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Wilson Borba

Wilson Borba

Sola Scriptura

As doutrinas bíblicas explicadas de uma forma simples e prática para o viver cristão.

Nossa atitude diante dos sinais da volta de Jesus

Palavra de Deus é o guia seguro no preparo para a volta de Jesus. (Foto: Shutterstock)

A pandemia do coronavírus, além de mudar o mundo[1], proporcionou oportunidade para juristas, filósofos e ativistas atuais analisarem o impacto global da doença. Além de proporem soluções as quais, usando a linguagem de Jünger, não aparecem em “períodos de calma produtores de ilusões de ótica”.[2]

Braulio García Jaén, em recente artigo publicado no jornal El País, retrata este momento crítico como oportuno por meio de provocativa afirmação e inquietante pergunta: “Crises globais exigem soluções globais: é hora de criar uma Constituição mundial?” Jaén menciona um grupo de juristas e ativistas atuais, apresentando norma que sirva de “bússola de todos os governos para o bom governo do mundo”.[3]

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O referido grupo lançou a ideia de uma Constituição da Terra como ferramenta de governo globalizado. Mas o que é a Escola Constituinte Terra? É uma escola fundada recentemente em Messina, Itália, com o objetivo de ativar não apenas um pensamento, mas, também, fornecer um novo recurso para frear e até reverter a tendência destrutiva do planeta.[4] Este recurso e instrumento é uma “constituição da Terra para salvá-la hoje”.[5]

Entre os promotores da Constituição da Terra se destaca Luigi Ferrajoli,[6] professor da Universidade de Roma Tre[7] e autor de Constitucionalismo más allá del Estado. Para ele, a pandemia planetária da coronavírus é “uma dramática confirmação da necessidade e da urgência de realizar um constitucionalismo planetário: aquele proposto e promovido pela escola “Constituinte Terra” que inauguramos em Roma no dia 21 de fevereiro”.[8]

O que diz a Bíblia?

O que a Bíblia ensina sobre alguma tentativa de futuro governo mundial na Terra? As Escrituras declaram que ocorrerá uma união religiosa, social e política de apoio à besta (Apocalipse 13:1-4, 11-15; 17:12-14) e à “Babilônia, a Grande, a Mãe das Meretrizes e das Abominações da Terra” (Apocalipse 13:1-4, 11-15; 17:5, 12-14). A palavra Babilônia deriva de Babel, que originalmente significava “a porta de Deus”, e, também, confusão.[9] “O termo Babilônia é empregado nas Escrituras para designar as várias formas de religião falsa ou apóstata. Em Apocalipse, capítulo 17, Babilônia é representada por uma mulher – figura que a Bíblia usa como símbolo de igreja.”.[10]

Há um paralelo interessante entre a antiga Babel e a Babilônia do final da história descrita no Apocalipse. A construção da Torre de Babel foi uma rebelião mundial contra Deus (Gênesis 11:1-3).  “Os homens de Babel tinham-se decidido a estabelecer um governo que fosse independente de Deus”.[11] Aquela união tornou-se símbolo da união iníqua de apoio à besta e a Babilônia destes últimos dias.

Assim como os construtores de Babel estavam unidos para formar um governo mundial, os apoiadores da Babilônia no final da história têm “um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem” (Apocalipse 17:13). Enquanto o projeto de governo mundial de Babel foi derrotado por Deus, os governos da Terra, em vão, “entregarão à besta seu poder e autoridade e pelejarão contra o Cordeiro”, porque “o Cordeiro os vencerá, pois é Senhor dos senhores e o Rei dos reis” (vs. 14). Mas o objetivo deste artigo não é aprofundar-se no estudo deste tema.

Sinais do fim

O propósito é considerar qual a atitude adequada ante os sinais da segunda vinda de Cristo. A propósito, os sinais dados pelo Senhor Jesus Cristo em relação a sua vinda são realmente importantes. Ninguém deveria duvidar de que a pandemia é um dos eloquentes sinais da volta de Cristo. No sermão do Monte das Oliveiras o Senhor deu vários sinais que precederiam o Seu retorno, como por exemplo “epidemias e fomes em vários lugares” (Lucas 21:11). No entanto, há pelo menos quatro perigos a evitar em relação aos sinais relacionados ao tempo do fim.

(1) Panicodemia. Como sabemos, não adianta reagir com desespero diante da coronavírus. Precisamos seguir as recomendações quanto a lavar as mãos, manter a distância, o isolamento recomendado, usar máscaras, entre outras atitudes. Cristo anunciou com antecedência os sinais do fim e nos deu recomendações. Mas não fez isso para nos aterrorizar, porém para que estejamos despertos, alertas e preparados para o Seu retorno. Devemos fixar na mente que sinais não produzem esperança. É Deus e Sua Palavra que nos dão esperança (Salmo 71:5; 146:5; Atos 24:15; Romanos 15:4, 13; 1 Pedro 1:21). Se sua religião for centralizada nos sinais, será levado ao medo e terror, pois, “haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados (Lucas 21:26).

(2) Paixonite pelos sinais. Os sinais não foram dados para ser um fim em si mesmo, mas servem para apontar algo muito melhor e maior. Eles funcionam como placas de avisos colocadas em uma rodovia. Imagine uma pessoa sedenta viajando em seu automóvel, e de repente avista uma placa com o anúncio “suco de laranja a 1 quilômetro”. Uma atitude saudável seria ler o aviso da placa, e dirigir-se ao local indicado para tomar o suco de laranja. Mas quanta insensatez seria aquele indivíduo terminar sua viagem ali, descer do carro e permanecer estático, admirado, apaixonado contemplando a placa, e ainda desviando outros do caminho.

