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Conscientização e acolhimento marcam ações sobre o autismo em Colégio Adventista na zona leste de SP

Ao longo do mês de abril, Colégio Adventista de Vila Matilde promoveu ações como palestras, entrega de materiais e escuta ativa de famílias


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Unidade escolar produziu folder com orientações e curiosidades sobre o tema (Foto: Jatir Bernardo)

Visando reduzir o preconceito e, muitas vezes, a discriminação contra pessoas no Espectro Autista, ao longo do mês de abril, o tom azulado tomou conta de prédios, repartições públicas e diversas outras instituições na capital paulista, em apoio à campanha “Abril Azul”.

Na região leste de São Paulo, esse também foi o principal tema abordado pelo Colégio Adventista de Vila Matilde, que promoveu palestras técnicas, a entrega de materiais de apoio e, principalmente, a escuta sensível das vivências de famílias de pessoas autistas.

“A proposta de trabalharmos o mês de conscientização do autismo surgiu a partir da realidade dos alunos que atendemos, aliada ao crescente olhar da sociedade para o assunto. Essa iniciativa nos proporcionou a oportunidade de promover a conscientização e, ao mesmo tempo, abrir espaço para um diálogo significativo, sensível e necessário sobre o autismo”, explica Leonardo Cantuária, diretor do colégio.

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Experiência e acolhimento

A orientadora educacional do colégio, Pâmela Alfaia, foi uma das responsáveis por promover a escuta ativa no ambiente escolar. Mãe de Kalel, de 5 anos, diagnosticado com autismo desde 1 ano de idade, ela utilizou sua experiência e conhecimento para orientar e acolher outras famílias.

“Minha experiência impacta na forma como exerço meu trabalho aqui no colégio, com um olhar mais sensível e individualizado para cada aluno. Mais do que compreender teoricamente as necessidades educacionais, eu vivencio, na prática, esses desafios, as inseguranças e as conquistas. Isso me permite estabelecer um diálogo mais empático com as famílias”, relata.

Kalel nasceu em 2020, durante a pandemia. A experiência como educadora foi importante para a identificação dos primeiros sinais de autismo. No entanto, foi a caderneta de vacinação que ajudou Pâmela a acompanhar com mais clareza o desenvolvimento do filho.

“Muitos pais não se atentam ao que está registrado na carteirinha, mas ali constam todos os marcos do desenvolvimento da criança. Quando comecei a observar com mais atenção, percebi algumas diferenças importantes”, relembra.

Segundo Pâmela, os primeiros médicos consultados — que não eram especialistas — não deram a devida atenção aos seus questionamentos, principalmente com relação aos marcos de desenvolvimento. Após buscar profissionais especializados em Transtorno do Espectro Autista (TEA), Kalel iniciou terapias antes mesmo da conclusão do laudo.

“Como eu já estava nessa caminhada, não foi difícil aceitar o diagnóstico. Minha preocupação nunca foi os demais, sempre foi que se eu entrasse com atendimento precoce, o meu filho teria mais oportunidades, que ele iria superar as barreiras com mais facilidade”, ressalta.

Líder do Ministério das Possibilidades também abordou o tema com os alunos (Foto: Arquivo escolar)

Dados que revelam a realidade

Segundo dados do Censo Demográfico de 2022, foram identificadas 2,4 milhões de pessoas autistas no Brasil, cerca de 1,2% da população. Esta foi a primeira vez que o levantamento coletou dados específicos sobre o Transtorno do Espectro Autista, iniciativa que pode contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas mais inclusivas. Ainda de acordo com o estudo, a maior proporção de diagnósticos foi observada entre crianças de 5 a 9 anos.

“A partir dessa idade as crianças começam a frequentar a escola, onde há mais regras, demandas e necessidade de interação constante. É possível então perceber as dificuldades de cada um. O que antes era tratado como o “jeito da criança”, se torna um ponto de atenção tanto para professores quanto para os pais”, explica Vitoria Tavares, psicóloga infantil e especialista em TEA.

É também nesse período que aspectos do transtorno se tornam mais evidentes, como questões cognitivas, dificuldades sociais e interesses restritos. Iniciativas como as promovidas pelo colégio têm impacto não apenas na disseminação de conhecimento, mas também na promoção da inclusão e do respeito.

“O colégio considera essencial abordar essa temática por reconhecer que o conhecimento qualifica as práticas pedagógica – garantindo o desenvolvimento real dos alunos no espectro –, fortalece a comunidade escolar ao promover apoio e parceria com as famílias e contribui para a construção de uma cultura de respeito, combatendo o preconceito e formando um ambiente mais seguro, inclusivo e empático para todos”, ressalta Cantuária.

De acordo com a orientadora, após as iniciativas foi possível identificar a diminuição de falas capacitistas e até mesmo o bullying – tema amplamente trabalhado na instituição.

“O que mais me marcou foi perceber esse impacto real de ações planejadas, com intenção, no ambiente escolar. É um trabalho que deve ser feito com constância. Qualquer pequena mudança de postura, seja de professores, alunos ou pais, já mostra esse avanço significativo na construção de espaços mais respeitosos e inclusivos”, conclui.

O conhecimento compartilhado agora se transforma em ação prática, com um colégio mais preparado para acolher, compreender e desenvolver cada aluno em sua singularidade.