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Resgatando a história

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O movimento milerita e o Grande Desapontamento

Em cena do filme Como Tudo Começou, Ellen White olha para o céu e aguarda a volta de Jesus. (Foto: Reprodução)

Gostaria de te convidar a fazer uma viagem de volta no tempo. Neste dia 22 de outubro de 2019, há exatamente 175 anos, milhares de cristãos pertencentes a igrejas como Metodista, Batista, Conexão Cristã e outras espalhadas pelos Estados Unidos aguardaram ansiosamente a volta do Senhor Jesus Cristo à Terra.

Eles haviam sido despertados para a espera da segunda vinda de Jesus por meio dos sermões e da exposição bíblico-escatológica do pregador leigo Guilherme Miller. Ele era um fazendeiro batista, autodidata em história universal e estudioso da Bíblia, cuja atenção se concentrou na cronologia bíblica, especialmente em relação às profecias de Daniel e Apocalipse.

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Baseado no texto de Daniel 8:14, Miller chegou à conclusão de que a purificação do santuário ali mencionada significava a purificação da Terra pelo fogo. E que isso significava, portanto, a volta de Jesus ao mundo, de maneira pessoal e visível, no dia 22 de outubro de 1844.[1]

Miller começou a pregar publicamente a partir de 1831[2], e o fazia de maneira convicta e persuasiva. Aonde quer que fosse, surgia um reavivamento espiritual. Porém, sua intenção nunca foi fundar uma nova igreja, mas advertir o mundo acerca da breve vinda de Cristo para que todos pudessem ser salvos.

Movimento que cresceu

Entre os anos 1838 a 1841, Miller recebeu o apoio de Josias Litch, Josué Himes (coordenador do movimento), Carlos Fitch e Silvestre Bliss, que contribuíram para que suas pregações alcançassem as cidades grandes e tomassem âmbito nacional. Em um período de 12 anos, Miller chegou a pregar cerca de 4.500 sermões sobre a breve volta de Jesus.[3]

Um grande grupo de cristãos de várias denominações, estimado entre 50 a 100 mil pessoas, e entre 700 a 2 mil pastores[4], creram nas pregações de Miller e se uniram a ele na proclamação da breve volta de Jesus, dando forte impulso ao “movimento milerita”.

No início do movimento, o tema da breve volta de Jesus foi bem aceito e resultou em reavivamento nas igrejas. Com a crescente expansão, os mileritas foram tolerados e os pastores aliados ao movimento tiveram de escolher entre seguir crendo na breve volta de Jesus ou deixar definitivamente o ministério. Os membros de suas igrejas acabaram sendo expulsos ou decidiram deixar as igrejas voluntariamente.

E quando o tão esperado dia – 22 de outubro de 1844 – chegou, eles esperaram até a meia-noite, mas Jesus definitivamente não veio. Ainda perseveraram até a manha do dia 23 de outubro de 1844, contudo sofreram uma grande desilusão, o chamado Grande Desapontamento.

Como resultado, os fiéis crentes mileritas ficaram desorientados e sofreram grande zombaria e escárnio. O movimento entrou em crise e sofreu um processo de perda de identidade e todos acabaram sendo confrontados com a pergunta: Por que Jesus não veio?

Algum tempo depois, surgiram entre os mileritas diferentes tentativas de explicar o que havia acontecido, mas que finalmente causou a divisão do movimento e o surgimento de pelo menos quatro pequenos grupos:

(1) Os que descreram completamente na volta de Jesus e abandonaram a fé;

(2) Os que deram uma interpretação simbólica e espiritualista ao acontecimento, passando a ensinar que Cristo viera em Espírito e o milênio havia começado;

(3) Os que marcaram novas datas para a segunda vinda de Cristo.

(4) Os que, mesmo sem entender por que Jesus não havia voltado, perseveraram no estudo da Bíblia e na oração.

O movimento milerita surgiu como uma iniciativa profética levantada por Deus para cumprir a profecia de Apocalipse 10:8-11.

Sobre sua origem, veja o filme Como Tudo Começou:

Esperança viva

O que aconteceu com Guilherme Miller após o Grande Desapontamento?

Miller foi excluído da Igreja Batista. Ele procurou fortalecer a fé dos desapontados e manteve a fé na breve volta de Jesus pelo resto da vida. Escreveu poucas cartas a amigos pastores. Publicou artigos na revista The Advent Herald e participou de assembleias em Low Hampton e Albany, nos Estados Unidos, com o objetivo de reunificar os mileritas.

Porém, seus esforços afetaram fortemente sua saúde. A partir de abril de 1849, ele não conseguia mais se levantar da cama. Guilherme Miller faleceu aos 67 anos no dia 20 de dezembro de 1849, e foi sepultado no pequeno cemitério perto da sua casa, em Low Hampton, Estado de Nova Iorque.

Aplicação espiritual

Como você lida com desapontamentos?

Nossos irmãos mileritas depositaram suas esperanças em um acontecimento, uma data e foram amargamente frustrados. Em nossa vida também enfrentamos desapontamentos. Fazer uma pausa, olhar para trás, refletir sobre o que aquela situação trouxe de aprendizado, abrir o coração a Deus em oração e perseverar são formas sábias de reagir a desapontamentos.

Sugestão para leitura adicional:

Knight, George. Adventismo – Origem e Impacto do movimento Milerita. Casa Publicadora Brasileira, 2014.

Schwarz, Richard W.; Greenleaf, Floyd. Portadores de Luz: História da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Engenheiro Coelho: Unaspress, 2016.


Referências:

[1] Em princípio, Miller acreditava que Jesus voltaria entre a primavera de 1843 e 1844, sem fixar uma data exata. Mas acabou sendo influenciado principalmente pela interpretação da profecia dos 2300 anos de Samuel Snow para chegar a data de 22 de outubro de 1844. Veja mais detalhes em: C. Mervyn Maxwell. História do Adventismo, p. 30-32.

[2] Para saber mais detalhes veja: Everett Dick. Fundadores da Mensagem, p. 20.

[3] Everett Dick. Fundadores da Mensagem, p. 24.

[4] C. Mervyn Maxwell. História do Adventismo, p. 19.

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