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Carlos Magalhães

Carlos Magalhães

Igreja Conectada

Como levar a mensagem de Cristo ao maior número possível de pessoas usando a tecnologia digital

Redes sociais: como usá-las estrategicamente para alcançar sua audiência

Um atendimento efetivo cria laços e fortalece relacionamentos com os internautas (Foto: Burst / Pexels)

Neste artigo vamos tratar sobre as redes sociais e a importância delas para a igreja. Além disso, discutiremos sobre como podemos engajar as pessoas nos cultos online, quais redes sociais usar e quem deve cuidar delas.

Em artigos anteriores, abordamos o conceito de igreja fidigital ou híbrida, que, de forma resumida, é uma extensão da igreja que se manifesta no ambiente digital, com o objetivo de criar conexão entre os membros e compartilhar o evangelho. Sendo assim, para ser uma igreja fidigital ou híbrida é indispensável estar presente nas redes sociais.

Da propaganda para o relacionamento

As redes sociais estão entre os principais meios pelos quais a igreja realmente pode se conectar com as pessoas em sua vida diária, enquanto elas estão em suas casas, locais de trabalho ou mesmo viajando. Mas elas não devem ser usadas apenas com um meio de propaganda do tipo “venha e assista meus cultos e eventos”. Ao invés disso, as igrejas precisam usá-las para ir até as pessoas e relacionar-se com elas.

Ser relacional nas redes sociais significa interagir. Obviamente, em alguns momentos precisaremos ser informacionais, ou seja, usar as redes para divulgar e promover coisas. Porém, o principal objetivo da igreja ao usar as redes sociais deve ser interagir com as pessoas e se comunicar multidirecionalmente. Não apenas falar, mas também escutar e dialogar.

Engajamento

Essa é uma palavra-chave para a igreja fidigital. Nas redes sociais, o termo “engajar” significa que quem assistiu ao conteúdo gostou a ponto de curtir, comentar ou compartilhar. O engajamento é o que mede o sucesso ou fracasso no mundo digital. Por exemplo, não compare o sucesso com o número de pessoas que assistiram ao culto. Você realmente precisa descobrir quantas pessoas estão se engajando, seja curtindo, comentando ou compartilhando.

Engajamento na prática

O engajamento nem sempre ocorre por acaso. Algumas estratégias necessitam ser criadas. Por exemplo, os que apresentam os cultos precisam dar as boas-vindas à audiência online, criar maneiras específicas de falar com o internauta e incentivar a sua participação.  Essa participação pode ser a resposta a uma pergunta ou a um convite para “curtir” o post da transmissão e compartilhá-lo.

Também pode ser um incentivo específico que envolve propositalmente tirá-los do anonimato digital. “Escreva-nos de onde você assiste?” ou “Deseja que oremos por você? Deixe seu pedido de oração aqui nos comentários”.

Quando o internauta se manifesta, alguém da igreja deve prestar a atenção e interagir com ele. Isso pode ser bem simples. Basta dar um “alô”, agradecer pela presença, convidá-lo para outro evento ou oferecer algum conteúdo digital adicional. Lembre-se de que primeiro devemos oferecer algo antes de pedir que a pessoa compartilhe algo sobre ela. Ao nos oferecer para ajudá-la, estamos gerando a oportunidade para iniciar uma relação de confiança mútua.

Do virtual para o físico

Nos “velhos tempos” (alguns poucos anos atrás), as igrejas entravam nas redes sociais com o objetivo de levar as pessoas para a igreja física. No entanto, nem sempre essa estratégia dava certo. O que hoje se percebe é que para que uma pessoa decida sair do ambiente seguro da internet e visitar um templo físico é antes necessário criar um relacionamento de confiança.

Nessa etapa intermediária entre o virtual e o físico é essencial oferecer oportunidades para que o internauta se engaje, participe e se conecte com a igreja, ainda no meio virtual. Isso pode ocorrer através dos cultos online, grupos de estudo bíblico no Zoom e outras plataformas, pela visita pastoral virtual, e outras coisas mais. Levar um internauta para um templo físico, em alguns casos,  pode ser um processo de longo prazo.

