Colégio Adventista de Uberlândia desenvolve projeto educativo em combate poluição plástica
Alunos transformam resíduos em arte e aprendem sobre sustentabilidade no Colégio Adventista de Uberlândia, reforçando valores bíblicos e cuidado com o planeta
Em meio aos debates sobre os impactos do lixo plástico, estudantes do Colégio Adventista de Uberlândia transformaram resíduos descartáveis em aprendizado prático. Durante o mês de junho, alunos da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental participaram de uma ação educativa que reforçou o consumo consciente e o descarte responsável.
A escola realizou a atividade em conexão com o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho. Brinquedos, painéis e objetos decorativos foram criados a partir de materiais recicláveis, mostrando que pequenas atitudes podem mudar hábitos. Assim, professores incentivaram práticas sustentáveis desde cedo.

Atividades adaptadas para cada idade
Professores planejaram diferentes atividades de acordo com a faixa etária dos alunos. As crianças menores confeccionaram brinquedos de papelão e garrafas PET. Já os estudantes mais velhos criaram cenários temáticos que retrataram o fundo do mar. Dessa forma, resíduos que seriam descartados ganharam nova forma e função.
Izabela Pereira, coordenadora pedagógica, explicou que o projeto começou no fim de maio e terminou com uma feira de sustentabilidade aberta a toda a escola. “Mostramos às crianças que materiais simples podem ser reutilizados de forma criativa e útil. Na Educação Infantil, por exemplo, elas criaram brinquedos com caixas de leite e garrafas PET para usar no recreio, o que deixou tudo mais divertido e prático”, contou.
Impacto do lixo plástico
A Organização das Nações Unidas alerta que, das 9,2 bilhões de toneladas de plástico produzidas entre 1950 e 2017, cerca de 7 bilhões acabaram em aterros ou lixões. Além disso, estima-se que 11 milhões de toneladas de plástico poluam rios e mares todos os anos, prejudicando a vida marinha.
O plástico também alcança locais remotos. Do fundo do oceano à neve do Everest, as partículas se espalham. Pesquisadores já encontraram microplásticos no leite materno e até no cérebro humano. Por isso, é fundamental conscientizar desde cedo.
Ensino prático dos “5 Rs”
Educadores trabalharam com os alunos de 3 a 10 anos os princípios dos “5 Rs” — repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar.
No 3º ano, as crianças criaram porta-lápis com materiais reaproveitados. Já no 4º ano, estudantes que leram o livro paradidático No Mar, da Casa Publicadora Brasileira, montaram um cenário marinho usando CDs, caixinhas de papelão e garrafas PET. “Assim, eles visualizaram como o descarte incorreto do plástico ameaça os ecossistemas aquáticos”, disse Izabela.
No 5º ano, os alunos atuaram como multiplicadores. Eles contaram uma história sobre o percurso de uma garrafa plástica que, jogada no rio, foi ingerida por um peixe e depois encontrada por um pescador. Com isso, eles entenderam como o lixo descartado de forma errada afeta a natureza e a saúde humana.

Mudanças de hábito incentivadas
Para reforçar a prática, a escola organizou o “Dia Zero Plástico” em 11 de junho. Nesse dia, as famílias enviaram os lanches em recipientes reutilizáveis, evitando embalagens descartáveis. “Mostramos que escolhas simples no dia a dia fazem a diferença. Evitamos usar garrafas de suco e embalagens de uso único”, comentou Izabela.
Além disso, a Polícia Ambiental visitou o colégio e palestrou sobre o cuidado com animais silvestres e domésticos. As crianças aprenderam a distinguir quais espécies podem ou não ser criadas em casa e discutiram o cuidado com os pets.

Consciência ambiental baseada na Bíblia
O capelão do colégio, pastor Isaac Vieira de Amorim, destacou que o projeto reforçou valores bíblicos sobre cuidar da criação. “Queremos que as crianças entendam que Deus confiou ao ser humano a responsabilidade de preservar a natureza. Quando alguém destrói o meio ambiente, também sofre as consequências”, afirmou.
Voz das crianças
Luísa Brito, de 9 anos, ajudou a criar peixes, baleias e tubarões com materiais recicláveis. “Foi divertido! Usei rolo de papel higiênico e pratinhos para fazer os bichos. Montar o cenário foi a parte mais legal”, contou.
Ela ainda deixou um recado: “Quem joga lixo no chão polui o ambiente e faz mal para os animais. Precisamos cuidar do planeta.”
Por meio de brinquedos, painéis e histórias, a escola mostrou que a conscientização pode começar na infância e se espalhar para toda a comunidade. Assim, atitudes simples podem gerar grandes mudanças para o planeta.