreja após receberem um gesto de atenção e acolhimento. Pequenas iniciativas, como um chá entre amigas, um pequeno grupo ou uma visita missionária, acabam abrindo portas para grandes transformações.”
O pastor Felipe Andrade reforçou essa visão. “A igreja local é onde a missão acontece de forma mais próxima. Muitas decisões nascem de ações simples: uma visita, uma oração, um convite ou um gesto de acolhimento. Quando cada membro entende seu papel, a igreja se torna uma comunidade missionária que alcança pessoas com amor e presença.”
Entre janeiro e abril, as igrejas da ARF desenvolveram uma série de ações sociais e missionárias que conectaram fé e serviço: sopão solidário, varal solidário, entrega de fatias de bolo, futebol da esperança, feiras de saúde, entrega de cestas básicas, limpeza de praias e praças, café da manhã comunitário, distribuição de livros missionários, entre outras iniciativas.
“Quando a igreja compreende a importância da missão, ela passa a viver sua fé com propósito. Isso fortalece não apenas a permanência dos novos membros, mas também desperta neles o desejo de compartilhar com outras pessoas aquilo que receberam. A missão deixa de ser apenas uma atividade da igreja e passa a ser parte da identidade de cada cristão”, destacou o pastor Sidinei.


Evangelismo, discipulado e cuidado caminham juntos
O pastor Felipe explicou como a ARF tem trabalhado para integrar evangelismo, discipulado e cuidado. “Temos buscado enxergar a missão como um processo. Evangelizar é apresentar Jesus, discipular é caminhar junto e cuidar é ajudar cada pessoa a permanecer firme na fé. Por isso, visitas, estudos bíblicos, pequenos grupos, classes bíblicas e acompanhamento pastoral precisam andar juntos.”
O pastor Sidinei Santos reforçou essa abordagem. “Na essência, evangelismo já envolve discipulado e cuidado. Evangelizar é cuidar de pessoas que muitas vezes estavam afastadas de Deus, da família, da esperança e até do convívio social. Por isso, a igreja busca desenvolver um evangelismo mais intencional, inspirado no método de Cristo, atendendo não apenas às necessidades espirituais, mas também às necessidades emocionais, físicas e, em alguns casos, até financeiras.”
Ele destacou a importância de criar ambientes de pertencimento. “A igreja procura integrar essas pessoas em ambientes onde elas possam criar vínculos e se sentir acolhidas. Isso acontece por meio de iniciativas como pequenos grupos, clubes de aventureiros, programas de saúde, classes bíblicas, projetos missionários e ações voltadas à comunidade. Muitas vezes, essas atividades ajudam o novo membro a construir um novo círculo de amizades e fortalecer seu senso de pertencimento.”
Dessa forma, evangelismo deixa de ser apenas um evento e passa a ser um relacionamento contínuo, onde a pessoa é acompanhada, discipulada e cuidada de maneira integral.


Discipulado que cuida e conserva
O trabalho não termina no batismo. A ARF tem investido fortemente em discipulado e conservação de novos membros.
“Após o batismo, a igreja procura integrar imediatamente o novo membro em uma classe de discipulado chamada ‘Novos Conversos’. Nesse espaço, ele recebe acompanhamento espiritual durante aproximadamente um ano, fortalecendo sua caminhada cristã e ampliando seu conhecimento das crenças e doutrinas bíblicas. Entendemos que o crescimento espiritual é um processo que demanda tempo, cuidado e proximidade”, explicou o pastor Sidinei.
Ele destacou ainda o papel dos materiais de apoio e do acompanhamento pessoal. “Os novos membros recebem materiais produzidos por diferentes departamentos da igreja, abordando temas como vida familiar, fidelidade cristã, educação financeira e desenvolvimento espiritual. Outro ponto importante é o acompanhamento do padrinho espiritual, que auxilia na integração do novo converso à vida da igreja, criando vínculos de amizade e apoio.”
Nos últimos anos, muitas igrejas também passaram a escolher líderes específicos para cuidar diretamente dos novos membros, somando esforços ao trabalho pastoral.