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Heron Santana

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Estudos e ações inovadoras que promovem transformações sociais e ajudam a Igreja a ampliar seu relacionamento e interação com a sociedade.

Por que a Igreja precisa responder ao desafio da exclusão digital

Jovens podem ser uma ponte entre outros jovens (ou pessoas com mais tempo de vida) e a tecnologia (Foto: Shutterstock)

No final de janeiro deste ano, a Alphabet, empresa dona do Google, anunciou o encerramento do projeto Loon. A iniciativa tinha o objetivo de levar conectividade a áreas remotas do mundo por meio de balões. O projeto chegou a fazer testes em áreas isoladas do Quênia, mas não conseguiu seguir adiante. Sobravam boas intenções e faltavam pragmatismo e viabilidade comercial.

Na mesma semana em que o ousado projeto Loon chegava ao fim, o portal Uol publicou reportagem com o título “Pobreza e exclusão digital estragam preparação ao Enem no sertão nordestino”. O texto trazia depoimentos de pessoas vivendo um drama: a incapacidade de se preparar e até mesmo participar das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em sua versão digital. E isto aconteceu pela mesma razão que motivou a criação dos balões do Google: a exclusão digital.

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A pandemia ampliou desigualdades sociais e econômicas, expandindo o abismo entre ricos e pobres e apontando o resultado deste desequilíbrio em áreas diversas. A exclusão digital é parte deste desequilíbrio. Já era um problema antes da covid-19, mas a pandemia enfatizou a escala de desigualdade no acesso à tecnologia e o impacto que isso pode ter nas perspectivas das pessoas a longo prazo.

No Brasil, quatro em cada cinco lares têm acesso à internet. Há, no entanto, 45,9 milhões de pessoas no universo brasileiro de excluídos digitais. Isso representa cerca de 25% da população do País, com 10 anos ou mais de idade, vivendo a escuridão digital. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua – TIC) de 2018, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar do impacto da economia nesse levantamento, o problema da exclusão digital no País não se resume a acessibilidade, como é o caso dos estudantes sertanejos do Nordeste incapacitados de se preparar para o exame do Enem. Há aqueles que têm outra dificuldade, que é de educação digital. Entre os motivos para a falta de acesso à internet, 41,6% disseram que não sabiam usar a rede.

Janela de oportunidades

E o que isso tem a ver com a Igreja? Absolutamente tudo. No período da pandemia, a Igreja Adventista do Sétimo Dia ampliou seus serviços digitais. Com as restrições e lockdowns, templos tiveram suas atividades presenciais temporariamente suspensos, e o distanciamento social ainda é uma medida efetiva de enfrentamento à pandemia. Em uma realidade assim, a inclusão digital é garantia de inserção em tudo aquilo que a realidade digital oferece: aprendizagem, renda, comunidade e, claro, adoração e experiência cristã.

É um contexto que leva a acreditar que a Igreja seria beneficiada ao inspirar voluntários para responder à exclusão digital. Assim como beneficiaria outras pessoas. E isto poderia ser feito a partir das duas realidades desse tipo de exclusão: acessibilidade e educação.

Na área de acessibilidade, os templos poderiam fazer o levantamento nas comunidades circunvizinhas e em meio aos próprios membros para descobrir se há alguém próximo à congregação vivendo este desafio. A partir daí, é possível fazer campanha entre os membros e amigos para doações. Desde laptops usados até a conexão 4G para estudantes sem acesso à internet. É um trabalho que apresenta uma oportunidade de relacionamento da igreja com diversos segmentos sociais, do poder público ao empresariado.

Na outra necessidade, a de educação digital, a igreja local poderia abrir seus espaços e até mesmo espaços virtuais para ajudar pessoas carentes de alfabetização digital. Há muita gente que poderia alcançar desenvolvimento ao aprender a melhor usar as redes sociais e a internet, extraindo todo o potencial que esta rede oferece e aprendendo a escapar de suas inevitáveis armadilhas. Seria um ganho excepcional para a qualidade de vida dessas pessoas, em aspectos sociais, econômicos, mentais e espirituais.

Enquanto pregava no deserto, se preparando para a chegada de Jesus, João Batista ensinou que uma das formas de estar pronto para a vinda do Messias era por meio da partilha. “Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira”, disse ele (Lucas 3:11).

É um conselho que pode ser usado também como resposta a este desafio digital tão limitante para as pessoas ao redor da igreja, ou mesmo dentro dela: Vale partilhar aquela camiseta esquecida no guarda-roupa e também aquele smartphone ou laptop que você não usa mais, bem como criar movimentos para compartilhar acesso à internet para quase 26 milhões de brasileiros excluídos da sociedade digital.

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