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Bíblia conduzida pelos pioneiros renova a esperança durante Riachão

Abertura da celebração dos 70 anos da primeira Campal Riachão reuniu cerca de 3 mil pessoas e destacou a Palavra de Deus como fundamento para enfrentar os desafios atuais


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Agda Nunes de Sousa, Nadir Nunes Miranda e Osvair Nunes de Sousa, netos de pioneiros da mensagem adventista no norte de Goiás. Foto: Daniel Oliveira

Pelo corredor central, a Bíblia avançava carregada por quem aprendeu a conhecê-la, respeitá-la e viver por seus ensinamentos. Nas mãos de Agda Nunes de Sousa, Nadir Nunes Miranda e Osvair Nunes de Sousa, netos de pioneiros da mensagem adventista no norte de Goiás, o exemplar atravessou o auditório enquanto cerca de 3 mil pessoas acompanhavam uma das cenas mais simbólicas da abertura da Campal Riachão.

Os três irmãos são netos de Francisco Nunes, o primeiro integrante da família a conhecer a mensagem adventista nas terras do Riachão. Ao conduzirem a Bíblia, eles não representavam apenas uma família. Carregavam a continuidade de uma fé que venceu distâncias, dificuldades e o passar do tempo. “A bíblia é nossa regra de fé. Tudo que fazemos se baseia no que está na bíblia e em seus ensinamentos”, enfatizou Agda.

Pastores da Associação Brasil Central durante abertura da Campal Riachão. Foto: Daniel Oliveira.

Abertura do Riachão

A cena marcou a abertura da edição comemorativa dos 70 anos da primeira Campal Riachão, realizada em 1956. O encontro aconteceu em Uruaçu, no norte de Goiás, com músicas, adoração, reencontros e estudo das Escrituras.

O exemplar levado pelos pioneiros também guarda uma história construída por muitas mãos. A Bíblia foi manuscrita pelos participantes da campal em 2002 e permanece exposta no Museu do Riachão como símbolo do compromisso das diferentes gerações com a Palavra de Deus.

Durante a cerimônia, o presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Goiás reforçou a centralidade das Escrituras na programação. “A Bíblia já entrou neste recinto. É por meio dela que iremos estudar e aprender aquilo que Deus fala a nós”, afirmou.

Orador da A Voz da Profecia, pastor Gilson Brito, participa da Campal Riachão com quarteto Arautos do Rei. Foto: Daniel Oliveira.

Memórias e desafios

Na noite de abertura da campal, a Bíblia deixou temporariamente o museu e voltou ao lugar que motivou sua criação. Aberta diante do público, ela ligou a memória dos pioneiros aos desafios vividos por uma nova geração.

Para Letícia Amorim de Andrade, que participa da Campal Riachão pela primeira vez, conhecer essa trajetória trouxe força para continuar acreditando nas promessas cristãs. “Fiquei impressionada com a maneira como a fé desses pioneiros continua motivando as pessoas. Agora, essa história também me motiva a permanecer firme nas promessas de Jesus. Tenho certeza de que sairei daqui com a fé fortalecida”, afirmou.

Ribas Alves Filho viajou do Tocantins para participar do encontro. Há mais de 20 anos, a Campal Riachão ocupa um lugar permanente em seu calendário. “Esse encontro está no meu calendário. Aqui encontro paz nas mensagens, na história dos pioneiros e nas músicas cantadas. O Riachão é uma grande igreja ao ar livre, e isso torna tudo ainda mais especial”, destacou.

Pastor Gilson Brito é o orador principal da Campal Riachão 2026. Foto: Daniel Oliveira.

Mensagem que exige transformação

Após a entrada da Bíblia, o pastor Gilson Brito, orador da Voz da Profecia, apresentou uma reflexão que levou o público a compreender que ouvir o evangelho envolve responsabilidade e resposta pessoal.

Para o pastor, ninguém permanece igual após entrar em contato com as verdades bíblicas. A mensagem pode fortalecer a fé, produzir arrependimento e aproximar a pessoa de Deus. A indiferença, porém, pode tornar o coração insensível ao chamado recebido. “Quando terminarmos esta campal, cada um estará mais perto ou mais longe de Deus. Tudo dependerá da maneira como reagirmos ao evangelho que será apresentado”, declarou.

O apelo retirou a campal do campo da contemplação. As músicas, as amizades e os reencontros fazem parte da experiência, mas o objetivo principal está na transformação produzida pela comunhão com Deus. Gilson Brito ressaltou que estar dentro da igreja, conhecer a Bíblia ou participar de eventos religiosos não representa, por si só, uma vida cristã autêntica. “Não basta estar na igreja, estar perto do altar ou ter a Bíblia nas mãos. É preciso ter um coração quebrantado na presença do Senhor, reconhecer as próprias fraquezas, clamar por perdão e viver em dependência diária de Deus”, afirmou.

A mensagem também trouxe um alerta sobre o risco de confiar apenas no conhecimento acumulado ao longo dos anos. A fé não pode sobreviver apenas das experiências do passado. Ela precisa ser alimentada diariamente por meio da oração, do estudo da Bíblia e da disposição para viver aquilo que foi aprendido. Ao apresentar o texto de Hebreus 2, o orador reforçou o chamado à perseverança. “Importa que nos apeguemos com mais firmeza às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos”, leu.

Fé para atravessar os dias difíceis

A reflexão encontrou espaço em uma realidade marcada por ansiedade, insegurança, perdas e conflitos. A mensagem apresentada no Riachão mostrou que a fé cristã não elimina as dificuldades, mas oferece direção para enfrentá-las.

A esperança bíblica não ignora a dor. Ela impede que o sofrimento determine o fim da história. Mesmo diante das lágrimas, a confiança em Deus mantém o coração firme e aponta um caminho além das circunstâncias presentes. “Quem vive ligado a Deus pode passar por lágrimas, mas não precisa viver em desespero. Essa pessoa sabe de onde veio, onde está e para onde vai”, afirmou Gilson Brito.

O pastor também ressaltou que a felicidade cristã não depende de uma vida sem problemas. Ela nasce da certeza da presença de Deus durante a caminhada. “Não estou dizendo que a vida vira um mar de rosas. Quem vive em santidade enfrenta as durezas da vida, mas possui no coração a paz de Deus, que excede todo o entendimento”, declarou.