Da visitação ao Batismo da Primavera: concílio pastoral fortalece cuidado, discipulado e missão
Encontro reuniu pastores da Associação Rio Fluminense em momentos de reflexão sobre pastoreio, alinhamento missionário e mobilização das igrejas para intensificar evangelismo e discipulado nos próximos meses

O Concílio Pastoral da ARF reuniu os líderes do território durante três dias intensos de reflexão, capacitação e alinhamento missionário. E o chamado que ecoou do primeiro ao último momento foi claro: a Primavera está chegando e a colheita depende do cuidado que cada pastor dedicar às suas ovelhas agora.
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O Batismo da Primavera é a principal ênfase missionária dos próximos meses no território. Para o pastor Felipe Andrade, presidente da ARF, o movimento vai além de uma meta numérica. “Mais do que um evento, é um movimento que une todo o território em torno do propósito de salvar vidas. Oramos para que cada membro assuma seu papel missionário, que muitas famílias sejam transformadas pelo evangelho e que o Batismo da Primavera marque um novo tempo de crescimento espiritual e missionário em todo o território”, afirmou.
O desafio que ele lança a cada pastor é: “Transformar intenção em ação. Cada pastor e cada igreja foram chamados a estabelecer alvos claros, investir no discipulado intencional e acompanhar de perto cada interessado, para que ninguém caminhe sozinho até o batismo e além dele.”
A importância do pastoreio e cuidado
Antes de falar de batismos, o concílio falou de visitas. O primeiro dia foi dedicado inteiramente ao pastoreio, à reflexão sobre o que significa, na prática, cuidar das pessoas. Os pastores foram convidados a lembrar de visitas que mudaram suas vidas, tanto como pastores quanto como membros que um dia foram visitados.
Para o pastor Sidinei Santos, líder de mordomia e ministerial da Associação Rio Fluminense (ARF), sede administrativa da Igreja Adventista para o Centro, Serra e Norte do Rio de Janeiro, a visitação é o alicerce de tudo. “As pessoas são alcançadas por relacionamentos. O pastor pode conquistar a admiração da igreja no púlpito, mas é dentro do lar que conquista o coração das pessoas. A visitação permite um pastoreio personalizado, pois cada família possui sua própria história, desafios e necessidades.”
Ele foi enfático: o cuidado não é responsabilidade exclusiva do pastor. “Pastoreio é gente cuidando de gente. Cada líder pode participar de forma prática por meio de visitas, mensagens de incentivo, momentos de oração, formação de pequenos grupos. Quando toda a igreja assume essa missão, o cuidado se torna mais próximo, constante e eficaz.”

Esse espírito se traduz em uma ação concreta que já está acontecendo no território: durante o mês de agosto, a ARF lança o Pastoreio Compartilhado, um movimento em que pastores visitam seus líderes, líderes visitam seus departamentos e a administração visita os distritos. Cada família visitada receberá como gesto de carinho o livro Tudo por Amor a Ele, do pastor Josué de Castro. Paralelamente, pastores e administradores iniciarão uma jornada de oito semanas estudando A Jornada: Refletindo sobre a Missão, do pastor Edimar Sena.
“Ovelha gera ovelha”
O pastor Gilson Almeida, do distrito de Itaboraí, já participou de vários concílios ao longo do ministério. Ainda assim, a reflexão desta edição o tocou de forma especial. “Ao cuidar bem das ovelhas, elas produzem mais. É uma lição sobre cuidado e responsabilidade, ovelha gera ovelha. Isso nos ajudará a ter uma Primavera mais eficiente e produtiva”, afirmou.
Para o pastor Josué Ribeiro, do distrito de Parque Aurora, em Campos dos Goytacazes, este foi o primeiro concílio. E a impressão que ficou foi de que a proximidade transforma tudo. “O cuidado com as ovelhas não vai ser o quanto você sabe pregar, nem a técnica que você tem, mas o cuidado de sentar no sofá de cada membro e poder conversar com ele”, relatou. “Eu levo daqui a convicção de que preciso cuidar da minha liderança para que ela cuide da igreja. Sozinho, o pastor não pode carregar a igreja nas costas.”



Desbravadores na linha de frente
O Batismo da Primavera tem uma força especial nos clubes de Desbravadores e Aventureiros, ministérios que trabalham diretamente com crianças, juvenis e adolescentes. Para o pastor Henrique Custódio, líder desses ministérios na ARF e responsável pela mobilização da Primavera, os clubes são um terreno fértil. “Os clubes têm uma força fantástica tanto de mobilização quanto pelo fato de sermos um ministério inteiramente relacional. A formação de um pertencimento muito forte na faixa etária que mais precisa desse sentimento gera um ambiente de bastante envolvimento com a missão”, explicou.
As ações práticas que ele propõe para os próximos meses são objetivas: foco total nas classes bíblicas, visitas pastorais junto aos clubes e eventos de celebração que marquem a finalização de mais um ciclo de estudo da Palavra por faixa etária.

