Após 63 anos, Batismo da Primavera segue reunindo gerações em busca de esperança
Evangelista da Igreja Adventista para oito países sul-americanos detalha sobre a Semana da Esperança e o legado do primeiro batismo

Para quem é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia nos últimos 63 anos, setembro é um mês de celebração. Conhecido por abrigar o "Batismo da Primavera", é o ponto alto do ano em que, estatisticamente, mais pessoas tomam a decisão pública de se tornar membros da denominação.
A ideia surgiu com o pastor Ademar Quint, no Rio de Janeiro, em 1963. À época, ainda havia alguma resistência em batizar adolescentes, mas ele entendia que esse grupo estava apto a dar esse passo.
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O nome, aliás, não foi dado pela estação do ano, mas a estação da vida. Em entrevista à Revista Adventista, em 2013, Quint disse: "Eu olhava para aquelas pessoas, na primavera da vida, e pensava que não podíamos impedi-los de irem a Jesus". Por isso, criou uma classe bíblica específica para essa faixa etária e, no bairro de Madureira, na capital carioca, aconteceu o primeiro grande movimento batismal no dia 30 de março, com 50 pessoas.
De lá para cá, muita coisa mudou. O projeto se consolidou e se tornou parte do calendário oficial da Igreja Adventista. Hoje, não só juvenis e adolescentes, mas muitos adultos escolhem esse período para firmar um compromisso com Jesus.
Hoje chamada de Semana da Esperança, busca chegar a pessoas que estão procurando uma saída em meio aos desafios cotidianos, as doenças emocionais e a necessidade de encontrar conforto em meio ao caos.
O pastor Joel Flores, evangelista da Igreja Adventista para oito países sul-americanos, detalha nesta entrevista as dificuldades contemporâneas da pregação da Bíblia e como a iniciativa está sendo conduzida.
Se você tivesse que resumir em uma frase "Jesus, Nossa Esperança", o título desta semana, qual seria?
Jesus é a esperança porque Ele não veio apenas para melhorar a nossa vida; Ele veio para nos dar uma nova vida.
Quando tudo ao nosso redor muda, Jesus permanece. Por isso, nossa esperança não está em alguma coisa que vai acontecer. Nossa esperança está em Alguém: Jesus Cristo.
Por que a Igreja escolheu justamente este tema para a Semana da Esperança deste ano?
Porque talvez nunca tenhamos tido tanta tecnologia, informação e possibilidades e, ao mesmo tempo, tantos corações cansados, ansiosos e sem esperança.
As pessoas não estão procurando apenas uma religião. Elas estão procurando paz, sentido, perdão, segurança, um novo começo. E a Igreja tem uma mensagem para esse coração: há esperança. E essa esperança tem nome: Jesus.
O que mudou nas semanas de evangelismo de 1963 para cá, seja na linguagem, no formato ou na tecnologia?
Mudaram muitas coisas. Mudaram os recursos, a linguagem, a música, os meios de comunicação. Hoje temos televisão, redes sociais, podcasts, celulares e podemos levar uma mensagem a milhares de pessoas em segundos.
Mas o coração humano não mudou. Continuamos tendo medo. Continuamos enfrentando culpa, solidão, perdas e perguntas sobre o futuro. E também não mudou a resposta de Deus para o coração humano: Jesus. Os métodos precisam mudar porque o mundo muda. Mas a mensagem não pode mudar.
Na sua visão, qual foi o momento mais marcante da história do Batismo da Primavera na América do Sul?
É difícil escolher apenas um momento. Existem grandes datas, grandes batismos e histórias extraordinárias. Mas, para mim, o momento mais marcante acontece todas as vezes que uma pessoa entra nas águas do batismo e decide começar uma nova história com Jesus. Porque por trás de cada entrega existe um nome e uma história.
Existe uma idade ou fase da vida em que a decisão pelo batismo costuma ser mais forte? Por quê?
A juventude é uma fase muito importante porque é quando muitas das grandes decisões da vida começam a ser tomadas: valores, sonhos, relacionamentos, profissão e futuro.
Mas o evangelho não tem idade. Enquanto houver vida, existe oportunidade para um novo começo.
Quais são as etapas que uma pessoa percorre, na prática, do primeiro contato com o evangelho até o batismo?
Eu resumiria esse caminho em algumas palavras: amizade, confiança, Bíblia, encontro, decisão e discipulado. Normalmente tudo começa com alguém. Um amigo, um colega, um vizinho, uma família que demonstra o amor de Cristo.
Depois vem a confiança. A pessoa começa a fazer perguntas, estudar a Bíblia e compreender quem é Jesus. Mas chega um momento em que aquilo que estava apenas na mente precisa chegar ao coração.
Porque o objetivo do estudo bíblico não é simplesmente conhecer doutrinas. É conhecer a Jesus. E quando alguém encontra verdadeiramente Jesus, nasce a decisão. O batismo, então, não é o fim da caminhada. É o começo de uma nova vida de discipulado com Cristo.
O que costuma pesar mais na decisão de alguém: um argumento bíblico, um testemunho ou um relacionamento?
Eu não separaria os três. A Bíblia apresenta a verdade. O testemunho mostra que essa verdade funciona. E o relacionamento permite que essa verdade seja vista de perto.
Uma pessoa pode esquecer muitos argumentos que ouviu, mas dificilmente esquecerá alguém que esteve ao seu lado quando ela mais precisava. Jesus não apenas pregava para as pessoas. Ele Se aproximava delas, escutava, tocava suas necessidades e demonstrava amor.
Por isso, talvez um dos argumentos mais poderosos em favor do evangelho seja uma vida transformada por Jesus que ama outra pessoa de verdade.
Qual o papel da igreja local e de cada membro nesse processo de decisão, além do pastor?
O evangelismo nunca foi uma tarefa exclusiva do pastor. A igreja inteira é chamada para a missão.
Talvez alguém diga: "Eu não sei pregar." Mas pode convidar.
"Eu não sei dar um estudo bíblico." Mas pode aprender.
"Eu não sei falar diante de uma multidão." Pode falar com uma pessoa.
Pode abrir a casa. Pode enviar uma mensagem. Pode ouvir alguém que está sofrendo. Pode orar por um amigo.
Às vezes pensamos que evangelismo é levar milhares a Jesus. Mas muitas vezes evangelismo começa com um cristão levando uma pessoa a Cristo.
Que mensagem você deixa para quem está sendo convidado a assistir a essa Semana de Evangelismo?
Eu diria: venha como você está. Talvez você esteja bem. Talvez esteja cansado. Talvez carregue perguntas que nunca contou para ninguém. Talvez esteja lutando com culpa, ansiedade, medo ou simplesmente com um vazio que não consegue explicar. Você não precisa resolver sua vida primeiro para depois procurar Jesus.
Porque talvez aquilo que você está procurando não seja uma resposta, seja Jesus. Porque ainda existe esperança. E a nossa esperança tem nome: Jesus.
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