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Adolfo Suárez

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Muito além do ensino

Reflexões sobre aspectos da vida diária a partir da Teologia, Educação e Ciências da Religião

Quanto custa sua honestidade?

A honestidade deve ser uma das marcas do cristão (Foto: Shutterstock)

Transparência Internacional é uma organização não-governamental (ONG) que se apresenta como uma coalisão global contra a corrupção. Um de seus trabalhos mais importantes é apresentar o ranking de corrupção entre os países do mundo. Ele contempla, entre outras coisas, o funcionamento das instituições públicas, a honestidade de seus funcionários e o cuidar bem do dinheiro público. Em fevereiro de 2018 foram divulgados os resultados de 2017[1]. Os dez países menos corruptos são:

É triste observar que, em 2017, o Brasil ocupa o 96o lugar, perdendo 17 posições em relação a 2016, quando ocupava o 79º lugar.[2] É igualmente triste saber que apesar de ser uma nação muito rica, por exemplo, em recursos naturais, essa riqueza não se mostra na qualidade de alguns serviços públicos, porque há muita desonestidade, muita corrupção.

O Salmo 33:12 diz: “Feliz a nação cujo Deus é o Senhor”. Se os países e seus governantes adotassem o Deus da Bíblia como o seu Deus, certamente todos seríamos felizes, porque não haveria corrupção, não haveria roubo.

O mandamento bíblico

Isso nos leva diretamente ao oitavo mandamento, onde o recado de Deus é curto e direto ao ponto: “Não furtarás” (Êxodo 20:15). O princípio que sustenta este mandamento é a honestidade. Ou seja, o que Deus está dizendo é: “Seja honesto”.

Meu foco aqui não é falar da honestidade dos governantes e dos países. Meu foco é falar da nossa honestidade como cristãos. Deixe-me fazer-lhe uma pergunta: Você é honesto? Você é honesta em tudo? Quanto custa sua honestidade?

Fundamentos da honestidade

A honestidade fundamenta-se em três princípios.

O primeiro é o princípio da propriedade privada. Se não é meu, então não é meu, e ponto final. Não devo pegar para usar, não devo pegar para levar; não devo. Não é a minha propriedade. E isso não se refere a apenas pegar coisas, mas a usar algumas coisas de modo indevido. Por exemplo: Se numa sala está escrito “Sala do Gerente”, então não devo entrar sem autorização. Se numa sala está escrito “Sala dos Professores”, então não é para os estudantes; é para os professores.

Obviamente, somos inteligentes o suficiente para entender que mesmo que algumas vezes não haja uma proibição expressa, devemos usar o desconfiômetro para conduzir o nosso comportamento. Ilustro isso: No piano de uma sala ou no teclado de um templo pode não estar escrito “Proibido Tocar”. Todavia, obviamente essa não é propriedade de quem frequenta o templo. Imagine você se agora todo mundo quiser tocar esses instrumentos. Em poucas semanas ele teria problemas técnicos.

O direito da propriedade privada me diz que não devo pegar o que não é meu. Vamos a mais alguns exemplos:

Você trabalha num setor onde há bastante papel A4, justamente o que você precisa para imprimir seu trabalho. O que fazer? É muito simples: Você não deve usar esses papéis. Eles não são seus.

Você trabalha num setor onde circulam alimentos, tão necessários para você que precisa alimentar sua família. O que fazer? Simples: Você não deve pegar esses alimentos. Eles não são seus.

O segundo princípio no qual se fundamenta a honestidade é o princípio da boa administração. Explico melhor. Além de não pegar coisas que não são nossas, honestidade também significa usar adequadamente as coisas, o tempo, as circunstâncias que estão sob o nosso controle. Veja:

Você trabalha num local onde tem acesso à internet à vontade. A honestidade (e as regras da empresa) diz que, no local de trabalho, você não deve usar a internet para uso pessoal. Você deve administrar isso de modo certo, e o modo certo é: local de trabalho é local de trabalho.

Você relata diariamente oito horas de trabalho. Então você deve trabalhar as oito horas.

Como estudante, você afirma que leu todo o livro; então você deve ter lido todo o livro até o momento de entregar o relatório.

Honestidade significa usar adequadamente as coisas, o tempo, as circunstâncias que estão sob o nosso controle. Significa boa administração daquilo que está sob o nosso controle.

O terceiro princípio da honestidade é o princípio da justiça. Somos honestos quando não tiramos vantagens, quando somos justos na divisão de tarefas, quando não nos aproveitamos das pessoas. Confira dois exemplos:

Você está fazendo um trabalho em grupo, e o grupo marcou quatro encontros. Então você deve participar dos quatro encontros, cumprindo com a responsabilidade combinada.

Você combinou com os vizinhos que cada família pagaria 25% dos gastos da festa de fim de ano; então, é isso que deve ocorrer.

Parece tão óbvio, mas nós falhamos justamente em fazer as coisas óbvias.

Os tipos mais comuns de furto/roubo

A desonestidade se manifesta em diversas atitudes e circunstâncias, algumas das quais são muito comuns; veja uma lista[3]:

  1. Furto. Pegar algo sem o consentimento do proprietário.
  2. Cópia ilegal. Fazer uma cópia que prive o autor de seus direitos, seja cópia impressa, digital, ou de outra forma.
  3. Plágio. É apresentar a obra ou respostas de outras pessoas como se fossem as suas próprias, a fim de obter benefício para si.
  4. Manipulação de informação. Mentir, exagerar, trapacear, fraudar.
  5. Calúnia, difamação. Privar os outros de sua reputação, do respeito, fazendo acusação falsas.
  6. Desperdício. Usar mal ou esbanjar tempo e material que pertenço ao outro.
  7. Negligência: Descuido de nossa responsabilidade com as coisas que dizem respeito aos outros.
  8. Pagamento insuficiente. Pagar menos do que o valor justo que o outro merece.
  9. Retenção do dízimo. Isso priva pessoas da oportunidade de ouvirem o evangelho, encontrando assim paz, esperança e uma vida melhor. 

No oitavo mandamento, Deus proíbe não somente o furto e o roubo, que as autoridades civis punem, mas classifica de roubo também todos os artifícios e esquemas ilegais e imorais, pelos quais procuramos nos apropriar dos bens de nosso próximo, seja pela força ou de modo sorrateiro, como falsos pesos e medidas, anúncios ou mercadorias enganosas, promessas não cumpridas.

Numa de suas mais belas e impressionantes frases, a escritora Ellen White nos desafia a vivermos a mais transparente honestidade. “A maior necessidade do mundo é a de homens e mulheres que não se comprem nem se vendam; homens e mulheres que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens e mulheres que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens e mulheres cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens e mulheres que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus”.[4]

“Não tenho motivo algum para ficar com dinheiro dos outros”

No dia 12 de fevereiro de 2009, o site de notícias Terra divulgou a seguinte manchete: Mulher que devolveu R$ 40 mil faz festa com recompensa. A história que ocorreu foi a seguinte. A catadora de materiais recicláveis Lorenza Palma da Cunha, 55 anos, havia encontrado e devolvido aos donos de um supermercado R$ 40 mil achados em sacos de lixo. Como recompensa, recebeu R$ 200, os quais usou uma parte para fazer uma festa de aniversário para o neto William, que completou 18 anos por aqueles dias. No entanto, a maior parte do dinheiro, cerca de R$ 150,00, foi usada para pagar a prestação da casa dela de quatro cômodos em que ela mora com quatro netos, dois filhos e o marido, na região central de Penápolis, a 491 km de São Paulo. A casa é avaliada em R$ 25 mil.

“Com o troco comprei dois refrigerantes, dois pacotes de farofa e um pacote com 12 espetos de frango. Não era muita coisa, mas deu para nossa família se divertir um pouquinho”, contou dona Lorenza. “Parece que a quarta-feira era um dia para eu conseguir algum (dinheiro) para o aniversário do meu netinho”, acrescentou ela.

Dona Lorenza não lamentou ter devolvido o dinheiro aos donos do supermercado. “Eu faria tudo de novo. Se eu voltar a achar outra quantia e souber quem é o dono, eu devolvo. Não tenho motivo alguma para ficar com dinheiro dos outros”, comentou ela, mostrando uma das caixas que continham parte do dinheiro achado no lixo do supermercado. “Não tenho ilusões, minha vida e meu trabalho estão aqui”, disse ela mostrando a casa e bicicleta com o carrinho a reboque usado para guardar os materiais.[5]

Impressionante!

Deus diz a você e a mim: “Minha filha, meu filho, seja honesto. Seja honesto nas pequenas atividades e nos grandes negócios. Seja honesto não apenas em cumprimento da lei, mas acima de tudo porque você me ama. Pode ser que a sua honestidade aqui na Terra não lhe garanta uma estátua com seu nome numa placa comemorativa. Mas certamente sua honestidade fará com que você seja minha amiga, meu amigo, e fará com você e Eu passemos a eternidade desfrutando das bênçãos da Nova Terra, com todas as suas riquezas”.


Referências:

[1] http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3513216-EI8139,00.html

[2] https://g1.globo.com/mundo/noticia/brasil-fica-em-96-lugar-entre-180-paises-no-ranking-da-corrupcao-de-2017.ghtml

[3] Lorn Wade. Os Dez Mandamentos, p. 74-75.

[4] Adaptado de Ellen White. Educação, pág. 57.

[5] https://www.transparency.org/news/feature/corruption_perceptions_index_2017#table

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