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Helio Carnassale

Helio Carnassale

Mantendo a visão

A importância da manifestação moderna do dom profético

Os principais temas tratados nos escritos de Ellen G. White – Parte  2

Em seus escritos, Ellen White sempre colocava a Bíblia como centro da pregação e da vida cristã. (Foto: White Estate)

No artigo anterior foram apresentados três dos principais temas tratados nos escritos de Ellen White:

  1. O amor de Deus
  2. O grande conflito
  3. Jesus, a cruz e a salvação

Agora, serão abordados mais três deles:

  1. A centralidade da Bíblia
  2. A segunda vinda de Cristo
  3. O cristianismo prático e o desenvolvimento do caráter cristão

 

4 – A centralidade da Bíblia

Do início ao fim em seu ministério, Ellen White exaltou a Bíblia como sendo a única regra de fé e prática para o cristão. Para ela, as Santas Escrituras são a expressão da vontade de Deus e proporcionam o conhecimento que conduz a uma relação salvífica com Jesus.

Declarou ela: “Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento necessário para a salvação. As Santas Escrituras devem ser aceitas como autorizada e infalível revelação de Sua vontade. Elas são a norma de caráter, o revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa”[1].

Em 1903, num artigo publicado na Revista Review and Herald, Ellen G. White fez outra declaração impressionante em que comparava seus escritos e a Bíblia: “Pouca atenção é dada à Bíblia e o Senhor deu uma luz menor para guiar homens e mulheres à luz maior”[2]. Aqui ela referiu-se a seus escritos como sendo uma luz menor. Isso não significa qualidade ou grau inferior de inspiração, mas refere-se ao propósito e função de sua obra, que é conduzir pessoas à luz maior, as Sagradas Escrituras.

Ellen nunca colocou seus escritos acima da Bíblia, e sempre apontava para a Palavra de Deus. Ela fez incontáveis apelos para que as pessoas lessem, estudassem e investigassem as Sagradas Letras. Tinha a profunda convicção de que toda doutrina e verdade tinham que ser provadas somente pela Bíblia.

5 – A segunda vinda de Cristo

A segunda vinda de Cristo é um tema de grande relevância nos escritos de Ellen G. White. A partir de sua conversão, em 1840, durante o movimento milerita, a ideia da proximidade da vinda do Senhor passou a dominar sua vida com grande impacto. Na sua obra, este tema está integrado com cada um dos principais assuntos que ela escreveu.

“Todos os sermões que proferimos devem revelar claramente que estamos esperando a vinda do Filho de Deus, e por ela trabalhando e orando. Sua vinda é nossa esperança. Esta esperança deve estar vinculada com todas as nossas palavras e atos, com todos os nossos relacionamentos e amizades”[3].

Para o historiador e autor adventista George R. Knight, a visão de Ellen G. White quanto à iminente volta do Senhor “tinha um senso de proximidade que demandava urgência na pregação de sua mensagem a todo mundo, no menor tempo possível”[4].

Escreveu ela: “Fazei ressoar um alarme. Dizei às pessoas que o Dia do Senhor está perto e apressa-se grandemente. Ninguém fique sem ser advertido. […] Não temos tempo a perder”[5].  E mais: “A segunda vinda do Filho do homem deve ser o tema maravilhoso a ser mantido perante o público. Esse assunto não deve ser omitido de nossos sermões”[6].

Knight também apresenta um vínculo estreito entre os escritos de Ellen G. White sobre a volta de Jesus e os livros de Daniel e Apocalipse. Ele afirmou que “estes livros e o cenário do fim do tempo que eles apresentam, encontraram um lugar especial em seus escritos e ensinos”[7]. Há muitas menções e alusões a esses dois livros bíblicos em muitas partes de sua obra.

Dentre as partes mais comoventes e inspiradoras de tudo o que Ellen G. White escreveu, encontram-se as descrições da volta de Jesus, da ressurreição dos justos e da vida na terra renovada, apontando inequivocamente para um sentido de realidade de tais eventos, o que proporcionou a ela direção e orientação por toda a sua vida.

6 – O cristianismo prático e o desenvolvimento do caráter cristão

Na compreensão de Ellen G. White, a fé cristã deve exercer influência em todos os aspectos da vida. “O verdadeiro cristianismo transforma a pessoa de dentro para fora. Muda o coração e quando essa transformação é verdadeira, se revela nas relações familiares, na escola, no trabalho e até no uso do tempo livre”[8].

De acordo com George R. Knight, Ellen apresenta em seus escritos um conceito de cristianismo prático, uma religião percebida nas ações. O cristão genuíno deve viver de modo semelhante a Jesus, e não de acordo com o outro padrão, que são os princípios do reino das trevas. Na sua perspectiva, só há dois caminhos a seguir: o reino de Satanás ou o reino de Deus. O domínio do egoísmo ou o domínio do amor.

É por meio da graça de Cristo implantada no coração que se dá a mudança para um viver de acordo com a vontade de Deus. Ela escreveu: “Quando uma pessoa se converte a Deus, supre-se-lhe um novo gosto moral, um novo motivo impelente, e ela passa a amar as coisas que Deus ama […] pois sua vida está ligada à vida de Jesus”[9]. Em suma, os cristãos devem ser como Jesus em sua vida diária, mediante a graça fortalecedora de Deus.

Da mesma maneira como o amor é característica principal de Deus e se encontra no âmago do grande conflito, deve estar no centro do desenvolvimento de um caráter verdadeiramente cristão, que

se expresse na dimensão prática da vida cotidiana. Ela escreveu: “Onde quer que haja união com Cristo, aí há amor. Quaisquer outros frutos que produzamos, se faltar o amor, de nada aproveitarão. O amor a Deus e ao próximo é a própria essência de nossa religião”[10].

Com este pensamento, completamos esta série de dois artigos onde foram destacados seis dos principais temas tratados nos escritos de Ellen G. White. Como afirmou Knight, “não são os únicos […] mas possivelmente sejam aqueles assuntos fundamentais e os que se destacam proeminentemente em toda sua obra”[11]. Eles nos ajudam a entender a sua base teológica e servem para integrar os diversos fios de seu pensamento que formam uma rede unificada de conceitos.

Que o Senhor nos ajude a amar e compreender a bênção que seus escritos são para cada indivíduo e para a igreja.


Referências:

[1] White, Ellen G. O Grande Conflito. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2015, p.9.

[2] White, Ellen G. O Colportor Evangelista. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014, p.125.

[3] White, Ellen G. Evangelismo. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014, p.220.

[4] Knight, George R. Introducción a los escritos de Elena G. de White. Florida, Buenos Aires, Argentina: Asociación Casa Editora Sudamericana, 2014, p.150.

[5] White, Ellen G. Evangelismo. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014, p.218.

[6] Idem, p.220.

[7] Knight, George R. Introducción a los escritos de Elena G. de White. Florida, Buenos Aires, Argentina: Asociación Casa Editora Sudamericana, 2014, p.151.

[8] Idem, p.163.

[9] White, Ellen G. Mensagens Escolhidas, vol. I. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014, p.336.

[10] Idem, p.337.

[11] Knight, George R. Introducción a los escritos de Elena G. de White. Florida, Buenos Aires, Argentina: Asociación Casa Editora Sudamericana, 2014, p.145.

 

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