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Heron Santana

Heron Santana

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Jesus Cristo na pós-modernidade

A forma como Cristo lidou com as pessoas fala muito sobre o tipo de espiritualidade que precisamos exercer hoje, período de pós-modernidade. Foto: Shutterstock

Dias atrás, almocei com um amigo meu, professor de Filosofia. Uma conversa daquelas que não se esquece. Falamos sobre a fé, sobre a igreja, sobre esse momento específico da história humana. E falamos sobre Jesus Cristo. A certa altura, tentamos lembrar da última mensagem que ouvimos, nas diferentes igrejas que visitamos, que tenha sido centrada apenas na pessoa de Jesus Cristo. Foi curioso. Não conseguimos lembrar. Passamos a refletir sobre isso: a oportunidade que temos de mostrar Jesus Cristo como resposta a muitos anseios e dilemas experimentados atualmente, na época da pós-modernidade.

Falar sobre Jesus, viver Jesus essencialmente, desenvolver relações interpessoais e tomar decisões sob a inspiração do exemplo de Cristo. Enquanto conversávamos, lembrei de uma palestra sobre tolerância religiosa e empatia, da qual participei em Juazeiro, norte da Bahia. Abordei o texto do capítulo 1 do livro A Ciência do Bom Viver, de Ellen White. “Nosso exemplo” é o título desse capítulo.

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No texto, é possível perceber o padrão ético e moral de Jesus, em seus relacionamentos sociais, enquanto esteve na Terra. Extraídos desse livro.

Cristo viveu para todos

“Cristo não conhecia distinção de nacionalidade, posição ou credo. Os escribas e fariseus desejavam fazer dos dons celestes um privilégio local e nacional, e excluir o resto da família de Deus no mundo. Mas Cristo veio derrubar todo muro de separação”. (página 25)

Cristo não viveu pautado por polarizações políticas ou ideológicas

“Nenhuma questão política Lhe influenciava a maneira de agir. Não fazia diferença alguma entre vizinhos e estranhos, amigos e inimigos. O que tocava Seu coração era uma alma sedenta pelas águas da vida”. (página 25)

Cristo não fazia distinção de classes sociais

“A vida de Cristo estabeleceu uma religião em que não há diferenças, a religião em que judeus e gentios, livres e servos são ligados numa fraternidade comum, iguais perante Deus”. (p. 25)

Cristo mostrou que se preocupava com a vida de todas as pessoas

“À mesa dos publicanos, Ele Se sentava como hóspede de honra, mostrando por Sua simpatia e benevolência social que reconhecia a dignidade humana […] Sobre seu coração sedento, as palavras dEle caíam com bendito poder vivificante. Novos impulsos eram despertados, e abria-se para esses excluídos da sociedade a possibilidade de vida nova”.  (p. 26)

Com a proliferação de igrejas, diluindo Jesus Cristo como eixo central da mensagem cristã, corremos o risco de banalizar o fato de que Jesus é a resposta para os anseios da pós-modernidade. Nosso desafio, portanto, é viver a vida com Deus, por meio do caminho que Ele indicou para isto: Jesus Cristo. E dessa forma mostrar Jesus como um presente para o mundo.

Há, porém, um dilema. Ao tentar buscar esta experiência pessoal com Deus, caímos em armadilhas ao longo do caminho. O teólogo Eugene Peterson, no livro A Maldição do Cristo Genérico, pontuou pelo menos quatro:

-Em primeiro lugar, segundo ele, a espiritualidade desenvolveu com facilidade e quase inevitavelmente posturas elitistas. Houve uma postura tão exclusiva que mal percebemos tantos homens e mulheres com quem convivemos no trabalho, na comunidade e na igreja não há essa “expertise espiritual”.

-Em segundo lugar, no entusiasmo de ter uma experiência pessoal, a espiritualidade se desviou da Bíblia, seu texto fundamental, e aceitou o mundo convidativo da autoajuda.

-Em terceiro lugar, exposta ao atual modelo de cultura, a espiritualidade foi diluída ou esvaziada de toda peculiaridade do evangelho.

Por fim, numa reação ao que se acredita ser uma teologia “morta”, a espiritualidade passou facilmente a sofrer de amnésia teológica e acabou isolada de qualquer consciência dos horizontes grandiosos e maravilhosos de Deus, dos cenários vastos nos quais somos convidados a viver a vida cristã.

É uma reflexão avassaladora. Peterson conclui, dizendo que precisamos resgatar uma “teologia espiritual”:

“Teologia espiritual é a atenção que damos aos detalhes de viver trilhando esse caminho. É um protesto contra a teologia despersonalizada, transformando-a num conjunto de informações sobre Deus; é um protesto contra uma teologia funcionalizada, convertendo-a num planejamento estratégico para Deus”.

Viver Cristo de modo pessoal, diário, rotineiro, transformador. Imagino o impacto que causaria no mundo se houvesse um despertar dessa natureza na vida de todos nós.

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