Celebração da Liberdade Religiosa reforça compromissos com o respeito
Evento em Brasília destaca a importância da liberdade de crença e promove debate sobre desafios contemporâneos

O Sábado da Liberdade Religiosa é um evento anual promovido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, voltado à reflexão e ao diálogo sobre a importância da liberdade de crença. A iniciativa busca conscientizar sobre esse direito fundamental e promover o respeito mútuo entre diferentes religiões.
Em Brasília, diversas congregações adventistas destacaram o tema em sermões, no sábado pela manhã, e a tarde, durante a Celebração da Liberdade Religiosa, ocorrida na Igreja Adventista do Sudoeste, no último dia 24.
O programa contou com inspiradoras apresentações musicais de Joyce Carnassale e uma reflexão principal apresentada pelo Pastor Helio Carnassale, que refletiu sobre o tema “Oportunidades e Desafios da Liberdade Religiosa”.
Painel com Especialistas

Um painel com especialistas aprofundou o tema e esclareceu dúvidas coletivas. Os convidados foram:
- Pr. Hélio Carnassale – Teólogo, mestre em Ciência da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Atuou em diversos departamentos da Igreja Adventista, com ênfase em Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa;
- Pr. Irismar Gonçalves – Teólogo e líder de Liberdade Religiosa e Educação da União Centro-Oeste Brasileira (UCOB). Especialista em gestão escolar e gestão estratégica.
- Dr. Luigi Braga - Advogado Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Divisão Sul-Americana. Mestre em Direito Internacional, especialista em direitos difusos, coletivos, individuais e homogêneos;
- Dr. Arthur Kapteinat - Advogado da Associação Planalto Central (APlaC). Especialista em Direito, com vasta atuação em demandas relacionadas à liberdade religiosa;
- Dr. Saulo Rocha (moderador) - Diretor de Secretaria no TJDFT e líder do departamento de liberdade religiosa da IASD – Sudoeste. Especialista em Direito Público, com foco em garantias fundamentais;
- Dra. Vanessa Sedenho (moderadora): Advogada, especialista em Direito Penal Militar, com atuação em defesa da liberdade religiosa. Integra a equipe de liberdade religiosa da IASD - Sudoeste.
O evento reforçou a relevância da liberdade religiosa e dos direitos relacionados, além de incentivar a reflexão sobre os desafios enfrentados por aqueles que lutam pela liberdade de culto em diferentes partes do mundo. A programação destacou também, o compromisso da Igreja Adventista com os princípios de respeito e tolerância.
Um Direito Fundamental a ser promovido

Durante sua fala, o pastor Helio relacionou a liberdade religiosa à missão: “sem liberdade religiosa não há pregação do evangelho e consequentemente não há cumprimento da missão. Em países onde há uma religião oficial ou não há separação entre Igreja e Estado, o nacionalismo religioso impede a divulgação aberta do evangelho. Trabalhamos pela liberdade religiosa para que mais pessoas sejam alcançadas pela Mensagem e para que membros de igrejas em países onde existe liberdade religiosa valorizem essa bênção enquanto ainda há tempo”.
Dr. Luigi Braga alertou sobre a fragilidade da liberdade religiosa: “Durante a pandemia tudo foi fechado de um dia para o outro. Os hospitais lotados, todas as igrejas e escolas estavam fechadas. O direito à vida prejudicou a liberdade religiosa. Então, é uma ilusão que as pessoas têm que a liberdade religiosa só pode ser dada em tempos de paz e de tranquilidade, quando na verdade a liberdade religiosa existe exatamente para os momentos mais difíceis. Por isso nós temos que ter muito cuidado, porque quando alguma coisa grave acontecer e a liberdade religiosa for fundamental - inclusive para ajudar as pessoas a se reerguerem dessa dificuldade - ela só vai ser valorizada se nós tivermos constantemente falando sobre a sua importância. E, obviamente, a melhor forma de falar sobre liberdade religiosa é falar do nosso Criador, do nosso Redentor. E destacar que nós estamos falando dEle porque temos liberdade religiosa e que todos podem falar da sua crença também”.
Para o Dr. Arthur Kapteinat, a liberdade religiosa é um direito fundamental e um pilar na missão adventista: “Cada cristão pode promover a liberdade de crença adotando posturas éticas e espirituais fundamentadas nos princípios do respeito, da dignidade humana e da liberdade de consciência”.
Ele destaca atitudes que refletem esse compromisso:
1. Postura pessoal: a postura pessoal é uma poderosa ferramenta de testemunho. O cristão deve ser íntegro e honesto, representando com dignidade e coerência a sua fé. Além disso, deve estar pronto para explicar a sua fé de forma respeitosa e clara.
2. Exercer influência por meio do exemplo: a coerência entre fé e prática inspira respeito. Quando valores como amor, honestidade e solidariedade são vividos na prática, a liberdade religiosa é fortalecida e respeitada socialmente.
3. Defender a liberdade para todos: cristãos devem defender o direito universal à liberdade religiosa, mesmo para aqueles com crenças diferentes. A verdadeira liberdade é inclusiva e não seletiva.
4. Respeito às diferenças: a convivência com outras religiões deve ser marcada por respeito e diálogo, não por imposição. O cristão deve aprender a discordar sem desrespeitar, evitando linguagem pejorativa ou comportamentos agressivos.
5. Seguir o exemplo de Jesus: em resumo, cada cristão pode promover a liberdade de crença vivendo e compartilhando os princípios do respeito, coerência, diálogo e liberdade de consciência, contribuindo para uma sociedade mais justa e inclusiva, conforme o exemplo e os ensinamentos de Jesus Cristo.
Convidados especiais testemunharam suas vivências em outros países e destacaram os desafios enfrentados.

