Cartas escritas por desbravadores levam esperança às ruas de Saquarema
Mais de 1000 adolescentes participam de ação social na Prainha

Adolescentes de 10 a 15 anos do interior do Rio de Janeiro extrapolaram os limites da área de acampamento para demonstrar o cuidado com o próximo. A ação aconteceu durante o 8º Campori de Desbravadores da Associação Rio Fluminense (ARF), realizado em Saquarema, na Região dos Lagos. No sábado pela manhã, mais de 500 desbravadores foram às ruas da cidade para uma ação que uniu evangelismo, solidariedade e consciência ambiental e, ao longo de toda a programação, um projeto de inclusão garantiu que crianças atípicas também vivessem o evento sem barreiras.
Antes de saírem às ruas, os desbravadores escreveram, à mão, cartas com mensagens de esperança para desconhecidos. Cada carta acompanhou a distribuição de exemplares do livro Esperança, entregues pelas ruas de Saquarema.
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Manuela Guerra, de 14 anos, participante do clube Fonseca, descreve o exercício de generosidade por trás da escrita. “Escrevi sobre como é bom ter um melhor amigo, aquilo que me conforta. Queria que a pessoa se entregasse totalmente para Jesus”, conta. Ao entregar sua carta, buscou uma reação específica de quem recebeu. “Perguntei se ela já tinha recebido uma cartinha e ela disse que não. Eu queria que ela se sentisse tocada", relembra a menina. Para ela, o gesto vale mesmo sem retorno imediato. “Mesmo que a gente não perceba, uma frase pode acabar tocando alguém.”
Joseli da Paixão Moura, diretora do clube Leão da Montanha, acompanhou de perto a criatividade dos seus desbravadores. “Eles foram muito criativos. Escreveram sobre Jesus sendo nosso Libertador, desenharam uma cruz e contaram como Ele tem feito diferença na vida deles”, relata.



Uma praia, um cartão-postal, uma mensagem
A ação incluiu ainda a limpeza da Prainha, na região da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, um dos cartões-postais de Saquarema. Para o pastor Henrique Custódio, líder de Desbravadores e Aventureiros da ARF, a iniciativa tem um propósito que vai além do voluntariado pontual. “É muito importante para a gente ter uma ação de solidariedade, de limpeza, de conscientização ambiental. A visibilidade é essencial para o desbravador, que precisa estar na cidade, na comunidade e na esfera pública, para mostrar a relevância do que a gente faz”, afirma.

Um espaço para que ninguém fique de fora
Pela primeira vez em um Campori da ARF, uma sala de regulação funcionou durante toda a programação, voltada ao acolhimento de crianças autistas e com outros transtornos, como ansiedade e déficit de atenção. O projeto, conhecido como "Ir aonde Deus mandar" é conduzido por uma equipe de psicólogos especializados em manejo de crises, que atua exclusivamente em eventos da igreja com grande concentração de crianças e adolescentes, como Camporis e Aventuris.
A psicóloga Lídia Vargas, responsável técnica pela iniciativa, explica a proposta do espaço. “Nosso objetivo é que cada evento da igreja tenha uma sala especializada em autorregulação, um ambiente alternativo para crianças autistas e com outros transtornos, onde elas possam ser acolhidas no momento em que os estímulos forem demais”, diz.



Segundo Lídia, o impacto vai além do acolhimento pontual e chega a mudar a decisão de famílias sobre participar ou não desses eventos. “Muitas famílias acabam impedindo que os filhos com algum transtorno participem dos clubes ou dos acampamentos por preocupação com quem vai lidar com uma crise. A gente tem uma equipe especializada para que essas crianças também possam participar tranquilamente”, afirma.
Uma das crianças acolhidas pela iniciativa foi Julia Nogueira, do clube Guardiões de Araruama, que tem síndrome de Down e viveu seu primeiro Campori. “Fiquei muito emocionada, gostei muito, ganhei até troféu. É um prazer estar aqui”, contou, emocionada.


Uma marca que fica
Além da ação social, o Campori entregou a cada desbravador uma Bíblia personalizada, um gesto que, segundo o pastor Henrique Custódio, resume o espírito do evento. “A gente espera que a Palavra de Deus, que diz: ‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’, seja essa verdade. Se o desbravador viver perto da verdade, ele será livre, liberto por Jesus. Essa é a marca profunda que a gente quer que o desbravador guarde.”

O Clube de Desbravadores
O Clube de Desbravadores é um ministério da Igreja Adventista do Sétimo Dia voltado a crianças e adolescentes entre 10 e 15 anos. Com atividades que integram espiritualidade, cidadania, serviço comunitário e desenvolvimento de habilidades práticas, o clube oferece um espaço estruturado para o crescimento integral dos jovens. O campori é o principal evento do ministério. É um um encontro regional, nacional ou internacional que reúne clubes de diferentes localidades para dias de programação, provas, celebrações e decisões espirituais.
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