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Amizade e palestras sobre saúde ajudam mulher a consolidar fé em momento de fragilidade

Acolhida por voluntários após perder dois filhos, Tânia Sanches decidiu se batizar ao frequentar encontros preventivos no Centro Médico Adventista de Porto Alegre


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Jornada de Tânia até aqui foi marcada por provações de saúde, perdas familiares e um encontro transformador com o acolhimento e a fé. (Foto: Bruno Simeoni)

Na noite do dia 25 de fevereiro, o Centro Médico Adventista de Porto Alegre foi palco de uma celebração que foi além do cuidado clínico. Tânia Maria Sanches, moradora da capital gaúcha, selou sua entrega a Jesus de forma pública por meio do batismo. A cerimônia coroa uma trajetória marcada por provações de saúde, perdas familiares e um encontro transformador com o acolhimento e a fé.

A imersão nas águas foi conduzida pelo pastor Josué Espinoza, responsável pela coordenação das iniciativas de cuidado espiritual nos hospitais, clínicas, operadoras de saúde, spas médicos e centros de saúde que compõem a rede adventista no país. No entanto, o caminho de Tânia até o tanque batismal começou muito antes, permeado por laços de amizade e por um desejo profundo de encontrar paz.

O peso do luto e das provações físicas

Antes dos 30 anos, a vida de Tânia era marcada por vitalidade. Mesmo tendo casado cedo, o que fazia com que dedicasse boa parte de seus dias aos cinco filhos e ao marido, sempre encontrava fôlego para aproveitar os bons momentos."Eu era muito feliz. Adorava ir a festas, aniversários... A gente caminhava, ia nos lugares a pé, pra lá e pra cá", relembra.

As dificuldades começaram a surgir aos 33 anos. Sintomas atípicos, como sede excessiva e indícios de alterações renais, a levaram a insistir por exames gerais, contrariando a resistência inicial de seu médico. O diagnóstico confirmou as suspeitas e marcou o início de uma longa batalha contra a diabetes. Com o passar do tempo, as complicações se agravaram e muito, resultando na amputação de dedos do pé, osteomielite (uma infecção óssea grave), cirurgias de safena e, há três meses, um procedimento mais delicado no coração.

Colaboradores do centro médico, em parceria com fieis da House Church Porto Alegre, fizeram um culto de celebração pela decisão de Tânia. (Foto: Bruno Simeoni)

A dor, que antes estava concentrada em questões físicas, passou a dividir espaço com perdas emocionais profundas. Há quase 12 anos, Tânia perdeu um de seus filhos para um problema cardíaco fulminante. O baque a paralisou. "Eu não queria saber de mais nada. Eu não comia, não dormia. Eu só chorava. E eu disse: 'Meu Deus, me dá força, pelo amor de Deus, eu preciso sair dessa cama'", recorda.

A tragédia voltou a bater à sua porta há apenas três meses, quando perdeu outro filho pela mesma causa repentina, pouco antes de ela própria precisar passar por uma delicada cirurgia no coração. Diante de dores que, segundo ela, "não se tiram, apenas se amenizam", foi nas conversas sinceras com Deus que Tânia encontrou fôlego para continuar.

O luto transformado em missão

Foi justamente no cruzamento entre a dor de Tânia e o luto de outra família que uma rede de apoio decisiva começou a se formar. É aqui que entram na história Juliana e Yuri Veiga, um casal da igreja local - a House Church Porto Alegre. A ligação de Juliana com Tânia vinha de berço. Tânia era uma das melhores amigas do pai de Juliana, muito antes de ela nascer. A relação era tão próxima que, em certa fase da vida, Juliana considerava Tânia como uma segunda mãe. Quando o pai de Juliana faleceu de forma repentina, o mundo da jovem desabou. No entanto, diante do caixão do pai, ela tomou uma decisão que mudaria não apenas a sua vida, mas a de Tânia.