Infelizmente, há pessoas que se apaixonam mais pelos sinais da vinda de Cristo do que pela vinda do Senhor (Tito 2:13). Paulo não escreveu que a coroa da justiça está reservada aos que amam os sinais da volta de Cristo, mas para aqueles que “amam a Sua vinda” (2 Timóteo 4:8). O Senhor Jesus Cristo e a Sua segunda vinda são muito mais importantes do que todos os sinais.

(3) Fanatismo. Quando a histeria em torno dos sinais do tempo do fim toma conta de alguns indivíduos, eles terminam se apaixonando mais por notícias catastróficas do que pelo próprio Senhor e Salvador Jesus Cristo. Fatalmente se desequilibram, tornando-se impacientes até ao ponto de marcarem datas para o retorno de Cristo. Com certeza, as profecias bíblicas se cumprirão plenamente. Nós devemos, por isso, tomar cuidado para não fazermos alarmes, como fazem os falsos anunciadores.  Sim, somos adventistas, mas não somos alarmistas. Pertencemos a uma igreja profética, mas não somos sensacionalistas nem marcadores de datas. Com fé em Deus, e estudo das profecias bíblicas devemos manter uma ardente expectativa da segunda vinda de Cristo, e ao mesmo tempo pacientemente aguardar a volta do Senhor, sem fanatismo e sem sensacionalismo (Romanos 8:19, 25).[12]

(4) Conspiração contra a missão. Pregadores sensacionalistas, cuja mensag­em causa medo e histeria, atuam não como verdadeiros missionários, mas contra a missão da Igreja. Jesus não disse: “E esta pandemia será pregada no mundo inteiro em testemunho a todas as nações, então virá o fim”. Ele também não declarou: “e este movimento da Constituição da Terra, ou de uma reunião do papa será pregado em testemunho a todas as nações, então virá o fim”. Na verdade, Ele afirmou: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim” (Mateus 24:14). O fim não será determinado pelo ecumenismo, nem ecomenismo, nem por uma reunião em Roma, ou cataclisma mundial, mas pela pregação do evangelho bíblico do reino de nosso Senhor Jesus Cristo.

O Senhor não ligou de modo determinativo a sua vinda a algo negativo. O que foi anunciado nas profecias terá de acontecer. Deixemos que elas se cumpram. O verdadeiro pregador apresentará fielmente os sinais que prenunciam o retorno de Cristo com ardente expectativa do retorno do Senhor, mas sem produzir no povo terror, fanatismo em torno de datas. E mesmo sem conspirar contra a missão de salvar pessoas. Daí a necessidade de apresentar profecias, e o cumprimento delas de forma cristocêntrica.

Sempre na moldura do evangelho eterno da salvação alcançada por Cristo na cruz, e aplicada diariamente em nosso favor no Santuário celestial.  Centralizemos nossa mensagem em Cristo, o centro da nossa esperança. Que Deus nos abençoe para isto!

Veja um conversa com um especialista em profecias a respeito do tema:


Referências:

[1]Camila Brandalise e Andressa Rovanide, “100 dias que mudaram o mundo”,  https:// www.uol.com.br/ universa/reportagens-especiais/coronavirus-100-dias-que-mudaram-o-mundo/#100-dias-que-mudaram-o-mundo, acessado em 09.04.2020 às 15:21 hs.

[2]Ernst Jünger, The Forest Passage & Eumeswill. Welsburg Archives, citado por Braulio García Jaén, 04.04.2020, 16:31). https://brasil.elpais.com/ideas/2020-04-04/crises-globais-exigem-solucoes-globais-e-hora-de-criar-uma-constituicao-mundial.html.

[3]Ibidem.

[4]Luigi Ferrajolli, Il Manifesto, 17-03-2020. Ver: http://www.ihu . unisinos.br/78-noticias /597204-o-virus-poe-a-globalizacao-de-joelhos-artigo-de-luigi-ferrajoli, acessado em 09.04.2020 às 19:42 hs.

[5]Raniero La Valle, “Por uma escola e uma constituição da Terra”,  http://www.ihu. unisinos.br/78-noticias/595259-por-uma-escola-e-uma-constituicao-da-terra-artigo-de-raniero-la-valle 18. 12.2019, acessado em 09.04.2020 às 19:40 hs.

[6]Luigi Ferrajolli, Constitucionalismo más allá del estado, trad. de Perfecto Andrés Ibáñez. Madrid, 2018, 92 pp.

[7]Revista de la Facultad de Derecho de México, Tomo LXIX, Número 274, Mayo – Agosto 2019 10.22201/fder.24488933e.2019.274-2.70056, p. 1073.

[8]Luigi Ferrajolli, Il Manifesto, 17-03-2020. Ver: http://www.ihu . unisinos.br/78-noticias /597204-o-virus-poe-a-globalizacao-de-joelhos-artigo-de-luigi-ferrajoli, acessado em 09.04.2020 às 19:42 hs.

[9]C. Mervyn Maxwell, Uma nova era segundo as profecias do apocalipse, 3ª ed. Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2012, p. 476.

[10]Ellen G. White, O Grande Conflito. Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 381.

[11]_______, Patriarcas e Profetas, Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira p. 123.

[12]Wilson Borba. https://noticias.adventistas.org/pt/coluna/wilson-borba/iminencia-sim-radicalizacao-nao/

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