As novas regras para a aposentadoria e suas implicações
Saiba como se planejar financeiramente para viver com tranquilidade no futuro

No artigo anterior havia anunciado uma série sobre os três grandes segmentos de investimentos. No entanto, há poucos dias o Poder Executivo do Brasil enviou para o Poder Legislativo uma proposta para alterar a forma da concessão dos benefícios previdenciários para os trabalhadores brasileiros. Diante disso, nada mais apropriado do que abordar essa questão primeiro.
Segundo a nova proposta, o tempo mínimo de contribuição passa de 15 para 25 anos. A idade para a aposentadoria, que era de 60 anos para homens e 55 para mulheres, passará a ser 65 anos para ambos os sexos. Ao fazer meu cálculo segundo a nova regra, descobri que ao invés de obter a aposentadoria em julho de 2034, quando estaria com 60 anos completos, isso só acontecerá em julho de 2039, ao atingir os 65. Mesmo trabalhando cinco anos a mais, não terei a condição de receber o valor completo, pois não terei os 49 anos de contribuição exigidos pelo novo texto da proposta de lei, que anteriormente era de 35 anos.
Leia também:
Em um mundo onde a competitividade é crescente, onde a tecnologia se renova a cada momento, será que todos terão condições físicas, mentais e emocionais para garantir a empregabilidade até o momento da aposentadoria? De olho nesse cenário, parece prudente criar a própria aposentadoria e não depender do Estado, pois esta não foi a primeira e nem será a última mudança nas regras da aposentadoria.
Mas para estabelecer sua própria aposentadoria é preciso introduzir a educação financeira na rotina de vida.
Para começar, separe um valor mensal para esta finalidade. A quantia vai depender de sua idade atual e da idade em que planeja se aposentar. Investindo 10% da renda por 35 anos a juros reais de 0,5% ao mês, será possível receber a mesma renda que sempre recebeu por 21 anos. Para quem dispõe de 25 anos para acumular a reserva, será necessário investir 20% da renda a juros reais de 0,5% ao mês para chegar ao mesmo resultado.
Onde investir?
Como havia falado no artigo anterior, basicamente existem três grandes segmentos de investimento: renda fixa, renda variável e imóveis. Dentro deles existem subgrupos, tais como renda fixa pós e pré-fixado, renda variável listada na Bolsa de Valores ou cotadas como private equity e imóveis residenciais ou comerciais. Existem investimentos para os mais conservadores e para os que gostam de correr riscos. Nos próximos textos aprofundaremos a abordagem sobre cada um deles.
Ao entender onde está o risco, fica mais fácil decidir onde investir. Assim, precisamos saber quem está emitindo o título para saber seu grau de risco. Quando vamos ao banco e investimos num CDB (Certificado de Depósito Bancário), estamos comprando o risco do banco que o emitiu. Quando investimos em debêntures, estamos comprando o risco da empresa que emitiu este título. Quando investimos no Tesouro Direto ou qualquer outro título emitido pelo governo, estamos comprando o risco do País.
Para sabermos qual é o mais conservador, fazemos a pergunta: “Entre o banco, a empresa e o governo, qual dos três tem a maior probabilidade de remunerar o valor que investi no título emitido por ele?” Quanto mais certeza de recebimento do valor investido, menor será o risco. Para quem gosta deste tipo de investimento, chamamos de investidor conservador. No entanto, pode ser que você goste de correr riscos e pense: “Esta empresa não é tão segura, mas a remuneração que ela está disposta a pagar é muito maior.” Esse é o investidor agressivo. Existem pessoas que ficam entre o conservador e o agressivo. Minha dica é: diversifique.
Pensando em se resguardar quanto ao futuro financeiro pessoal, sempre é válido reforçar que toda escolha deve ser feita com sabedoria. Eclesiastes 7:12 nos lembra que “a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência do conhecimento dá a vida ao seu possuidor.”