"Decidi que a minha vida iria ter um propósito e que eu iria lutar contra o inimigo de Deus levando pessoas para Cristo", explica Juliana. Transformando seu próprio luto em missão, ela escolheu cuidadosamente a quem apresentaria a Bíblia primeiro. A escolhida foi a grande amiga de seu pai. Com o apoio do marido, Yuri, Juliana começou a frequentar a casa de Tânia para dar estudos bíblicos.

Yuri e Juliana auxiliaram Tânia no processo de acolhimento e conhecimento da Palavra de Deus. (Foto: Reprodução)

Percebendo a necessidade de um suporte espiritual ainda maior para a amiga, o casal convidou o pastor Matheus Moreira para visitá-la. Matheus atua como capelão do Centro Médico Adventista de Porto Alegre e, logo em sua primeira visita, trouxe um alento imediato. "Desde o primeiro dia que o pastor foi lá em casa fazer uma oração, eu me senti tão bem, com uma leveza. Eu disse: 'Foi Deus que mandou tu aqui'", conta Tânia.

Foi o pastor Matheus quem fez o convite que mudaria a rotina de Tânia. Ele a chamou para participar de uma série de palestras chamada "A máquina humana" - baseada em um guia de estudos produzido pela Rede Novo Tempo de Comunicação. A série é realizada nas noites de quarta-feira no centro médico. Embora Tânia não fosse paciente formal do local, os temas focados nos oito remédios naturais chamaram sua atenção, especialmente porque ela estava prestes a passar pela cirurgia cardíaca.

A dificuldade de Tânia, que dependia de ajuda para caminhar, não foi um impedimento. O próprio pastor Matheus e o diretor da clínica, Hamilton Oliveira, assumiram o compromisso de buscá-la e levá-la de volta para casa todas as semanas. Durante dois meses, Tânia ouviu médicos e terapeutas em um ambiente que, embora clínico, também compartilhava espiritualidade. "Tu te sente abraçada realmente... É uma outra família", ressalta ela.

Para o capelão, o acolhimento genuíno foi o diferencial. "O acolhimento faz toda a diferença porque ele é parte do método de Cristo. Estivemos com ela no luto recente e nos períodos de pré e pós-operatório. Isso foi crucial para estarmos celebrando esse momento", reflete o pastor Matheus.

A decisão que superou o medo

Familiares e amigos de Tânia assistiram a cerimônia de batismo na sede do centro médico. (Foto: Bruno Simeoni)

Para Tânia, selar um compromisso com Deus se tornou uma prioridade inadiável. Convivendo com um quadro de saúde delicado e cirurgias recentes, ela compreendia a preocupação clínica natural de que a imersão na água pudesse trazer algum risco, havendo até a sugestão de adiar a cerimônia. No entanto, ciente de suas próprias fragilidades e movida por uma fé urgente, ela tomou a decisão pessoal de não esperar mais. Confiando por inteira no cuidado divino para aquele momento, ela foi categórica. "Deus vai me dar força, vai me proteger e não vai deixar nada acontecer comigo", afirmou.

A cerimônia aconteceu, reunindo familiares e novos amigos. E o impacto daquela noite de 25 de fevereiro já faz eco além da clínica. O pequeno grupo de estudos bíblicos, liderado por Juliana e Yuri, que antes se reunia apenas em favor de Tânia, agora tem 12 familiares frequentes aos sábados. O grupo inclui sua irmã, irmãos e até uma sobrinha-neta de 12 anos, que já leva a Bíblia para a escola e sonha com o próprio batismo.

Ao olhar para a própria jornada — desde a juventude ativa, passando pelas perdas irreparáveis, até encontrar uma nova família na fé —, Tânia resume sua experiência com um conselho claro para quem ainda busca um sentido: "Procure Jesus e se entregue a Ele. Depois que você faz isso, o pensamento é totalmente diferente. É só Ele", conclui.