Notícias Adventistas

Bíblia

Da resistência em casa ao batismo: a história de fé de Marinaldo da Silva Oliveira

O testemunho revela como uma escolha feita ainda na adolescência muda o rumo de uma história e fortalece uma fé que resistiu às maiores adversidades.


  • Compartilhar:
Marinaldo, ainda jovem, ao lado dos pais e de alguns dos irmãos. Foto de Arquivo

Nascido em Anori, no interior do Amazonas, Marinaldo da Silva Oliveira cresceu em uma família numerosa. É o décimo segundo filho entre 13 irmãos — oito homens e cinco mulheres. Criado em um lar de tradição católica, nunca imaginou que sua vida tomaria um novo rumo a partir de uma visita da irmã mais velha.

Foi durante uma das viagens de fim de ano de sua irmã, Jucilene Oliveira, que a semente da mudança começou a ser plantada. Adventista do Sétimo Dia, ela costumava conversar com a mãe sobre a Bíblia. Em uma dessas ocasiões, falou sobre o sábado como o dia de descanso estabelecido por Deus.

Embora a mensagem fosse dirigida à mãe, quem teve o coração profundamente impactado foi Marinaldo. "Eu nunca tinha ouvido falar que o sábado era o dia santo do Senhor. Sem que ela percebesse, o Espírito Santo estava trabalhando no meu coração."

Na época, ele tinha apenas 14 anos. Pouco tempo depois da partida da irmã, sentiu um forte desejo de conhecer a igreja que ela frequentava quando visitava a cidade. "Tenho certeza de que foi um convite do Espírito Santo", relembra.

Até então, sua única experiência religiosa era na Igreja Católica, onde havia sido criado pelos pais. Mesmo sem conhecer ninguém na congregação adventista, decidiu participar do culto em um sábado pela manhã.
A recepção calorosa e o ambiente acolhedor marcaram aquele primeiro contato. "Fui muito bem recebido. Ali senti que era o lugar onde Deus queria que eu estivesse."

A partir daquele dia, passou a frequentar regularmente a igreja. Aos poucos, recebeu estudos bíblicos e aprofundou o conhecimento das Escrituras. Meses depois, surgiu o convite para o batismo. Entretanto, por ser menor de idade, precisava da autorização da mãe. Foi nesse momento que começaram os maiores desafios.

A oposição dentro de casa

A decisão de guardar o sábado chamou a atenção da família. Marinaldo trabalhava em uma fábrica de tijolos e, aos sábados, deixava de ir ao trabalho para participar dos cultos.

Sua mãe, profundamente ligada ao catolicismo, não aceitava a mudança. Segundo ele, além das constantes críticas à nova fé, passou a sofrer ameaças e castigos.

Em diversas ocasiões, quando permanecia na igreja durante o horário do almoço e fazia a refeição na casa de irmãos da congregação, voltava para casa e era repreendido.

Mesmo diante das dificuldades, encontrava conforto em uma fita cassete que havia recebido de presente de irmãos da igreja. Nela estavam gravados diversos hinos do Hinário Adventista.

Sempre que chegava dos cultos, colocava a fita para tocar e passava horas ouvindo as músicas. "Eu queria aprender cada hino. Eles fortaleciam a minha fé."

O dia em que um hino mudou tudo

Entre todos os cânticos, havia um que ocupava um lugar especial: "Firme nas Promessas". Foi justamente enquanto ouvia esse hino que viveu um dos episódios mais marcantes de sua caminhada cristã.

Naquele sábado, estava deitado em uma rede na sala quando percebeu que sua mãe, do lado de fora da casa, começou a debochar da letra da música. "Jesus não fez promessa nenhuma", repetia ela.

Mesmo ouvindo as provocações, Marinaldo continuou escutando o hino. Pouco depois, a mãe entrou na sala visivelmente irritada. Criticou a igreja, afirmou que ele estava sendo enganado e exigiu que desligasse o aparelho. Ele recusou. Então ela pegou uma vassoura e passou a ameaçá-lo. "Ela dizia que iria me bater se eu não parasse de ouvir aquele hino."

Ao lado da esposa e dos filhos, Marinaldo celebra a família que hoje compartilha os mesmos valores de fé e esperança. Foto de Arquivo

Em seguida, desligou o aparelho de som. Assim que ela saiu, Marinaldo voltou a ligar a fita. A reação foi ainda mais intensa. Ela retornou tomada pela raiva, segurando o cabo da vassoura, repetindo que iria agredi-lo.
Foi então que o adolescente tomou uma decisão que marcaria sua vida para sempre. Virou-se de costas, levantou a camisa e disse: "Mãe, pode bater. Bata com toda a força que a senhora tiver. Pode até me matar, mas eu não vou deixar de ouvir esse hino e nem vou deixar de ir à igreja. Tenho certeza de que Deus está me chamando."
Enquanto falava, também chorava. Disse ainda que acreditava nas promessas de Jesus e que não abriria mão da fé que havia encontrado.

Diante daquela atitude, a mãe permaneceu imóvel por alguns instantes. Com o cabo da vassoura nas mãos e tomada pela emoção, não conseguiu agredi-lo. Ela se virou, saiu da sala em silêncio e deixou o filho sozinho, chorando. Para Marinaldo, aquele momento representou muito mais do que um conflito familiar. Foi a confirmação de que sua decisão de seguir a Cristo permaneceria inabalável, independentemente das dificuldades.

Um novo capítulo

Apesar da forte resistência inicial, Marinaldo permaneceu firme em sua caminhada cristã e, posteriormente, foi batizado na Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Anos depois, a própria história da família ganhou novos capítulos. Seu pai, que nunca impediu sua decisão de frequentar a igreja — embora preferisse que o filho trabalhasse aos sábados — acabou aceitando a fé adventista antes de falecer.
Hoje, ao recordar sua trajetória, Marinaldo reconhece que cada desafio fortaleceu sua convicção. "O Espírito Santo começou uma obra em meu coração quando eu tinha apenas 14 anos. Desde aquele primeiro sábado, nunca mais duvidei de que Deus estava conduzindo a minha vida."

Marinaldo da Silva Oliveira hoje, é pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia.