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Emanuelle Sales

Emanuelle Sales

Imagem & Semelhança

Beleza e vestuário analisados segundo os critérios da Bíblia Sagrada em uma linguagem mais informal.

“Sinto nojo de mim e me corto”

O self-cutting, como é conhecida a prática da automutilação, pode estar associada a quadros de depressão e ansiedade (Foto: Shutterstock)

Comecei a receber com frequência, principalmente de adolescentes, mensagens de pessoas confessando que se automutilam. Lembro do mal-estar que senti quando abri a foto enviada por uma seguidora e me deparei com uma imagem forte: um braço cheio de cortes recentes e várias cicatrizes que revelavam uma angústia antiga e persistente.

Buscando entender o que elas sentem para chegar ao ponto de ferir o próprio corpo, descobri que a resposta está longe de ser simplória. É bem mais ampla do que imaginava.

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Algumas se machucam para tentar transferir a dor emocional para o físico, numa tentativa desesperada de aliviar um pouco a alma. Outras se cortam até mesmo por não sentirem mais nada: nem amor, nem raiva, nem paz, nem medo. Então, preferem sentir dor a viver de modo insensível.

Mas também recebi uma mensagem que revela outro perfil de automutilador. Uma jovem garota me contou que se corta por sentir nojo do seu corpo. Ela me disse com sinceras e profundas palavras o seguinte: “Todas as vezes que olho pro meu corpo sinto nojo e passo mal. Tenho enjoo, tontura, dores de cabeças e até vomito, tudo isso quando me olho no espelho”. Declaração cortante, não é? Mas não mais cortante do que a atitude atormentada de quem está mergulhado na desesperança.

Ao conhecer casos desse tipo, a gente questiona: “O que pode ter causado tanta dor assim?” Nós enxergamos as pessoas, mas não podemos ver as bagagens emocionais que carregam. Algumas são tão pesadas que as impedem de sair do lugar e até mesmo de respirar. Que sufocante e aprisionante carregar esse fardo! Afinal, o que poderia ter feito essa garota sentir nojo de si mesma?

“Sofri bullying, fui abusada quando tinha 6 anos de idade por vários homens, e um deles é da minha família. Não foi uma vez só, foram muitas vezes. Eu tentei, Manu. Eu batia neles, mas eram muitos. Minha familia sabe, mas nunca conversou comigo sobre isso, nunca me aconselhou, pelo contrário, se afastou de mim”.

Depois de me contar sua história, ela ainda revelou que tentou se matar várias vezes. Creio que uma das maiores missões de Satanás é destruir nossa identidade celestial. Ele anseia que a gente encare o espelho e enxergue tudo, menos a Deus. Ele quer que a gente se esqueça que é imagem e semelhança do Senhor e se nivele a lixo, sentindo até nojo de si mesmo.

Ele triunfa quando não nos reconhecemos como templo e nos confundimos com um albergue qualquer. Quantas estratégias baixas ele usa para ofuscar a realidade de que somos um milagre nas mãos do Criador. Ore comigo neste momento:

Pai querido, obrigada por me mostrar de modo maravilhoso que eu não sou um erro. Agradeço também por me abraçar quando o mundo tenta me ferir, por me mostrar que seu poder é maior que qualquer um dos meus problemas. Assim como o salmista, reconheço que criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Não é por um acaso que estou aqui.

A vida pode ser bem difícil. Existem pessoas cruéis tentando me destruir de dentro para fora, mas não vou permitir que as circunstâncias me façam esquecer do meu valor. Sei que sou uma extensão sua, então quando me machuco, o Senhor também sente a dor. Não quero mais me ferir, não quero me cortar, não quero desejar a morte. Quero sonhar com a vida… e ainda mais com a vida eterna. Por favor, Pai, desperte em mim sentimentos nobres e me dê força para vencer a dor emocional. Livra-me do fardo que me sufoca. Troque esse peso por leveza e paz. Senhor, que minhas cicatrizes sejam apenas uma lembrança de que o Senhor me deu a vitória. Amém!


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