Quais redes sociais a igreja deve usar?

Para responder a essa pergunta primeiro é importante descobrir qual é o perfil do público que a igreja quer alcançar. O Facebook já foi a principal rede social dos jovens, mas esse público diminui a cada ano. Atualmente, um terço da população brasileira usa o Facebook e 46% tem mais de 35 anos[1].

No mundo online acontece um fenômeno parecido com o que ocorre no mundo físico: os jovens buscam lugares onde seus pais ou os mais velhos não estão. Eles não querem ser vigiados ou monitorados.

No Brasil, o Instagram atrai uma grande parcela dos jovens, enquanto o Tiktok lidera na faixa dos 13 aos 24 anos[2]. O Twitter, embora não seja a principal rede social,  atrai várias gerações[3], é usado para fins específicos de informação e conversa, porém, é visitado com menor frequência pelos grupos mais jovens.

A maioria das igrejas eventualmente precisará usar mais de uma mídia social. Facebook, Instagram e YouTube são os principais lugares onde as maiores audiências da Internet se encontram. Uma igreja fidigital ativa e eficaz não irá ignorá-los. Contudo, Tiktok e Twitter também são poderosos e têm seus próprios benefícios e conexões.

Além disso, novas plataformas sociais estão surgindo rotineiramente e algumas podem se tornar significativas em um curto período de tempo, enquanto as existentes  podem perder lentamente seu fascínio ou vantagem funcional. Não assuma que uma solução online é mais permanente do que a física. Esteja alerta e aberto a mudanças. Continue aprendendo. Existem sites especializados e canais no YouTube que ensinam como fazer o melhor uso de cada rede social.

Como sugestão, aprenda a se comunicar em cada plataforma. Cada rede social tem sua característica e exige uma forma distinta de dialogar. Pesquise, também, qual é o melhor formato de conteúdo e a frequência de publicação entre eles. Algumas redes privilegiam as imagens e texto, outras os vídeos curtos ou ao vivo.

Equipe de redes sociais

É importante que cada igreja fidigital ou híbrida tenha uma equipe para cuidar das redes sociais. Essa equipe deve ter conhecimentos técnicos que permitam criar e gerenciar os conteúdos postados. Porém, ela desempenha apenas uma parte do processo. Precisa conectar o internauta à igreja física.

Isso ocorre encaminhando ou conectando as pessoas interessadas com os membros que cuidarão delas. Isso significa que, além dos técnicos, mais gente da igreja precisa ser envolvida. A equipe das redes sociais também pode treinar e auxiliar os membros que farão o atendimento individualizado.

Conclusão

O relacionamento digital se tornou essencial para a vida de qualquer igreja com presença na Internet e as redes sociais é ambiente onde ocorre a conexão com as pessoas. Elas são como o espaço de entrada de uma igreja, onde as pessoas se cumprimentam, conversam e se conhecem. Por isso, são tão fundamentais e fazer o uso apropriado delas vai determinar o sucesso de uma igreja fidigital ou híbrida.

Para reflexão

  • Olhe para suas redes sociais individuais e considere se seus posts dão bom testemunho da sua fé;
  • Pense sobre como sua igreja usa as redes sociais atualmente. Como ela pode usá-las para nutrir relacionamentos existentes e cultivar novos?
  • Como sua igreja incentiva e capacita seus membros para usar as redes sociais como uma ferramenta de acolhimento e evangelismo?
  • Quais são os próximos passos práticos que sua igreja pode dar para incentivar o maior engajamento nas redes sociais?

 


Referências

[1] https://www.statista.com/statistics/376128/facebook-global-user-age-distribution/

[2] https://hypeauditor.com/blog/state-of-tiktok-in-brazil-2020/

[3] https://www.statista.com/statistics/283119/age-distribution-of-global-twitter-users/

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