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Felipe Lemos

Felipe Lemos

Comunicação estratégica

Ideias para uma melhor comunicação pessoal e organizacional.

4 razões por que desinformação é ruim para igrejas

Indústria da desinformação, da boataria, do fake news, é alimentada por todos aqueles que compartilham este tipo de conteúdo. (Foto: Shutterstock)

Por mais óbvio que pareça, a desinformação generalizada e potencializada na comunicação digital é um mal muito grande para as organizações, o que inclui as igrejas. Quando se fala de desinformação, há muitas formas de se explicar o fenômeno e suas características. E que não é novo. A diferença é que agora a desinformação causa prejuízos mais rápidos para as organizações e para as pessoas. Tudo por conta da velocidade de propagação dos seus efeitos na vida digital.

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Uma pesquisa bem recente feita pela Pew Research Center[1] mostra que metade dos norte-americanos dizem que a questão das notícias e informações inventadas é um problema muito grande para o país. É a quinta maior preocupação e fica à frente, portanto, de outras grandes preocupações nacionais como crimes violentos, mudança climática, racismo e imigração ilegal. Desconheço pesquisas do gênero no Brasil ou em outros países, mas é possível que o tema preocupe também.

Desinformação, mas o que é isso?

Bem, desinformação é basicamente a desconstrução da informação correta, baseada, por isso, em fatos verificáveis e dignos de credibilidade. No contexto da comunicação digital, tem a ver com tudo o que diz respeito a boatos, fake news, mentiras que parecem verdades, etc. Não importa, então, se é um site, blog ou uma “informação” que circula pelo Whatsapp.

E já se sabe que tudo isso geralmente é feito por motivações econômicas, políticas e ideológicas de forma geral. Em um bom artigo, o pesquisador de comunicação de uma universidade portuguesa, Hélder Prior, afirma que neste mundo da desinformação  “não interessa tanto se as ‘estórias’ são verdadeiras ou plausíveis de verificabilidade, já que os indivíduos estão, sobretudo, interessados na proliferação de visões ou de explicações que corroborem a sua própria interpretação dos factos e reforcem uma determinada visão do mundo”. [2] Em palavras mais simples, o que importa é o que as pessoas querem dizer e acreditar e não necessariamente no que realmente ocorreu ou foi comprovado.

Mas quais são os prejuízos para as organizações?

Bem, para qualquer organização, inclusive religiosas, como as igrejas, alguns são bem claros:

 

     1.Afeta a credibilidade da organização

 

Boatos e informações não confirmados sobre determinados aspectos de uma organização só servem para tentar enfraquecer reputações. As pessoas, quando dão ouvidos a boatos sobre uma igreja, por exemplo, podem ser levadas mais facilmente a desconfiar da sua idoneidade. E, portanto, a querer distância desta organização. A falta de credibilidade e confiabilidade tem efeito direto na aceitação de qualquer marca. E, no caso de uma igreja, é pior ainda, porque este tipo de organização vive essencialmente da confiança. Provérbios 22:1 já lembrava que “mais vale o bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que prata e ouro”. (versão ARA)

 

    2.Desperdiça tempo dentro da organização

 

Boatos e fake news fazem com que as organizações tenham de redirecionar seu tempo para responder a questões que partem de argumentos falsos. O ideal é que uma organização invista a maior parte do esforço humano e material na comunicação de novos produtos, projetos, programas ou mesmo na inovação em geral. Por causa da desinformação, ela precisa usar boa parte deste tempo com respostas e esclarecimentos. As orientações são sempre absolutamente necessárias, mas o triste é ter de fazer isso quando as afirmações têm origem em dados completamente mentirosos.

 

     3.Tira o foco do objetivo principal da organização

 

No caso da Igreja Adventista do Sétimo Dia, o objetivo principal da organização é pregar o evangelho a todas as pessoas. Esta é a missão da organização. A proliferação da desinformação funciona com um desvio de rota perigoso. Mentiras compartilhadas sobre doutrinas, crenças ou decisões administrativas, o tempo inteiro, e a preocupação excessiva com informações nunca confirmadas ou de veracidade questionável tiram o foco de quem trabalha para produzir e compartilhar conteúdo de inspiração espiritual.

 

     4. Orienta decisões erradas

 

Uma das matérias-primas mais importantes para se tomar uma decisão, por isso, especialmente em organizações, é a informação correta. Com dados confirmados e dignos de crédito, a organização pode fazer um planejamento correto e com maiores chances de chegar aos resultados esperados. A propagação de boatos e material pretensamente jornalístico, sem a devida checagem, só cria um ambiente de dúvidas, incertezas e, portanto, menos precisão.

Se você é um gestor ou líder de alguma área em uma organização, inclusive em igreja, seja, então, o primeiro a checar informações que recebe. E oriente as pessoas que trabalham nas suas equipes para que façam a mesma coisa. E logicamente evite difundir conteúdo que vem de sites, blogs ou fontes suspeitas e desconfie sempre do que vem sem assinatura, sem procedência identificada, com erros elementares de grafia e coerência textual e mesmo vídeos editados.

Assista à mesa redonda sobre fake news:

Para saber mais:

Site: adv.st/fakenews


Referências:

[1] Principais resultados disponíveis em https://www.journalism.org/2019/06/05/americans-see-made-up-news-as-a-bigger-problem-than-other-key-issues-in-the-country/

[2] Prior, H. (2019), Mentira e política na era da pós-verdade: fake news, desinformação e factos alternativos. In P. Lopes & B. Reis (eds.), Comunicação Digital: media, práticas e consumos (pp. 75-97). Lisboa: NIP-C@M & UAL. Disponível em http://hdl.handle.net/11144/3976. https://doi. org/10.26619/978-989-8191-87-8.4

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