O segredo de quem pastoreia há 38 anos
Um dos momentos mais marcantes do concílio foi a presença do pastor Edimar Sena, doutor em Ciências da Religião, autor de livros sobre pastoreio e com 38 anos de ministério. Ele veio com uma pergunta: o que te fez querer ser pastor?
“Eu procurei resgatar a honra e o privilégio de ser um pastor. Porque na jornada da vida a gente perde isso. Às vezes a gente acaba se tornando mais profissional, repetindo só o que vem fazendo ano após ano, e se esquece que acima do nosso chamado está um Deus que está nos guiando”, disse.


Sua mensagem sobre o equilíbrio entre as demandas e a essência do ministério foi direta. “O único meio de resgatar isso, pelo menos na minha experiência, é tomar tempo de comunhão com o Senhor Jesus Cristo. Quando nós pastores gastamos tempo com Deus, temos mais facilidade para enfrentar os desafios, recebemos a iluminação do Espírito Santo para ter novas ideias e aprendemos a compartilhar o ministério — saindo da delegação para o compartilhar. E desse modo, não só aliviamos a pressão, mas renovamos também as nossas forças.”
Ele encerrou sua participação com uma mensagem que os pastores levaram para casa: “Não desista. Você não está sozinho. Deus está ao seu lado.”
Departamentos alinhados, igrejas mobilizadas
O segundo dia do concílio foi marcado pela apresentação dos departamentos, não apenas com relatórios, mas com desafios e metas missionárias para os próximos meses. Para o pastor Moisés Oliveira, secretário da ARF, esse alinhamento é estratégico. “Quando os departamentos trabalham de forma integrada, toda a igreja caminha na mesma direção. Essa unidade fortalece o pastoreio, o discipulado e o evangelismo, envolvendo líderes e membros em um propósito comum: preparar pessoas para entregar a vida a Cristo no Batismo da Primavera.”
Sua expectativa para os resultados do concílio é: “Que cada pastor retorne ao seu distrito renovado, motivado e comprometido em pastorear pessoas, desenvolver o ancionato como parceiro nesse cuidado e mobilizar toda a igreja para o evangelismo e o discipulado.”


Destaques do concílio
Durante o concílio também foi lançado o livro "Inclusão é decisão", um novo guia que orienta igrejas sobre acolhimento. O material gratuito reúne guia prático e kit de recepção inclusiva para apoiar o acolhimento de famílias neurodivergentes nas igrejas.
O livro cobre desde a abordagem da recepcionista, com sugestões de frases e tom de voz até protocolos para momentos de crise, quando uma criança ou adulto entra em desregulação dentro da igreja. O material também orienta como montar uma Sala da Calma, como preparar uma história social para receber uma criança neurodivergente pela primeira vez e como conduzir uma visita pastoral a uma família com necessidades específicas, com uma ficha de visitação detalhada e disponível via QR Code.


Um território em missão
O evangelismo do Ministério da Mulher também foi um dos destaques do concílio, que reforçou a importância de envolver todos os departamentos nas diferentes ênfases das igrejas, celebrando o resultado de 200 vidas alcançadas através do batismo.


E dentro do tópico missão, o Serviço Voluntário Adventista SVA apresentou a missionária Kelly Evilácio, que aceitou o chamado para servir na Áustria, representando o território em uma missão voluntária em um colégio interno do país.


Projeto Maná
Entre as ênfases apresentadas durante o concílio também esteve o Projeto Maná, iniciativa da Igreja Adventista que incentiva o estudo diário da Lição da Escola Sabatina como base para a comunhão, o discipulado e a missão. O líder do Ministério Pessoal e Escola Sabatina da ARF, pastor Patrick Rangel, destacou que o projeto ajuda a fortalecer a identidade espiritual da igreja ao conduzir os membros a um estudo bíblico contextualizado e diário.
Segundo ele, a Escola Sabatina reúne comunhão, integração e missão, lembrando que “antes de olharmos para as pessoas e para as coisas, precisamos olhar para o alto, para o Senhor”. Para o pastor, o Maná é um movimento que estimula líderes, membros e pastores a renovarem diariamente sua dependência de Cristo, reconhecendo que a verdadeira identidade da igreja não está em suas funções, mas em Cristo Jesus.