Larissa Morais foi missionária em Laos, país do Sudeste Asiático, entre junho de 2022 e fevereiro de 2023. Lá, conviveu com a liberdade religiosa restrita, não podia fazer proselitismo, não podia chamar as pessoas para a igreja abertamente. Uma alternativa era realizar reuniões em grupos menores e falar para pessoas que não conheciam nem a Bíblia e nem Jesus.
A missionária, explicou que estar em Laos foi, um divisor de águas na vida dela: “sair de um país como o Brasil, onde temos liberdade para expressar nossa fé, com igrejas em cada esquina e cultos acontecendo abertamente, e me deparar com uma realidade onde isso não é permitido, foi um choque muito grande. Essa experiência me fez refletir profundamente e valorizar algo que, sinceramente, antes eu nem pensava tanto: a liberdade religiosa. Hoje, entendo o quanto esse direito é precioso e o quanto devemos ser gratos por poder viver nossa fé livremente. Ser missionário vai além de estar em outro país, é levar esperança onde a fé é perseguida ou silenciada. Não podemos nos calar, nem deixar de apoiar e orar por quem vive em contextos de perseguição”.
Importância do Direito à Liberdade Religiosa
A liberdade religiosa garante que ninguém seja prejudicado por suas crenças e possa expressá-las livremente.
Geovanna Köhler, advogada da Adventist Health em Brasília destaca a importância do tema para os adventistas: “o direito de expressar a fé traz benefícios pessoais, sociais e até profissionais: em primeiro lugar o direito à liberdade religiosa nos traz o respeito um para com os outros e nos leva a outras questões importantes como a convivência pacífica em sociedade. É importante pensar também, que para nós, adventistas, o direito de poder guardar o sábado sem discriminação ou punição, o direito de poder realizar provas de concurso de forma alternativa, quando a data da prova está marcada para o sábado, são importantes conquistas”.
Sobre a Celebração da Liberdade Religiosa em Brasília, Geovanna conclui “Muitas pessoas ainda não têm informações a respeito deste tema e acabam sendo prejudicados pela falta de conhecimento, quanto mais pessoas estiverem cientes sobre o direito à liberdade religiosa, mais pessoas lutarão para que este direito seja cumprido”.
Depoimentos de participantes da Celebração
Conversamos com algumas pessoas que estiveram presentes na celebração e elas compartilharam sua experiência.
Alves Ribeiro, bispo da Igreja Sara Nossa Terra e Presidente Nacional do FENASP - Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política, destacou a importância de eventos como este para celebrar e divulgar informações sobre o tema: “Liberdade religiosa é um direito que sustenta todos os outros. Onde ela é protegida, floresce a dignidade humana; onde é violada, toda a sociedade adoece. Mais do que frequentar um templo ou carregar um símbolo de fé, liberdade religiosa é o direito de viver plenamente os valores espirituais, de ensinar, de formar família, de agir na sociedade com base em convicções profundas — sem medo, sem censura, sem retaliação. Em tempos de avanço da intolerância e tentativas de silenciar vozes de fé, eventos como este são fundamentais. Quero parabenizar a Igreja Adventista do Sétimo Dia, em parceria com a International Religious Liberty Association, por promover este encontro com seriedade, excelência e propósito. Esses espaços nos lembram que a liberdade precisa ser celebrada, ensinada e defendida. Quando diferentes tradições se reúnem para promover o respeito e a convivência pacífica, toda a sociedade se fortalece”.
Simone Almeida, também da IASD Sudoeste, ela destacou a importância do conhecimento nesta área: “a gente precisa conhecer os nossos direitos e respeitar os direitos dos outros. A programação foi essencial, eu aprendi muita coisa importante, hoje tenho um outro pensamento em relação a liberdade religiosa pelo que foi falado aqui”.
Roseilton Santana, frequenta a Igreja Adventista do Sudoeste e falou sobre o evento ser extensivo a toda a Associação Planalto Central: “não foi uma celebração apenas para o Sudoeste, mas para toda a Associação, com a participação de diversas pessoas e eu vejo que isso enriquece, contribui para o nosso próprio amadurecimento, para a gente saber como lidar com determinadas situações e eu vejo isso como um acréscimo, para o nosso conceito do que é realmente a liberdade religiosa".
Roberta Oliveira, frequenta a Igreja Adventista no Sudoeste. Para ela a celebração foi muito enriquecedora: “A programação, cuidadosamente preparada, proporcionou momentos de profunda reflexão e inspiração. Falar sobre liberdade religiosa é reafirmar um valor essencial à dignidade humana — o direito de crer, expressar e viver a fé de forma respeitosa e consciente. As mensagens musicais apresentadas também foram marcantes. Foram momentos de adoração que tocaram o coração e fortaleceram nossa fé. Dentre os muitos aspectos abordados, destacou-se a importância do diálogo e da convivência harmoniosa entre diferentes expressões de fé. Os testemunhos e reflexões apresentados nos chamaram à responsabilidade de sermos defensores ativos da liberdade e do respeito mútuo. Saímos deste encontro edificados, renovados em nossa fé e convictos de que essa causa é nobre e merece ser continuamente promovida com amor, sabedoria e firmeza de propósito”.
Liberdade Religiosa e Educação

