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Diego Barreto

Diego Barreto

O Reino

Vivendo Já o Reino de Deus enquanto Ele ainda não voltou. Um olhar cristão ao mundo contemporâneo.

O solitário caminho do mérito e a promessa de paz

Além de ter Deus presente na sua vida, é preciso confiar inteiramente nele para alcançar a perfeita paz. (Foto: Shutterstock)

A gente pensa que a solução para uma vida feliz é o sucesso e a conquista. Passamos a vida buscando as coisas que nos trarão satisfação e dinheiro está no topo da lista. Achamos que encontraremos paz quando tivermos coisas, mas nos esquecemos dos recados que a própria vida já nos deu. Quando sentimos a vida leve e brilhante; quando sentimos todas as suas cores; quando nosso coração se aquece e sentimos a paz de quem vai passando tranquilo pela vida; quando lemos que há mais bom do que mau na existência. Esses são sempre momentos cuja experiência esquecemos repetitivamente.

Normalmente, são momentos onde não nos sentimos sozinhos no universo, quando nós confiamos que alguém maior está cuidando de nós. Crianças sentem isso muito mais vezes, confiantes de que seus pais estão cuidando delas. Essa sensação de presença e segurança lhes entrega a paz e uma perspectiva positiva de futuro. Não se trata de ter tudo o que se quer, porque pais não nos dão tudo o que queremos, mas eles provém tudo o que necessitamos. E, mesmo sem ter tudo o que queremos, somos levados a nos sentir em paz pelo cuidado recebido e a confiança entregue.

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Para o conquistador, o caminho do mérito é solitário. Embora ganhe algumas lutas ou até mesmo a maioria das que se aventurou a lutar, ele luta contra o resto do mundo e todas as suas mazelas.  Não, não vai ganhar todas, as perdas são inevitáveis e algumas ainda são irreparáveis. Quando ele está no topo, está inseguro, pois muita coisa quer tirá-lo de lá. Ele está em constante alerta, estressado por todas as possibilidades e lutando todo o tempo contra um mar revolto e caótico.

Não há paz, apenas momentos ilusórios de conforto e escapismo. Ele não sabe mais e nem lembra mais o que é confiar em alguém que o conduza suavemente pelos balanços da vida. Isso por que lutou sozinho por suas conquistas. Os consumidos pela ambição perdem o ritmo da paz, ansiosos por dominar o indominável futuro.

O diferencial

A presença de um Pai e a confiança nEle é que fazem toda a diferença. Confiar que Ele cuida de nós, que é maior que nossos problemas, que sua condução é acertada, é o conforto necessário. Confiar em Deus é como um dia de verão ou uma manhã de primavera. As perspectivas parecem mais coloridas e brilhantes, o futuro exala otimismo enquanto você sorri certo de que está seguro. Não sem tropeços, mas apesar deles.

Me parece que quem não confia em Deus (e falo aos crentes e aos não-crentes) jamais terão paz e felicidade plena nessa vida. Continuarão buscando o dinheiro e as coisas materiais nessa busca inútil. Ainda que somem vitórias e conquistas, junto a cada uma delas se somarão cicatrizes permanentes e perdas ainda maiores. Não é uma praga, é uma constatação.

A felicidade e a paz está em crer que Deus é nosso Pai. Seu cuidado está sobre nós, nossa vida será conduzida e assegurada, se assim permitirmos. Mas para permitir, teremos que confiar. Não falo de fé cega ou de acreditar que tudo vai dar certo. Besteira! Falo de confiar nEle, seja qual for o caminho que Ele nos apontar. E, mesmo quando Ele nos permitir decidir, confiar que, em nosso rumo, Ele nos acompanhará. Isso é PAZ.

Sua promessa

Quando Jesus diz que os “mansos são felizes porque herdarão a terra” (Mat 5:4), está informando que a Terra não será conquistada pelo mérito, mas por herança. Não será ganha na determinação, raça, força, coragem, resiliência, inteligência, criatividade ou qualquer outra ferramenta humana. Mas será dada gratuitamente para aqueles que são filhos.

Aqueles cuja confiança não está em si mesmos, mas nAquele que os criou. É em paz e mansidão que a Terra nos é entregue. Por isso que quando Jesus diz essa frase, Ele na verdade não a inventou ali no momento, estava citando Salmos 37:11, que diz “Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz”. A paz não está nas conquistas e vitórias, nem no conformismo de “deixar a vida ir levando” (aqui não estou pregando o conformismo). A paz está na vida com Deus.

Leia o restante do capítulo 37 de Salmos e entenda a palavra “ímpio” como aquele que vive sem confiar em Deus (novamente, crentes e descrentes, portanto pode ser eu e você). “O ímpio maquina contra o justo, e contra ele range os dentes, mas o Senhor se ri do ímpio, pois vê que vem chegando o seu dia” (v. 13). Perceba que ele vive por si luta, abusa e sofre, mas não importa o quanto consiga, seu fim será sempre o mesmo.

Os ímpios têm puxado da espada e têm entesado o arco, para derrubarem o pobre e necessitado, e para matarem os que são retos no seu caminho. Mas a sua espada lhes entrará no coração, e os seus arcos quebrados” (v.14 e 15). Não importa o quanto ele lute e que armas utilize, sempre haverá aqueles que, como ele, lutam com as mesmas armas e um dia o vencerão.

É um ciclo que se constrói, que em seu giro natural destrói quem o ajudou a construir. Por isso, o texto referencia o fato de que a própria espada lhe entrará no coração. Sua busca pela vitória criará sua própria derrota. O volume de vontade em se alcançar os alvos é o volume de força aplicado no arco, tanta força que o quebra.

Mais vale o pouco que o justo tem, do que as riquezas de muitos ímpios” (v. 16). Como pode o que tem pouco estar melhor do que quem tem muitas riquezas? Qual é a diferença entre esses dois? Um confia em Deus, o outro em si mesmo. “Pois os braços dos ímpios serão quebrados, mas o Senhor sustém os justos” (v. 17). A força de um vem de si e essa é uma força limitada, frágil. A força do que confia no Senhor vem de algo além do que ele mesmo.

O Senhor conhece os dias dos íntegros, e a herança deles permanecerá para sempre” (v. 18). Deus está presente. Ao contrário do meritocrata, esse terá vitória permanente, enquanto o  homem cuja força está em si mesmo, lutará para sempre tentando inutilmente manter sua posição no topo. “Não serão envergonhados no dia do mal, e nos dias da fome se fartarão. Mas os ímpios perecerão, e os inimigos do Senhor serão como a beleza das pastagens; desaparecerão, em fumaça se desfarão” (v. 19-20).

Deus nos dá segurança. A vergonha é a queda do orgulho. Só os que lutam por ascensão sofrerão essa dor. Os dias maus virão, mas não tirarão o brilho da existência, pois o que de mais necessário há para viver será provido em abundância. Os que não confiam, não enxergam isso porque querem sempre mais, e o necessário já não os satisfaz. A dádiva da vida vira um peso, um presente rejeitável. Se entregam as próprias buscas até virarem “fumaça”, se desfazendo no caminho, compondo o cenário que, para o que confia, continuará sendo apreciado como belo.

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