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Batismo de cinco presas chama atenção para evangelismo de agente carcerária

No presídio, Edna de Aquino Brito tornou-se uma agente da libertação e tem compartilhado o evangelho com dezenas de pessoas.


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Presas-batismo-mussurungaSalvador, BA …[ASN] A cena era inusitada e não passou despercebida. Na entrada da igreja adventista em Mussurunga, bairro de Salvador, era possível ver dois policiais, próximos à porta. Eles estavam escoltando um grupo de cinco presidiárias que receberam autorização para sair do presídio e visitar o templo, no sábado, dia 29 de novembro, para fazer parte da Igreja Adventista, por meio do batismo.

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Foi mais uma vitória na vida de Edna de Aquino Brito, coordenadora do Grupo Especial de Operações Prisionais, que trabalha no Conjunto Prisional Feminino de Salvador. Servidora pública concursada, Edna recebeu uma tarefa do Estado: garantir a detenção de prisioneiras na unidade feminina da capital baiana. Mas ela não se limitou em ser apenas uma profissional competente. Edna é também uma missionária dedicada em transformar mulheres que estão encarceradas. A agente responsável pela prisão se transforma em agente de libertação. Prova disso foi o batismo ocorrido no encerramento da Semana Viva Com Esperança.

Edna começou o trabalho de evangelização voluntária em presídios em 1991. Em 1994, o Estado abriu concurso para agente penitenciário. Foi neste momento que ela teve uma conversa com Deus. “Eu fiz uma oração pedindo ao Senhor que, se Ele quisesse que eu continuasse a fazer este trabalho, me ajudasse a passar no concurso”, disse.

Chegou o dia dos exames. Edna foi aprovada em boa posição, ficando em sétimo lugar. Ainda teve, porém, de superar um desafio. A última prova, de avaliação psicológica, foi agendada para um dia de sábado. Ela ficou desapontada, mas resolveu confiar em Deus e entrou com requerimento para tentar agendar a prova para outro dia. Três meses depois, quando já suspeitava estar desclassificada, veio a resposta, concedendo-lhe a chance de fazer a prova em outro dia.

Pouco tempo depois, Edna estava trabalhando no conjunto prisional. Ela faz parte de um grupo de intervenção tática dentro do complexo penitenciário. Assim como acontece em todo o País, o trabalho de agentes carcerários é dramático, em parte devido a superpopulação e a dificuldade do Estado de providenciar condições mínimas de dignidade nesses centros. Na Bahia, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização, 12.223 pessoas estão presas, pelo menos três mil a mais que a capacidade. “As pessoas aqui estão ‘mortas’ para a sociedade, e são afetadas psicologicamente e moralmente pela situação em que vivem”, afirmou Edna.

Para a agente missionária, o Evangelho assume uma função social importante, que pode contribuir, neste caso, para além dos métodos convencionais. “Eu só sei dizer que Deus tem feito proezas, porque para mim o maior milagre é este: é o milagre da transformação do coração”, reforçou. Ela acompanhou as mulheres que chegaram sob escolta à igreja. Mas esse foi um dia diferente. O clima de tensão não era necessário. O que se viu foi um senso coletivo de acolhimento e esperança. “Eu agradeço a Deus por esta oportunidade. Enquanto Deus permitir, vou continuar trabalhando para mudar a vida de mais pessoas dentro de minha unidade”, garantiu. [Equipe ASN, Heron Santana]