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Ana Paula Ramos

Ana Paula Ramos

Missão e Voluntariado

Até onde vão pessoas que se colocam nas mãos de Deus para servir na missão de pregar o evangelho.

Sem tempo para viver

O tempo é um elemento a ser gerenciado, especialmente no contato com Deus. Foto: Shutterstock

Você consegue se imaginar vivendo como Jesus em seu ritmo de vida atualmente? Pare e pense. Retirar-se da cidade num final de semana para passar o dia sentado conversando com desconhecidos, compartilhando histórias e lições aprendidas. Faz algum sentido pra você?

Vivendo em São Paulo, nos meus finais de semana livres (porque muitos estavam ocupados com eventos e outros compromissos), eu precisava ficar em casa para descansar da rotina exaustiva. Ou, no máximo, conseguia me encontrar com os amigos mais chegados em um restaurante próximo se o trânsito não estivesse muito pesado. Vida que seguia em ritmo normal. Um ótimo trabalho, estabilidade, sempre envolvidos com a Igreja, um cantinho pra chamar de nosso.

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Zona de conforto

Eu acredito que Deus tirou a mim e minha família da nossa zona de conforto no Brasil em resposta às minhas inquietações. Não sabia que seria necessário sair do país onde nasci, cresci e me estabeleci. Faz alguns anos que tenho orado por equilíbrio de vida. Tenho clamado a Deus para me mostrar mais claramente como viver segundo a vontade e exemplo dEle, com saúde física, emocional e espiritual.

Tente imaginar novamente essas cenas: andar pela cidade ou à beira-mar em busca de pessoas que possam se unir a você e viver te acompanhando pelo evangelho; sentar-se à espera de alguém que precisa ouvir uma palavra de conforto, motivação. Era assim com Jesus. Ele vivia entre as pessoas, para as pessoas. Não temos tempo pra isso em nossos dias.

Nossas agendas estão lotadas de eventos, projetos, cursos, treinamentos e viagens desejadas. Falta tempo. E tempo é o que precisamos para viver como Cristo. Ou será que estamos em “outros tempos”, onde viver como Jesus é de outro jeito? É cada vez comum, também, fazermos muitas coisas boas em nome de Jesus, sem na verdade darmos espaço para Ele nos usar verdadeiramente.

Novo aprendizado

Atualmente vivemos no lado do mundo onde o tempo, de forma geral, não é o que controla nossas ações, como no Ocidente. Estamos tendo que aprender a viver pelos relacionamentos, dedicando nossa vida (o tempo todo) ao serviço cristão. Para quem cresceu sendo educado que “tempo é dinheiro”, enfrentamos uma mudança radical de vida. Buscamos entender e temos sentido na pele o indispensável valor da presença física, do partilhar do pão, do sentar e ouvir, dos chás da tarde. Nossa casa tem estado aberta quase que 24 horas por dia, nos finais de semana e feriados para receber pessoas.

Em minha jornada de vida como adventista, ao tentar me aproximar do exemplo deixado por Cristo, as intensas rotinas de trabalho, o uso do meu tempo e talentos não estavam fazendo muito mais sentido. Faltava tempo e energia pro devocional, pra família, para os amigos, faltava tempo para caminhar no parque com pessoas queridas e para encontrar aquelas que tanto precisam de um “ouvido” para compartilhar suas aflições e vitórias. Antes de mudarmos pra o Egito, não lembrava da última vez que havia recebido uma família não-adventista em casa. Não tínhamos tempo pra isso.

Aliás, faz quanto tempo que você não começa uma nova amizade com alguém que não conhece a Cristo como você? Quantas famílias que não são da sua Igreja fazem parte do seu círculo mais próximo de amizade? Tem encontrado tempo para nutrir esses relacionamentos? Agradeço a Deus por ter me tirado minha minha zona de conforto pessoal, familiar, profissional e espiritual para dar continuidade à minha jornada nesta terra.

Deus nos enviou para cá para reaprendermos a viver com Ele e como Ele. Ainda estamos nos ajustando, como se estivéssemos aprendendo a caminhar pela primeira vez. Às vezes, nós nos perdemos em meio a conflitos de interesse, perdemos o foco. Fomos formatados para viver em modo “linha de produção”, e mudar não é fácil. Os projetos ainda existem, há muito trabalho a fazer. Continuamos tendo emprego, relatórios e prazos a cumprir, mas nosso maior esforço tem sido tirar os olhos do relógio, dos números e dos papeis para olharmos de forma ativa para aqueles que estão à nossa volta.

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