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Liberdade Religiosa

Brasil registra mais de 2,7 mil denúncias de intolerância religiosa em cenário persistente

Congresso no Leste de Minas debate liberdade de crença e orienta fiéis sobre responsabilidade social diante do preconceito


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Liberdade Religiosa e de Expressão são direitos diferentes mas que podem se manifestar em conjunto. Foto: Duda Araújo.

“A livre opinião religiosa deve ser protegida mesmo quando discordamos dela” , pontuou o doutor Micael Fernandes, advogado da sede administrativa da Igreja Adventista no Leste mineiro. Ele atuou como um dos palestrantes no congresso realizado em Caratinga, último sábado (11).  Membros das igrejas circunvizinhas puderam refletir sobre dois temas centrais: liberdade de expressão e o ambiente de redes sociais; liberdade religiosa e o estado laico. 

O professor Alex Cerqueira é líder do ministério que promove ações como esta no Leste mineiro. Para ele, a programação buscou “preparar e capacitar a igreja para que possa se relacionar melhor com pessoas de fora, que pensam diferente e possuem costumes e hábitos distintos dos nossos”. Além disso, a ocasião buscou mostrar para os membros que a igreja não deve olhar apenas para si, mas também respeitar os direitos dos outros. 

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Pedrita Carvalho conseguiu compreender esta mensagem. “Nesse congresso eu pude perceber que a liberdade religiosa vai muito além do fato de guardar o sábado”, comentou. Ela é servidora pública e já enfrentou dificuldades trabalhistas devido sua fé e ficou feliz ao perceber que a igreja está disponível para auxiliar o membro. 

A diversidade religiosa mundial passou a se refletir com mais força nas sociedades atuais, onde convivem diferentes crenças e visões de mundo, incluindo as não religiosas. Foto: Duda Araújo.

Outro ponto que lhe chamou a atenção foi a maneira como as palestras enfatizaram o respeito em ambientes virtuais, onde o indivíduo assume uma postura aparentemente anônima e perde alguns limites. Nas redes sociais, muitos conflitos são gerados, bem como se tornam um local propício à polarização de ideias e ao baixo nível de tolerância. “Quando uma pessoa se estressa, a gente tem que intervir de forma mais branda, de repente de uma forma mais pessoal, ao invés de aguçar aquela situação", refletiu Pedrita. 


Estado laico e liberdade de expressão

A liberdade religiosa e a liberdade de expressão são direitos distintos, embora muitas vezes se expressem simultaneamente. Segundo o doutor Micael, “o conflito existe quando o exercício regular de um direito pessoal é utilizado para atacar ou vilipendiar direito de outros". Embora a liberdade de expressão seja um direito garantido pela Constituição brasileira, ela não é ilimitada, devendo ser exercida com responsabilidade e respeito aos direitos alheios, especialmente no que diz respeito à honra, à dignidade e às crenças de outras pessoas.

A agressividade nas redes não é acidental, mas incentivada por algoritmos que priorizam conteúdos polarizadores para aumentar o engajamento e o lucro das plataformas. Foto: Duda Araújo.

Quanto à laicidade do nosso governo, o evento ampliou o significado, mostrando que o Estado não mantém relacionamentos diretos com a Igreja,  bem como não adota uma religião oficial para o país. Contudo, “a igreja e o Estado atuam em colaboração, também, para fins de alcançar os objetivos eclesiásticos (poder religioso) e sociais (poder secular)”, explicou o advogado. 

Para saber mais do assunto, pode-se acessar a página oficial do ministério de Liberdade Religiosa da Igreja Adventista do Sétimo Dia.