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Como nasce um cientista? Aula especial aproxima estudantes da pesquisa universitária

Alunos do Ensino Médio conheceram de perto o trabalho de pesquisadores da UFRJ e foram incentivados a transformar curiosidade em vocação


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Alunos do terceiro ano do Colégio Adventista de Itaboraí participaram da aula e conheceram mais sobre o universo da ciência e suas possibilidades. Foto: Juliana Zanezi

O que é preciso para se tornar um cientista? Para alunos do Colégio Adventista de Itaboraí, a resposta veio diretamente de quem vive essa realidade diariamente. Em uma aula especial realizada para estudantes do Ensino Médio, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) compartilharam experiências, apresentaram projetos científicos e mostraram como a pesquisa pode transformar vidas e contribuir para a sociedade.

A atividade teve como objetivo aproximar os jovens do universo da ciência, permitindo que conhecessem de perto o trabalho desenvolvido dentro de laboratórios universitários e compreendessem as diferentes possibilidades de atuação profissional na área da pesquisa. A iniciativa, promovida pela professora de biologia Karla Valença, reuniu alunos do ensino médio em torno de palestras e experimentos conduzidos diretamente pelos pesquisadores.

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Para Karla, o objetivo foi aproximar os jovens de um universo que muitas vezes parece distante. “Queremos mostrar para eles que por trás das descobertas existe um rosto, uma história e um propósito. Que aqui no nosso país existe uma ciência muito séria sendo desenvolvida e que eles não precisam ser só espectadores. Podem se tornar protagonistas, sendo futuros cientistas com descobertas que podem transformar a vida de milhares de pessoas”, afirmou.

A esperança, completou a professora, é que momentos como esse despertem algo que os próprios alunos ainda não perceberam. “Talvez escutar um doutor, um pesquisador, desperte uma vocação. Que eles possam olhar a ciência com outros olhos e ver nisso uma oportunidade de mudança de vida.”

De ex-aluno a pesquisador

Quem conduziu a aula foi o Dr. Samuel Valença, professor e pesquisador da UFRJ e ex-aluno do próprio Colégio Adventista de Itaboraí. Voltar às salas onde estudou para falar sobre ciência foi, nas suas palavras, um privilégio com sabor de nostalgia. “Eu lembro dos professores que me estimulavam. Isso acabou me direcionando ao percurso que vim a escolher. É um privilégio muito grande poder falar hoje para alunos desta escola e incentivá-los a trilhar o caminho da ciência.”

Para o pesquisador, a experiência prática é fundamental para ampliar a visão dos jovens sobre o que podem fazer com a formação que escolherem. “A ciência é o caminho a mais que você percorre quando pensa num determinado campo de conhecimento. O aluno não precisa ficar só na profissão que escolheu, ele pode trilhar o caminho da ciência depois da formação”, explicou.

Samuel também aproveitou a oportunidade para desfazer um equívoco comum. “Mesmo quem estudou na Escola Adventista pode se tornar um cientista. Não existe incompatibilidade entre ciência e religião”, afirmou.

O que os alunos levaram

Para Emanuel Moura Mesquita, 17 anos, a aula chegou em um momento de dúvidas sobre o futuro. “Eu tenho muita dúvida do que quero ser ainda. Mas eles foram falando e eu fiz uma pergunta porque tinha muito medo do que vai ser no meu futuro. Ele me respondeu de uma forma muito simples — e trouxe a ideia de que é possível sonhar alto”, contou.

A experiência, disse Emanuel, abriu uma perspectiva que ele não esperava. “Não é todo dia que a gente conhece pessoas da UFRJ aqui na nossa escola. A expectativa era muito alta e foi cumprida.”

Um diferencial que vai além da sala de aula

A parceria entre o colégio e a UFRJ é resultado de uma conexão construída por valores compartilhados. O Dr. Samuel, além de ex-aluno da instituição e enxerga o retorno à escola como uma forma de retribuir o que a educação adventista representou na sua trajetória.

“Nossa esperança é que eles se sintam motivados. Às vezes, ouvir um pesquisador pode despertar uma vocação que nem eles sabiam que tinham. Queremos que eles olhem para a ciência com outros olhos e vejam nela uma oportunidade de transformação e de mudança de vida”, concluiu Karla Valença.