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Emanuelle Sales

Emanuelle Sales

Imagem & Semelhança

Beleza e vestuário analisados segundo os critérios da Bíblia Sagrada em uma linguagem mais informal.

A influencer que se matou após ter se casado com ela mesma

A Internet também pode – mas jamais deveria – ser utilizada como ferramenta emocionalmente destruidora (Foto: Shutterstock)

“Esse nome me é familiar”.

“Eu conheço essa moça de algum lugar”.

“Sim, já ouvi falar dela”.

“Nossa, em todos os noticiários só se fala desse caso”.

Entre as coisas habituais da vida está o CONHECIMENTO. Temos informações de pessoas, sabemos de acontecimentos, pesquisamos assuntos, temos acesso a detalhes e espalhamos mensagens o tempo todo. É fato que o conhecimento impressiona. Mas há algo de mais poderoso no RECONHECIMENTO do que no transbordar de informação.

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Vou trazer à sua memória uma história recente que repercutiu fortemente nos veículos de comunicação, chegando aos Trending Topics do Twitter brasileiro e, certamente, tornou-se de seu conhecimento: Influenciadora digital Alinne Araújo comete suicídio após ter casado consigo mesma. A jovem de 24 anos revelou em sua conta no Instagram que o noivo havia desistido de se casar um dia antes da cerimônia, mas que ela manteria a festa do mesmo jeito. “Vocês sabem a dor de confiar em alguém cegamente e achar que encontrou o companheiro da vida e um dia antes da celebração do amor de vocês a pessoa some? Manda uma mensagem pelo WhatsApp e termina todos os sonhos de vocês”, desabafou na legenda de foto.

“Fui pega de surpresa, quis morrer, ele sempre soube da minha condição e não se importou em como eu estaria. Eu recebi a notícia estava dirigindo, tive uma crise no volante, larguei meu carro e me atirei numa via expressa, mas Papai do Céu é bom e me salvou mais uma vez. Poderia ficar aqui chorando, mas tem uma festa linda me esperando, então hoje caso comigo mesma em nome da minha vida nova. Me desejem sorte. Amo vocês”, continuou.

Grito silencioso

Alinne era conhecida por compartilhar sua rotina na luta contra a depressão e transtorno de ansiedade. Ela mostrava com sinceridade seus dias ruins, expunha suas angústias e falava até sobre os pensamentos suicidas que insistiam em perturbá-la. Sua conta tinha o objetivo claro de apoiar outras pessoas que enfrentam problemas psíquicos semelhantes.

Seu ciclo de influência parecia estar sob controle, mas a repercussão da decisão de se casar sozinha mudou seu cenário virtual e, como consequência, seu cenário pessoal — o que possuía de mais íntimo, suas emoções e sua alma. Após divulgar cenas da festa, Alinne começou a receber críticas e julgamentos de milhares de internautas.

O público se dividiu em opiniões, não poupando palavras para expressar seu ponto de vista. Muitos acreditaram que a atitude não passava de uma jogada de marketing, uma tentativa desesperada de chamar atenção e ganhar ibope, o que somatizou ainda mais dores à jovem moça que ainda nem havia tido a oportunidade de lidar com o luto pelo fim de seu relacionamento. A sobrecarga emocional foi fatal. Horas depois, Alinne foi encontrada morta, vítima de suicídio.

Porém, o ciclo de violência virtual não foi quebrado nem mesmo com seu falecimento. O exército de internautas simplesmente migrou com seus discursos e ataques para o perfil de seu ex-noivo. Ele, então, declarou-se sem forças e acabado para dar qualquer explicação. Entre tantos comentários de ódio e de acusação, alguns sugeriram que o rapaz fizesse uma pausa nas redes sociais para se poupar de mais sofrimento.

“Um conselho, se afasta de internet um pouco. Existem pessoas cruéis que vão te ferir. O motivo é seu e ninguém tem direito a julgar. Que Deus conforte seu coração”, escreveu uma pessoa. “Cara, desativa sua conta! Isso aqui é tóxico!”, disse outra. Ele seguiu a orientação e abandonou a web.

Sensibilidade

Possivelmente você ouviu falar desse caso que chocou o País, mas, como disse acima, há algo mais poderoso em RECONHECER do que CONHECER. Quantos pontos nessa história lhe parecem familiares? Quantos aspectos você identifica em sua intimidade? Ao refletirmos no ocorrido, fica nítido que ele, infelizmente, é mais habitual do que inédito. Por isso, meu desejo é que uma notícia dessa não se torne apenas mais um viral na internet, mas o incentivo para a mudança de uma sociedade. Se você almeja o mesmo, reflita comigo em algumas lições importantes:

 

  • Não é eficaz nenhuma luta agressiva por paz. Não se grita por amor pronunciando palavras de ódio, não se clama por justiça praticando a iniquidade. Não compensa exercer uma liberdade de expressão aprisionada à falta de educação e escassez de compaixão. “Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (Tiago 3:18). Não há outra fórmula, nem mesmo para o universo das faces ocultas.
  • A internet deu poder aos psicopatas passivos. Cuidado pra não ser o tipo de pessoa que não esfaqueia, mas que entrega a faca ao vulnerável suicida. Matar alguém emocionalmente também é destruir sua vida. “A tela passa a ser cúmplice do que dizemos, sem travas. Mas no virtual não existe presença. E, com isso, o nosso contato com o outro fica empobrecido”, explica a psicanalista Joana D’Arc. Esse empobrecimento nos leva a atos impulsivos de violência verbal, comentando coisas que jamais seriam ditas no olho no olho. A Bíblia diz que “as palavras sábias saciam como uma boa refeição, as palavras certas dão satisfação”. Elas também têm “poder para trazer morte ou vida” (Provérbios 18:20 e 21). De qualquer forma, arcaremos com as consequências, pois nos tornamos responsáveis por elas.
  • “Que vantagem há em ganhar o mundo inteiro, mas perder a vida?” (Marcos 8:35). De que vale buscar auxiliar multidões e perder a própria alma? A exposição de sua intimidade pode sim ajudar várias pessoas. A revelação de suas lutas, angústias e desafios pode gerar grande identificação na sociedade. Por isso, a proposta parece irresistível e até mesmo solidária, como se a ideia de se mostrar do avesso, em sua pura realidade, fosse a decisão mais altruísta a ser tomada. Porém, essa é uma porta que se abre não apenas para quem quer ser ajudado, mas também para quem discorda, quem opina, quem se posiciona contra e até mesmo para quem enxerga o ser humano como alvo para o descarrego de suas frustrações.

Estamos falando da “terra de ninguém”. Ok, você pode mobilizar o mundo pelas ondas digitais, mas será que compensa? Está num momento propício para lidar com julgamentos, opiniões distintas e até mesmo ataques? Você tem estrutura emocional para se sujeitar à exposição e às suas consequências? Tenha consciência de que sua paz não tem preço. Cuide do seu coração antes de tentar salvar o mundo, afinal, é dele que procedem todas as coisas da vida.

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