Classe da Escola Sabatina constrói casa para auxiliar de limpeza na zona leste de SP
Após 20 anos em São Paulo, Jane Pires realiza o sonho da casa própria com a ajuda de voluntários adventistas

Uma conversa entre amigos deu início à realização de um sonho: a construção da casa de Jane Pires. Idealizada por membros da classe de Escola Sabatina Remanescentes de Cristo, da Igreja Adventista de Jardim da Conquista, na zona leste de São Paulo, a iniciativa envolveu mais de 70 pessoas. A residência foi entregue no último sábado, 24 de julho.
Há cerca de 20 anos, Jane e suas duas filhas saíram da Bahia e vieram para São Paulo. Trabalhando como auxiliar de limpeza, ela adquiriu um terreno de 36 m² na região do Conjunto Promorar, no extremo leste da capital paulista. No início de 2025, enquanto buscava uma casa para alugar, visitou o amigo Francisco Cardoso e contou que pretendia vender o terreno em virtude de dificuldades financeiras.
“Umas duas semanas depois, eu estava na igreja e o Cardoso veio conversar comigo. Ele disse que tinha apresentado uma ideia para a comissão e para a classe, e que, se desse certo, eles iriam construir a minha casa. Eu disse: ‘Como assim?’ Na hora, eu o abracei. Fiquei muito feliz, mas pensando: como assim eles vão construir a minha casa?”, relembra Jane.
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Cardoso propôs a construção da casa como ação solidária do projeto Escola Sabatina Viva, da unidade de ação Remanescentes de Cristo, que conta com 32 membros. O projeto foi aprovado. Com apenas 200 blocos, 2 m³ de pedra, 40 metros de coluna e seis sacos de cimento, a construção teve início no dia 9 de fevereiro de 2025.
“A Escola Sabatina não fica somente na Igreja, ela é uma unidade em ação. É da igreja para fora também. Vemos como a igreja precisa participar de projetos comunitários e ações sociais, isso é fundamental para o crescimento e para o envolvimento dos membros”, comenta Leonardo Barbosa, líder do Ministério Pessoal, Escola Sabatina e Ação Solidária Adventista da Associação Paulista Leste.
Confira a galeria de fotos da construção



Cada bloco, um testemunho
A missão durou cinco meses e foi um milagre sendo construído tijolo a tijolo. “A gente ligava, falava do projeto e pedia para a pessoa comprar e trazer os materiais aqui, não o dinheiro. Tínhamos dificuldade de sair para comprar as coisas. Quem não podia, doava o dinheiro. E deu certo”, explica Francisco Cardoso, um dos idealizadores do projeto.
Aos domingos, o grupo se empenhava na missão de construir a casa, subindo e descendo o escadão com pedras, blocos e cimento. “Todo domingo eles estavam aqui, fizesse sol ou chuva, sempre muito felizes e com um sorriso no rosto”, ressaltou Jane.
“Sou grato por Deus me permitir ajudar alguém que necessita. A partir do momento que a gente ajuda, que dividimos, nós multiplicamos”, destaca Cardoso.




“O evangelho não é somente você pregar, mas é você ajudar a dar o teto a uma pessoa, a dar o pão para que ela possa se alimentar, ajudá-la a realizar seus sonhos. Quando a igreja faz isso, o resultado é esse aqui: pessoas fazendo a diferença na vida de outras”, comenta Barbosa.
Ao longo dos meses, vizinhos que passavam pelo escadão perguntaram o que seria aquele local, se ali teria uma igreja. Cardoso chegou a dar um novo nome para a escadaria: “o escadão da casa branca”, em referência à cor da casa.
“Nós cremos que um pequeno grupo será montado aqui, que este será um ponto de pregação. Sonhamos, inclusive, com o futuro plantio de uma igreja, por meio da mobilização da comunidade e dos irmãos que continuarão apoiando esse novo endereço. Tudo para a honra e glória de Deus”, conclui Luiz Henrique Cavalcanti, pastor do distrito.