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Rafael Rossi

Rafael Rossi

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Estudos bíblicos virtuais

Estudos por meios virtuais têm se tornado cada vez mais populares e adventistas investem com força nesta modalidade. (Foto: Shutterstock)

Desde o seu nascimento, a Igreja Adventista do Sétimo Dia sempre esteve envolvida com alguma forma de pregação. Os primórdios se deram como um movimento evangelístico público, enfatizando a purificação do santuário celestial conforme Daniel 8:14. Não é nenhuma surpresa que até os nossos dias, essa seja uma parte vital do ministério Adventista.

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Temos uma mensagem de advertência a todo o mundo. A pregação do evangelho é o centro do cristianismo e o tema mais importante para o qual todos os crentes são chamados. Vivemos nos momentos finais da história deste mundo e é por isso que não podemos nos esquecer do papel que temos como cristãos. É preciso proclamar a última mensagem de advertência de Deus e isso deve se dar por diferentes métodos.

Método divino

Uma das formas historicamente mais eficazes são os estudos bíblicos. Esse método começou entre os adventistas quando o pastor Stephen Haskell pregava um sermão durante uma assembleia realizada na Califórnia, Estados Unidos. Repentinamente, começou uma grande tempestade acompanhada de fortes trovões. A chuva caía com força sobre a tenda e os repetidos trovões impediram que o povo ouvisse as palavras do pregador.

Sem conseguir se comunicar com a multidão que o acompanhava, o pastor Haskell parou de pregar e reuniu um grupo de pessoas em torno de si no centro do pavilhão. Ele decidiu distribuir textos bíblicos entre eles, e começou a formular perguntas com respostas que poderiam ser encontradas nos próprios textos. As pessoas se tornaram replicadoras da mensagem ao repassarem o conteúdo adiante. Essa estratégia de perguntas e respostas causou uma profunda impressão nas pessoas. Ao final, muitas decisões foram feitas.

No dia seguinte, o pastor Haskell e outros pastores foram convocados por Ellen White, que lhes disse que aquela iniciativa estava em harmonia com a luz que ela havia recebido do céu. Ela afirmou que havia contemplado em visão milhares de adventistas indo de casa em casa com a Bíblia debaixo do braço, ensinando a verdade dessa maneira. O método estava validado por Deus e tem sido uma ferramenta usada pela Igreja desde então.

Realidade pandêmica

Com a crise do coronavírus, entramos em um momento sensível da história. Um sentimento natural de medo de contágio e receio pelo futuro da economia se alastrou. Qualquer cenário de desequilíbrio emocional pode gerar reações com potencial para corroer as boas relações pessoais e institucionais.

Em meio à pandemia, com o esforço de todos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia se levantou como um porto seguro. Trabalhamos pelo bem comum, fomos responsáveis socialmente, vigilantes e confiantes na providência de Deus. O respeito e a dignidade são valores que preservamos com todas as nossas forças, mais ainda em tempo de crise. Reconhecemos, desta forma, a importância da função da igreja em levar esperança às pessoas com a mensagem que nos foi confiada pelo próprio Deus.

Papel estratégico da comunicação

De uma hora para outra, com o isolamento social, fomos levados rapidamente para o distanciamento das pessoas. Foi preciso repensar as antigas práticas e como vivemos em sociedade. Em diversos setores, a tecnologia foi para o centro da questão. Algumas pessoas precisaram adaptar os seus trabalhos para o online. O mesmo aconteceu com a igreja, em que a área de comunicação foi para o núcleo de toda a operação, passando a ser um dos mais importantes meios de reunir as pessoas e pregar sobre salvação e esperança.

Isso exigiu agilidade nas decisões e resposta imediata a crise que começava a se deflagrar. Foi preciso usar força total para chegar aos corações e, a despeito de toda conjuntura, aproveitar as oportunidades para apresentar Jesus.

O uso dos impressos, do rádio e da televisão sempre foram explorados pelo movimento adventista. Há um pioneirismo no evangelismo nessas mídias. Mais recentemente, desde 2017, a igreja está fortalecendo sua estrutura com o uso da tecnologia digital para o evangelismo. Por exemplo, a implantação da Escola Bíblica Digital e a plataforma de vídeos Feliz 7 Play, marcaram uma nova fase nesse processo para aproveitar os recursos mais modernos e assim conectar as pessoas com a salvação.

Um passo à frente

Há textos de Ellen White que confirmam a necessidade de atualização e modernização em nossos métodos de evangelismo de acordo com os tempos em que se vive.

“Há necessidade de homens que orem a Deus pedindo sabedoria e que, sob a orientação divina, possam pôr nova vida nos antigos métodos de trabalho e inventar novos planos e métodos modernos de despertar o interesse dos membros da igreja, alcançando os homens e as mulheres do mundo” (Evangelismo, página 105).

“Deus escolhe os Seus mensageiros, e lhes dá a Sua mensagem; e Ele diz: ‘Não os embaraceis’ Lucas 18:16. Novos métodos precisam ser introduzidos. O povo de Deus precisa despertar para a necessidade do tempo em que estão vivendo” (Refletindo a Cristo, página 234).

“Seja qual for que tenha sido vossa prática anterior, não é necessário repeti-la sempre e sempre, da mesma maneira. Deus deseja que sigamos métodos novos e ainda não experimentados. Apresentai-vos rapidamente ao povo — surpreendei-os” (Evangelismo, página 125).

“Ao serem advogados novos métodos, tantas indagações duvidosas têm sido apresentadas, tantos concílios reunidos para que se pudessem discernir todas as dificuldades, que os reformadores têm sido entravados, e alguns deixaram de insistir em reformas. Parecem impotentes para resistir à corrente de dúvidas e críticas. Foram relativamente poucos os que receberam o evangelho em Atenas, porque o povo nutria orgulho de sabedoria intelectual e mundana, e reputavam loucura o evangelho de Cristo. Mas ‘a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens’. Portanto ‘pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos; mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus’ 1 Coríntios 1:25, 23, 24” (Conselhos sobre Educação, página 127).

Oportunidade no meio digital

Ou seja, não se pode apenas enfatizar uma visão negativa sobre o mundo digital. Por isso, a Igreja desenvolveu uma atendente digital, a Esperança, que trabalha dando estudos bíblicos e tirando dúvidas ininterruptamente pelo WhatsApp. Os testemunhos se multiplicam a cada semana pela quantidade de pessoas que recorrem ao serviço para conhecerem mais sobre a salvação e a Bíblia.

Estou convencido sobre a necessidade da tecnologia para a pregação do evangelho. Iniciativas como estudos bíblicos e classes bíblicas pelo WhatsApp estão sendo explorados como mais uma opção para ensinar a Bíblia. Buscamos multiplicar possibilidades para as pessoas conhecerem mais sobre a Jesus por meio do seu celular. Essas tecnologias não substituem o que fizemos até aqui, de forma presencial, mas representam a busca por permanecer relevantes e ligados com as pessoas na sua forma e estilo de vida contemporâneo.

Mantenha uma rede de contatos, compartilhe mensagens que edificam, testemunhe do que Cristo fez em sua vida e aproveite cada oportunidade para levar esperança às pessoas. Assim, cumprimos a missão de pregar o evangelho a todo o mundo, em todas as culturas e para todas as gerações com as ferramentas e as possibilidades que a tecnologia nos dá.

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