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Michelson Borges

Michelson Borges

Ciência e Religião

As principais descobertas da ciência analisadas do ponto de vista bíblico.

Há 150 anos nascia o pioneiro do criacionismo moderno

Descrito como cordial, caloroso e amigável, ao escrever Price empunhava sua caneta de forma determinada (Foto: Shutterstock/Arquivos da Associação Geral da Igreja Adventista)

No livro The Creationists, o acadêmico Ronald Numbers afirma que o criacionismo espalhou-se rapidamente durante o século 20, desde seu humilde começo “nos escritos de Ellen White”. Mark Noll também sublinha que o criacionismo moderno emergiu dos esforços dos adventistas do sétimo dia. Outro estudioso que reconhece esse “DNA criacionista” adventista é o físico Eduardo R. da Cruz, organizador do livro Teologia e Ciências Naturais (Paulinas). Na página 239, é dito que “o criacionismo não consiste na sobrevivência de uma cosmovisão pré-científica; ao contrário, trata-se de um fenômeno moderno, ligado primariamente aos adventistas”.

Mas se há um nome que pode ser considerado o pioneiro do criacionismo moderno é o do canadense George McCready Price (1870-1963), justamente por ter se aprofundado em áreas como biologia e geologia, relacionando suas pesquisas e descobertas à cosmovisão bíblica.

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Ele publicou 25 livros entre 1902 e 1955, sendo sua obra mais aclamada o The New Geology, de 1923, com 726 páginas. Para George Marsden, historiador e professor emérito da Universidade Notre Dame, nos Estados Unidos, Price é o “principal precursor” da abordagem de uma Terra jovem e de um dilúvio universal. Henry Morris, conhecido autor criacionista batista, em seu livro História do Criacionismo Moderno, reconhece que “o escritor criacionista mais importante da primeira metade do século […] foi um notável homem […] chamado George McCready Price. […] Seu vasto conhecimento científico e bíblico, sua lógica cuidadosa e seu belo estilo de escritor causaram-me profunda impressão quando comecei a estudar esse interessante tema, no início da década de 1940”.

Price também escreveu inúmeros artigos para revistas cristãs amplamente lidas, tais como Sunday School Times, Moody Monthly e Princeton Theology Review, além de ter alguns deles publicados em periódicos de divulgação científica, como Panamerica Geologist e Scientific American, o que certamente constituía uma proeza para qualquer escritor criacionista.

Em busca da verdade

Quase que inteiramente autodidata, Price cursou o bacharelado na Faculdade de Loma Linda, nos Estados Unidos, em 1912, embora já estivesse lecionando nessa faculdade disciplinas como latim, grego, química e física. No decorrer de sua carreira, ensinou várias disciplinas em diversas escolas adventistas. Mas rapidamente a geologia se tornou sua principal área de atuação, pois percebeu que se tratava de um tema fundamental para refutar o modelo evolucionista e restaurar a fé na Bíblia.

“Com certeza, ele era de longe mais bem-educado, no verdadeiro sentido da palavra, do que 90% dos PhDs e ThDs manipulados pela metodologia rotineira das instituições escolares”, escreveu Henry Morris. Mesmo assim, foi continuamente ridicularizado por seus críticos pelo fato de (como Darwin) não ter formação específica em sua principal área de estudos.

Muitos dos seus alunos continuaram a contribuir com a causa criacionista. Entre eles estão Harold Clark, Ernest Booth, Clifford Burdick, Frank Lewis Marsh e outros. Marsh (1899-1992) obteve um PhD em Biologia na Universidade de Nebraska (primeiro adventista com doutorado nessa área), lecionou em diversas escolas adventistas, escreveu uma série de excelentes livros criacionistas e foi o primeiro diretor do Geoscience Research Institute, instituição de pesquisa e ensino localizada no campus da Universidade de Loma Linda e ligada à sede mundial da Igreja Adventista.

Segundo a Enciclopédia Adventista, “em 1891, quando George [Price] tinha 21 anos, matriculou-se no Battle Creek College (hoje Andrews University) em Michigan. Os cursos de estudo ‘clássico’ e ‘científico’ eram oferecidos. Ele escolheu o curso clássico porque queria ser escritor. O Battle Creek College, fundado em 1874, estava situado no epicentro do adventismo”.

Devido a dificuldades financeiras, teve que voltar ao Canadá e concluiu seus estudos na Escola Normal Provincial de New Brunswick (hoje Universidade de New Brunswick). No curso de treinamento de professores, Price estudou áreas como a mineralogia. “Em 1897, ele começou a carreira de instrutor em uma pequena escola rural e, alguns anos depois, tornou-se diretor de uma escola pública na vila de pesca e agricultura francófona de Tracadie, New Brunswick.”

Ainda na juventude, leu inúmeros livros de Geologia e fez uma assinatura da revista científica britânica Nature. “Desde a infância, Price acreditava em um dilúvio mundial e em uma criação recente”, diz a Enciclopédia Adventista, e os pontos de vista conflitantes encontrados nos livros evolucionistas e em outras literaturas “o deixaram profundamente confuso e perturbado. No entanto, ele encontrou uma solução no livro Patriarcas e Profetas, de Ellen G. White. ‘Comecei a ver meu caminho através do problema e a ver como os fatos reais das rochas e fósseis, despojados de meras teorias, refutam esplendidamente essa teoria evolucionária da ordem invariável dos fósseis, que é a própria espinha dorsal da doutrina da evolução’”, escreveu Price.

Uma vida dedicada ao ensino

“Em 1907, o conselho da faculdade de Loma Linda pediu a Price que assumisse o ensino de latim, grego e química para estudantes de enfermagem. […] Além do ensino regular, Price servia como tutor para novos alunos de medicina com deficiências acadêmicas. Roy M. Baker, um dos alunos de Price, lembrou que o professor ‘era conhecido entre nós como o homem que engoliu o dicionário e se lembrava de tudo’.”

“Em 1920, o Pacific Union College (PUC), em Angwin, Califórnia, ofereceu a Price o cargo de professor, que ele ocupou pelos quatro anos seguintes. O PUC concedeu-lhe o título de Mestre em Artes, em homenagem ao seu trabalho criacionista. […] Em 1924, Price assumiu um cargo no Stanborough Missionary College, nos arredores de Londres. [Assim ele teve a oportunidade de] se familiarizar com a geologia da Grã-Bretanha e do continente europeu. Durante seus quatro anos em Stanborough, Price pôde viajar para a Alemanha, Espanha, Escandinávia e outros países, nos quais visitou museus, examinou a geologia e deu palestras em universidades e para grupos de ministros.”

George McCready Price morreu em 24 de janeiro de 1963, aos 92 anos, deixou um grande legado literário e inspirou gerações sucessivas de pesquisadores criacionistas dentro e fora do universo adventista. Em 1973, a Universidade Andrews homenageou o pioneiro e ex-professor dando ao seu novo prédio de biologia o nome dele.

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