Colégio Adventista celebra sete décadas de histórias de fé e missão em Maringá
O senso missão de Natalício Santos, o “Tio Natal”, revela a dedicação de quem contribuiu para o avanço da educação adventista na região

Há lembranças que o tempo não apaga. Elas permanecem vivas, guardadas na memória de quem fez parte da história. Assim é a trajetória de Natalício Silva Santos, conhecido como “Tio Natal", ou simplesmente “Natal”, colaborador que dedicou 35 anos de serviço e missão à Educação Adventista no norte do Paraná.
Durante décadas, Natal foi presença constante nos corredores do Colégio Adventista de Maringá. Trabalhou como monitor, ajudou na cozinha, cuidou do jardim e fazia questão de garantir que cada aluno chegasse em casa com segurança. “Trabalhei uns 35 anos aqui como monitor. Fiz de tudo um pouco. trabalhava na cozinha, ajudava no jardim, levava criança em casa”, relembra.
A bicicleta
Em tempos em que não existia GPS, a bicicleta de seu Natal se tornou símbolo de cuidado e comprometimento. Em ocasiões em que os pais não conseguiam buscar os alunos, ele guiado apenas pelas indicações das próprias crianças percorria as ruas da cidade para levá-los até em casa. “Meu pai pegava a bicicleta dele, lembro até hoje, era da marca Barra Circular, na cor azul, pegava colocava na garupa e levava os alunos até a casa deles. Ele ia perguntando onde moravam e seguia pelo caminho que a criança dizia”, conta o filho Anselmo, que hoje trabalha no colégio.
Mesmo aposentado, o senso de responsabilidade continua o mesmo. “De vez em quando ele ainda me puxa a orelha. Quando passa na frente do colégio, ele vê uma luz acesa, me liga: ‘Olha, tá gastando luz!’”, brinca Anselmo.

Gerações
Quem acompanhou de perto essa jornada foi Helena Santos, esposa de Natal, que também deixou sua marca na cantina da escola. “Tenho saudades da cantina, às vezes até sonho com os alunos, com o pessoal que trabalhava comigo. Boas lembranças, me emociono só de lembrar. Até hoje as pessoas falam que tem saudade dos bolos de milho e de chocolate da tia Helena”, relembra ela.
O vínculo com a Educação Adventista atravessou gerações. Hoje, além de Anselmo, a nora Maria José Santos, conhecida como Mazé, e a neta, Sophia, também fazem parte da comunidade escolar. “Por causa deles, o Anselmo veio trabalhar na instituição, eu também trabalho aqui e minha filha estuda aqui. Estamos dando continuidade ao trabalho que começou lá atrás. Essa conexão entre o colégio e a família é real”, afirma Mazé.

Culto de Gratidão
Para marcar esse momento especial, a família participou de um culto de gratidão pelos 70 anos da Educação Adventista na região, junto de funcionários, professores e ex-colaboradores na Igreja Adventista Central de Maringá. “Setenta anos é apenas um número, mas por trás dele estão rostos, sentimentos e pessoas que contribuíram para que essa história fosse construída com bênçãos e vitórias”, destacou Elisângela Cardoso, atual diretora do colégio.
Durante a programação, houve louvores apresentados pelos corais da escola e da igreja, uma reflexão bíblica sobre o papel da educação cristã na comunidade e o batismo de dois alunos, simbolizando novos começos. “Educar é impactar para a vida. Ver alunos decidindo ao lado de Jesus é um presente de Deus, isso mostra a importância de dar continuidade ao propósito da educação ”, celebrou o pastor Harryson Kerschner, diretor da Educação Adventista para o Sul do Brasil.


Para Natal o sentimento que fica é o da gratidão. “Somos gratos a Deus por tudo. Se não fosse Ele, eu não estaria aqui comemorando essa data especial com minha família. Isso não tem preço, enche o coração de alegria”, conclui.

A história de seu Natal entre tantas outras que existem no colégio resume o verdadeiro propósito da Educação Adventista: formar gerações com valores cristãos, comprometidas com o serviço, o amor ao próximo e o senso de missão.
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