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Coluna | Fábio Bergamo

Pesquisa para quem precisa de pesquisa

Em uma atividade inédita, sede administrativa da Igreja Adventista faz pesquisa com pastores e passa a entendê-los melhor.


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Livro mostra resultado de pesquisa feita com pastores na Bahia e Sergipe (Foto: Divulgação)

Eu sou profissional de Marketing há mais de duas décadas. E dentre as atividades que mais me empolgam dentro da área, a pesquisa é a campeã. Não à toa, me tornei um ‘pesquisador profissional’: tenho um vasto conjunto de pesquisas acadêmicas em Marketing, uma história longa como organizador, desenvolvedor e analista de dados e, atualmente, coordenador de um laboratório de estudos em Marketing. A pesquisa está no meu sangue. 

Por que coletar e analisar dados é tão importante para uma organização? De forma resumida, o grande ponto positivo é o apoio à decisão. Escolher um caminho, qualquer que seja o nível, não pode ser algo baseado pura e simplesmente em intuição. É preciso analisar o que está em volta, os comportamentos, as atitudes, os movimentos. Compreender o cenário que está à sua volta é essencial para um líder tomar decisões assertivas e, acima de tudo, ideais para o avanço da sua atividade. 

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Sempre me perguntei o porquê na Igreja se decide tão pouco baseado em dados provenientes de pesquisas ou de sistemas de informação. Avançamos muito neste aspecto, mas sou do tempo que o achismo imperava e as deduções eram a matéria-prima das decisões. Tomei pra mim a bandeira de pesquisarmos cada vez mais para poder decidir, desde a igreja local até as maiores instâncias.  

Imagine então como fiquei empolgado ao receber o convite da Associação Ministerial da União Leste Brasileira (ULB, sede administrativa da Igreja Adventista para os Estados da Bahia e Sergipe), em parceria com o departamento de Comunicação, para realizar a análise de uma pesquisa feita com todos os pastores da região, por ocasião do Concílio Ministerial de 2023. Principalmente porque era uma pesquisa grande e dentro de uma metodologia relevante.  

Mudança de rota

O processo foi fascinante. Fiz as análises dos dados e alcançamos o objetivo de compreender os comportamentos, atitudes e pensamentos dos pastores ante a sete grandes temas, que denominamos trilhas: pessoal, familiar, social, financeira, digital, espiritual e ministerial. Detalhamentos em cada uma destas trilhas foram trazidos ao conhecimento do pastor José Wilson, secretário ministerial da ULB, e à liderança institucional da região, bem como aos secretários ministeriais das Associações locais.  

Muitas surpresas vieram à tona. Algumas delas, hipóteses que muitos tinham mas nunca acessaram dados para comprová-las. Outras que nem se imaginava. Inferências foram trazidas. Discussões levantadas. Como o então diretor de Comunicação da ULB e um dos gestores do projeto no qual a pesquisa estava incluída, Heron Santana, mencionou em uma das reuniões: “Estamos diante de algo que pode mudar a forma como se gerencia os recursos humanos mais essenciais da igreja: os pastores”. 

Fiquei mais feliz ainda quando o pastor José Wilson resolveu colocar todos os achados em um livro. Discipulado Pastoral: trilhas para a excelência no ministério conta os detalhes da pesquisa e seus achados, comentados por pastores que também são especialistas em temas ligados às trilhas. Tive o privilégio de escrever o primeiro capítulo, que fala sobre a metodologia de todo o processo. O livro foi entregue aos líderes de toda a ULB na última Assembleia Quinquenal.  

Não foi minha intenção, ao escrever este texto, detalhar a pesquisa realizada e os resultados. Como foi algo feito para uma realidade exclusiva, em que fui um dos colaboradores e consultores, por ética, não se deve apresentar dados desta forma. Meu intuito aqui é mostrar que, por uma pesquisa relativamente simples, um novo mundo de opções de tomada de decisão se abriu. E, principalmente, se passou a conhecer muito mais de um público que deve ser ainda mais valorizado.

Imagine se pesquisa se tornasse uma prática comum no nosso meio, como nossas decisões seriam melhores? Viva as pesquisas dentro da Igreja! 

Fábio Bergamo

Fábio Bergamo

Marcas & Marcas

Marketing, Comunicação, Cultura e Religião

Doutor em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), lecionou em diversas instituições. Atualmente é docente na área de Marketing, Estratégia e Tecnologia no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Foi considerado um dos 100 professores de marketing mais influentes do Twitter pela SMM Magazine. @bergamomkt