Para Luciana Souza líder de Liberdade Religiosa e Educação da APlaC este tema não envolve apenas a igreja é um debate que precisa ser ampliado para educação e a sociedade como um todo: “A Liberdade Religiosa tem como propósito defender o direito de cada pessoa escolher sua religião ou crença e expressar livremente sua fé, sempre com respeito aos direitos dos demais. Também atua em favor da liberdade das organizações religiosas para funcionarem legalmente em qualquer país, podendo estabelecer instituições beneficentes ou educacionais. Por isso, ela não é apenas importante para a igreja, mas para a sociedade como um todo. Sendo assim, é fundamental que nossas igrejas estejam representadas por Embaixadores capacitados e dedicados. Eles atuarão como o reflexo da igreja diante da sociedade, onde estão inseridos”.
Além disso, Luciana destaca a importância da Liberdade Religiosa para a educação confessional: “é um valor essencial para uma educação confessional como a oferecida pela Rede Adventista. Isso porque ela assegura o direito de cada indivíduo crer, praticar e expressar sua fé, algo que está no centro da nossa proposta educativa. A Educação Adventista valoriza e promove a Liberdade Religiosa ao proporcionar um ambiente respeitoso, onde alunos de diferentes crenças são acolhidos e incentivados a desenvolver o pensamento crítico, a empatia e a tolerância. Embora seja uma rede confessional, com princípios cristãos bem definidos, ela não impõe crenças, mas oferece uma formação que une fé, conhecimento e respeito à liberdade individual”.
